quarta-feira, 13 de junho de 2012

445 Buddha asceta Nigrodha


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          Veluvana / Bosque de Bambus, Índia


445
“Quem é este homem...etc.” - Esta história o Mestre contou no Bosque de Bambus sobre Devadatra. Um dia os Irmãos disseram a ele, “Amigo Devadatra, o Mestre te ajudou muito ! Do Mestre, você recebeu suas Ordens, menores e maiores ; você aprendeu as Três Cestas, a voz do Buddha ; você fez com que se levantasse o Ênstase dentro de ti ; a glória e o ganho de Dasabala ( Buddha, “aquele que possui os dez poderes” ) pertence a você.” Com isto ele segurou uma folha de grama, com as palavras, “Não vejo nenhum bem que o asceta Gotama me fez, nem mesmo este tanto !” Eles discutiam isto no Salão da Verdade. Quando o Mestre entrou, perguntou sobre o quê discutiam sentados juntos. Eles disseram. Ele falou, “Irmãos, esta não é a primeira vez mas há muito tempo atrás como agora, Devadatra foi ingrato e traiçoeiro com os amigos.” E ele contou um conto dos dias antigos.

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Certa vez um grande monarca chamado Magadha reinava em Rajagaha. E um mercador desta cidade trouxe para casa, para ser esposa do seu filho, uma filha de mercador de certo país. Mas ela era estéril. Com o passar do tempo menos respeito era prestado a ela por causa disto ; todos falavam para que ela escutasse, assim : “Enquanto há uma esposa estéril na casa de nosso filho, como poderá a linhagem da família ser mantida ?” Como este falatório ficava entrando no ouvido dela, ela disse para si mesma, “Então está bem, vou fingir estar grávida e enganá-los.” E assim ela perguntou a uma boa e antiga ama dela “O quê as mulheres fazem quando estão com criança ?” e sendo instruída no que fazer para preservar o bebê, escondeu quando menstruava ; mostrou desejos por gostos estranhos e amargos ; no tempo em que os braços e as pernas começavam a inchar, ela fez com que se lhe batesse as mãos, os pés e as costas até que crescessem ; todo dia ela fazia bandagem ao redor do seu corpo com trapos e roupas para parecer maior ; enegreceu os bicos dos peitos ; e além daquela ama não deixou ninguém estar presente em seu banheiro. Seu marido também dedicou a ela as atenções próprias do seu estado. Depois de nove meses passados deste jeito, ela declarou ser seu desejo retornar para casa e dar à luz na residência de seu pai. Então despedindo-se dos pais de seu marido, ela montou numa carruagem e com um largo número de ajudantes deixou Rajagaha atrás dela e pegou a estrada.

Bem, viajando na frente dela estava uma caravana ; e ela sempre no horário do café da manhã aproximava-se do lugar onde a caravana tinha acabado de estar. E uma noite, uma pobre mulher deu à luz um filho debaixo de uma árvore banian ; e considerando que sem a caravana ela não poderia seguir mas que se ela vivesse poderia encontrar a criança, o cobriu como estava e o deixou deitado lá, aos pés da árvore banian. E a deidade d'árvore tomou conta dele ; não era uma criança qualquer mas o Bodhisatva mesmo que veio ao mundo daquela forma.

Na hora do café da manhã os outros viajantes chegaram no lugar. A mulher, com sua empregada, separando-separa debaixo da sombra d'árvore banian para fazer suas necessidades, viu um bebê de cor dourada deitado lá. Logo ela grita para a empregada que o objetivo delas foi alcançado ; desata as ataduras das coxas ; e declara que o bebê era dela mesma e que acabou de pari-lo.

Os empregados imediatamente levantam uma tenda para protegê-la e altamente felizes mandam uma carta de volta a Rajagaha. Os pais do marido dela escrevem em resposta que como o bebê nasceu, não há mais necessidade dela ir para a casa dos pais; que ela retornasse. Assim para Rajagaha ela voltou imediatamente. E eles conheceram o bebê : e quando o bebê veio a ser nomeado, o chamaram com o nome do lugar onde nasceu, Nigrodha-Kumara, ou Mestre Banian. Naquele mesmo dia, a nora de um mercador, em seu caminho para a casa dos pais para parir, deu à luz um filho debaixo dos ramos de uma árvore ; e a ele eles chamaram Sakha-Kumara, Mestre Galho. E no mesmo dia, a esposa de um alfaiate empregado deste mercador deu à luz um filho no meio dos pedaços de tecidos dele ; e ele foi chamado Pottika, ou Mexedor de roupa.

O grande mercador mandou chamar estas duas crianças, que nasceram no mesmo dia de Mestre Banian e os criou junto com ele.

Eles cresceram juntos e logo foram para Takkasila ( Taxila ) para completar sua educação. Ambos os filhos dos mercadores tinham dois mil dinheiros ( peças ) para dar ao professor deles como pagamento ; Mestre Banian proviu Pottika de educação debaixo de sua proteção.

Quando a educação deles estava terminada, eles despediram-se de seu professor e o deixaram, com a intenção de aprender os costumes do povo do campo ; e viajando de um lugar para outro, com o tempo chegaram em Benares e deitaram para descansar em um templo. Era o sétimo dia desde que o rei de Benares morrera. Foi feita proclamação pela cidade através do toque do tambor, que de manhã o carro de festa estaria preparado. Os três camaradas estavam deitados debaixo d'árvore dormindo, quando àurora Pottika acordou e sentando-se começou a massagear os pés de Banian. Alguns galos estavam empoleirados nesta árvore e o galo no topo cagou no galo de baixo ( cf. Jataka 284 em que também acontece esta cena ). “O que é isto que caiu em mim ?” perguntou este galo. “Não fique irado, senhor,” respondeu o outro,”foi sem querer.” “Ah, então você pensa que meu corpo é um lugar para seus dejetos ! Você não conhece minha importância, isto está claro !” A isto o outro disse, “Oh, ainda com raiva apesar d'eu dizer que foi sem querer ! E qual é a sua importância, prego ?” - “Quem quer que me mate e coma minha carne receberá mil peças de dinheiros ainda nesta manhã ! Não é algo de que se orgulhar ?” “Bah,” cotejou o outro, “orgulho de algo tão pequeno como isto ! Pois, se alguém me mata e come minha gordura, tornar-se-á rei ainda nesta manhã; aquele que comer minha carne do meio, torna-se comandante-chefe ; e aquele que comer a carne ao redor dos ossos, será tesoureiro !”
Pottika escutou tudo isto. “Mil dinheiros-” pensou ele, “O que é isto ? Melhor ser rei !” Então mansamente subindo n'árvore, ele pegou o galo que empoleirava-se no topo e o matou e o cozinhou em brasas ; a gordura deu a Banian, a carne do meio para Galho e ele mesmo comeu a carne que estava junto aos ossos. Quando eles já tinham comido, disse, “Banian, Senhor, ho-je serás rei ; Galho, Senhor, serás comandante-chefe ; e quanto a mim, sou o tesoureiro !” eles perguntaram como sabia ; ele contou a eles.

Então ao redor da hora do almoço, entraram na cidade de Benares. Na casa de um certo brahmin eles receberam uma refeição de mingau de arroz com ghee e açúcar ; e depois saindo da cidade entraram no parque real.

Banian deitou em uma laje pedra, os outros dois deitaram do lado dele. Então aconteceu que naquele momento estavam justamente enviando a carruagem cerimonial com os cinco símbolos da realeza nela ( espada, parassol, diadema, sandálias e leque )( os detalhes disto serão dados no Jataka 539 sobre o grande Janaka ; deste carro se fala na postagem anterior : Parasara e o carro dos sentidos ). O carro andando e parando, permaneceu pronto para eles entrarem. “Algum ser de grande mérito deve estar presente aqui !” pensou o capelão consigo mesmo. Ele entrou no parque e espreitou o jovem ; e então removendo a coberta de seus pés examinou as marcas sobre eles. “Pois,” disse ele, “ele está destinado a ser Rei de toda a Índia, que seja apenas de Benares !” e ele ordenou que todos os gongos e címbalos fossem tocados.

Banian despertando retirou a coberta de seu rosto e viu uma multidão reunida ao redor dele ! Ele vira e por um momento ou dois fica deitado ; então levanta e senta com as pernas cruzadas. O capelão dobra um joelho dizendo “Divino ser, o reino é teu !” “Assim seja,” disse o jovem ; o capelão o colocou em cima de uma pilha de pedras preciosas e o ungiu rei.

Assim feito rei, ele deu o posto de Comandante-chefe para seu amigo Galho e entrou na cidade com grande pompa ; e Pottika ( depois deste ponto ele é várias vezes chamado Pottiya ) foi com eles.

Desde dia em dia o Grande Ser legislou retamente em Benares.

Um dia a lembrança de seus pais veio à mente dele ; e dirigindo-se a Galho , ele disse, “Senhor, é impossível viver sem pai e mãe ; tome uma companhia de soldados e vá buscá-los.” Mas Galho se recusou ; “Isto não é problema meu,” disse. Então ele pediu a Pottika para fazer isto. Pottika concordou e indo até os pais de Banian, contou a eles que seu filho tornara-se rei e os pedia que fossem até ele. Mas eles declinaram dizendo que tinham poder e riqueza : tanto que bastava, e não iriam. Ele pediu aos pais de Galho também para ir e eles também preferiram ficar ; e quando convidou seus próprios pais eles disseram, “Vivemos da alfaiataria ; é suficiente, bastante,” e recusaram como o resto.

Como ele falhou em atingir seus objetivos, ele retornou à Benares. Pensando que descansaria da fatiga da viagem na casa do Comandante-chefe antes de ver Banian, ele foi para esta casa. “Diga ao Comandante-chefe,” falou ao porteiro, “que seu camarada Pottika está aqui.” O homem fez isto. Mas Galho havia concebido um rancor contra ele porque, cotejando-o, aquele havia dado a seu camarada Banian o reino ao invés de dar para ele mesmo ; então escutando esta mensagem, cresceu sua raiva. “Camarada realmente ! Quem é camarada ? Um caipira doido mal-nascido ! Pegue-no !” Então bateram nele e o chutaram e o castigaram com pontapés, joelhadas e cotovelas e depois pegando-o pelo pescoço o atiraram para fora.

“Galho,” pensou ele,”ganhou o posto de Comandante-chefe por minha causa e agora é ingrato, malicioso, me bateu e me jogou para fora. Mas Banian é um sábio agradecido e bom e a ele irei.” Então para a porta do rei ele foi e enviou uma mensagem ao rei que Pottika seu camarada estava esperando na porta. O rei pediu que entrasse e quando o viu se aproximar, levantou-se do assento e foi encontrá-lo e saudá-lo com afeição ; fez com que o barbeassem e cuidassem dele e o adornou com todo tipo de ornamento e deu a ele carnes gostosas de todo tipo para comer ; e isto feito, sentou graciosamente do seu lado e o perguntou sobre seus pais, que como o outro o informou se recusaram a vir.

Bem, Galho pensou consigo mesmo, “Pottika vai me insultar aos ouvidos do rei mas s'eu estiver junto ele não será capaz de falar” ; então ele também foi para lá. E Pottika, na presença dele mesmo, falou ao rei dizendo, “Meu senhor, quando eu estava cansado da viagem, fui à casa de Galho, esperando descansar lá e depois visitá-lo. Mas Galho disse, 'Não o conheço !' e me tratou mal e me atirou para fora pelo pescoço ! Podes acreditar nisto !” e com estas palavras ele pronunciou três estrofes de versos :

'Quem é este homem ? Não o conheço ! E o pai dele, quem ?
Quem é este homem ?' assim Sakha disse : - Nigrodha, que pensas tu ?

Então os homens de Sakha com as ordens de Sakha me deram bofetes na face,
E me pegando pelo pescoço me atiraram para fora do lugar.

Que ato de traição tal não faz um homem mau !
Um ingrato é uma vergonha, Ó rei – e ele é teu camarada também.

Escutando isto, Banian recitou quatro estrofes :

Não conheço, nem nunca ouvi falar por ninguém,
Tal mal como este que contas o qual Sakha te fez.

Comigo e Sakha viveste ; éramos ambos teus camaradas ;
Do império sobre a humanidade nos deste a cada um uma parte :
Conseguimos majestade através de ti, e nenhuma dúvida há nisto.

Como quando uma semente é jogada no forno, torrando e não crescendo ;
Torna-se um homem bom em mau, perecendo igual.

O agradecido, bom e virtuoso tais homens não são como eles ;
Semeados em bom solo em atos de homens bons nunca são atirados fora.

Enquanto Banian recitava tais linhas, Galho ficou parado onde estava. Então o rei perguntou a ele, “Bem, Galho, reconheces esse homem Pottika ?” Ele ficou abobalhado. E o rei deu suas ordens sobre o sujeito nestas palavras da oitava estrofe:

Amarrem este traidor sem valor aí, cujos pensamentos são tão maus ;
Empalem-no ! Pois eu o mataria – sua vida é nada para mim !

Mas Pottika, escutando isto, pensou consigo mesmo - “Que este tolo não morra por minha causa !” e pronunciou a nona estrofe :
Grande Rei, tenha misericórdia ! Vida uma vez ida e difícil trazer de volta :
Meu senhor perdoe e deixe-o viver ! Não quero mal ao miserável.

Quando o rei escutou isto, ele perdoou Galho ; e desejava dar o posto de Comandante-chefe para Pottika mas não o faria. Então o rei deu a ele o posto de de Tesoureiro e com ele todo o árbitro das guildas de mercadores. Antes disto tal ofício não havia mas há desde então. E logo Pottika o Tesoureiro Real sendo abençoado com filhos e filhas, pronunciou a última estrofe para aconselhá-los :

Com o Nigrodha deve-se morar ;
Ficar com Sakha não é bom.
Melhor com Nigrodha morrer
Do que com Sakha tomar fôlego.

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Este discurso terminado, o Mestre disse, “Então, Irmãos, vocês vêem que Devadatra foi ingrato antes,” e depois identificou o Jataka : “Naquele tempo, Devadatra era Sakha, Ānanda era Pottika e eu mesmo era Nigrodha.”



segunda-feira, 4 de junho de 2012

[ n. do tr. : Parasara e o carro dos sentidos ]



Parasara e o carro dos sentidos  ( in Plutarco Védico isbn 978-85-906438-0-7 )

Tanto neste jataka 445 quanto no 539 vemos a cena do carro cerimonial que é solto sem auriga, sem motorista, para sozinho percorrer a cidade atrás de um rei apropriado. A cidade toda vae atrás dele uns querendo impedir o caminho e outros liturgicamente abre m a passagem para que vá sem qualquer intervenção humana e siga livremente. Que carro, carruagem, é este ? Somando às referências que unem oriente e ocidente temos em um relato da história de Roma este mesmo carro que anda solto, sozinho, com vida própria : está na 'Vida de Publícola' de Plutarco e teria ocorrido em meados do séc. VI a.C. . Vejamos então estes parágrafos XIII e XIV :
XIII. Fazia então pela segunda vez Tarquinio guerra na Etruria aos romanos e se diz que aconteceu um portento extraordinário. Reinando ainda Tarquinio, tinha já quase concluído o templo de Júpiter Capitolino e fosse por vaticínio que se fez ou por movimento e ditame próprio, encarregou uns artistas tirrenos da cidade de Veyes de fazer uma carroça de barro que havia resolvido colocar no arremate ( do templo ) e ao cabo de pouco tempo perdeu o reino. Puseram os tirrenos a carroça de quatro cavalos já formada para cozinhar no forno e não aconteceu o que era natural acontecesse com a argila, que era ao entrar contrair-se dissipada a umidade mas se dilatou e se tornou oca, tomando tanto volume e tanta consistência que ainda retirada a cobertura do forno e derrubada as paredes, houve dificuldade para tirá-la. Julgaram os adivinhos que aquilo repesesntava um grande prodígio e que anunciava felicidade e autoridade àqueles em cujo poder estivesse a carruagem ; com o que determinaram os veyanos não entregá-la aos romanos, que a pediam e responderam que pertencia a Tarquinio e não aos que o haviam desterrado. Poucos dias depois tinham os veyanos corridas de cavalos e tudo aconteceu como de costume em tais espetáculos ; porém com o carro vencedor aconteceu que assim que o carreteiro saiu coroado do circo, quando espantados os cavalos, sem nenhuma causa conhecida mas por algum impulso superior ou por boa sorte, deram de correr e escapar para Roma, levando o carreteiro. De nada serviu ele puxar as rédeas e mandá-los parar, porque lhe arrebataram ( o carro ), tendo que ceder e sujeitar-se ao ímpeto, até que chegados ao Capitólio, o jogaram em terra junto à porta que agora chamam Ratumena. Maravilhados e temerosos os veyanos com este acontecimento, permitiram que a carruagem ( de barro ) se devolvesse aos artistas.
XIV. Este templo de Júpiter Capitolino foi voto, promessa, de Tarquinio de Demarato que ofereceu dedicar-lhe estando em guerra com os sabinos ; porém o construiu Tarquinio o Soberbo, filho ou neto do que o votou ( Hércules ao lado de Evandro o árcade foi o primeiro a levantar o altar ali : ofereceu um dos bois de Gerião do seu décimo trabalho, o gado do sujeito que tinha três cabeças na então península ibérica ; no caso as três cabeças como no muro Atlântida mesma representam a estratificação social mesma organizada tradicionalmente ) ( Numa também no alto da colina, ele presidente dos áugures, voltando-se para os pontos cardeais examinava o que pronunciava os deuses por meio dos agouros ou prodígios : as aves davam os agouros : faustos / fastos ou nefastos ). Não chegou a dedicar-lhe mas faltou muito pouco para concluir quando Tarquinio foi deposto. Logo que estava acabado e todo adornado, se acendeu em Publícola o desejo de fazer sua dedicação. O viam com inveja muitos dos principais e as demais honras que havia alcançado e pareciam próprias como legislador ( fez boas leis para a plebe ) mas como general não miravam com tanto encômio ; à dedicação tinha como alheio a ele e instavam Horacio para que disputasse com ele a dedicação. Jogada as sortes Publícola perde e deve sair em uma expedição militar indispensável, decretando-se que fosse Horacio o dedicante, subiram com ele ao Capitolio (...) Nos idos pois de setembro na lua cheia congregados todos no Capitolio, Horacio depois de impor silêncio e praticar as demais cerimônias, chegando até as portas, como é costume, pronunciou as palavras estabelecidas para a dedicação ; mas o irmão de Publícola , Marco, que já estava há um tempo também na porta esperando o momento oportuno : “Cónsul, grito ele, teu filho morreu de uma doença no exército.” Causou isto pesar em todos os circunstantes ; porém Horacio, sem alterar-se nem o mínimo e não dizendo outra coisa que “deixes o morto onde quiseres pois não me abandono ao pranto”, concluiu o que restava da dedicação. Não era certa a notícia mas Marco fingiu para distrair a Horacio ; contudo é muito digna de elogio a serenidade do cónsul, seja por se impor rápido ao engano, seja mantendo-se inalterado com tal nova, dando-lhe crédito.
( No parágrafo seguinte, XV, Plutarco fala das várias construções deste mesmo templo que foi destruído nas guerras civis mas reconstruído por Sila e novamente destruído nos tempos de Vitelio tendo feito o terceiro Vespasiano que teve a sorte de o ver concluído ; mas depois de morto logo foi destruído novamente ; reconstruiu Domiciano pela quarta vez com doze mil talentos só no revestimento à ouro ao que é chamado de outro Midas por querer tornar tudo de ouro. )

Dá para ver claramente que o carro é o mesmo que se movimenta sozinho até no crescer da argila. Como entender esta argila ? A resposta está no Mahabharata em diálogo justamente entre o mesmo grande rei Janaka e o sábio Parasara na Santi parva, seção CCXCII :

Parasara disse, “Aquela pessoa que tendo obtido este carro, isto é, seu corpo dotado de mente, segue, curvando com as rédeas do conhecimento os corcéis representados sob os objetos dos sentidos, deve certamente ser vista como possuidora de inteligência. A homenagem ( na forma de devoção e meditação concentrada no Supremo ) por uma pessoa cuja mente é dependente de si mesma e que jogou fora os meios de vida ( contemptus mundi ) é válida de alto louvor, - esta homenagem, nomeadamente, Ó regenerado, é resultado de instruções recebidas por alguém que teve sucesso em transcender os atos e não obtidas da discussão mútua entre as pessoas em mesmo estado de progresso. Tendo obtido o período de vida determinado, Ó rei, com tal dificuldade, não se deve diminuí-lo ( com a indulgência aos sentidos ). Por outro lado deve-se sempre se empenhar, através de atos corretos, para o próprio avanço gradual. ( ... ) Aquela pessoa que, refletindo com sua mente, Ó rei, e certificando a própria habilidade, realiza atos corretos, certamente obtem o que é para seu benefício. Àgua derramada em vaso não cozido gradualmente diminui e finalmente escapa toda. Se guardada, contudo, em um vaso cozido, permanece sem a quantidade diminuir. Do mesmo modo, atos realizados sem reflexão com a ajuda do entendimento não se tornam bons ; enquanto atos feitos com julgamento permanecem sem diminuir de excelência e geram felicidades como resultado. Se em um vaso que contém água, derrama-se mais água, àgua que originalmente estava lá aumenta em quantidade ; do mesmo modo todos os atos feitos com julgamento, sejam equânimes ou não, só somam as estoque de retidão de alguém.”

A metáfora do vaso é ampla dissertando-se sobre o esmalte de fora e o fogo de dentro, afinal, cozido guarda em si um pouco deste fogo do cozimento . Vemos então que o forno é o forno do julgamento interior, do livre arbítrio que decide a todo momento toda a existência e o carro é o corpo mesmo e seus sentidos. O fato de o grande Janaka ser quem escuta as palavras do sábio Parasara reforça a tese. O fogo do julgamento está claramente na dedicação do templo na fala de Horacio.

Finalmente cabe lembrar que a metáfora do vaso cozido aparece nos odres de couro para botar vinho quando em casa de Levi, Mateus, IHS é interrogado sobre o jejum : ele fala também além dos vinhos novos em odres novos, do Noivo que chega provavelmente no carro apropriado e da roupa nova sem remendo. Antes Ele estivera na casa da sogra de Pedro.

O Fedro dialogando com Sócrates do lado de fora de Atenas junto aos templos de Pan e das Ninfas amplia esta imagem da alma como um carro puxado por cavalos com um auriga que segura uma lâmpada, a mente : o amor  é a luz mesma. A tradução de si-mesmo, self, em grego, auto, esclarece por que move-se sozinho o carro. Vyasa e Markandeya no Mahabharata ampliam a imagem que o Fedro de Plato toma emprestado. É clara a transmissão da Tradição nesta questão. Assim como na República com as castas, raças, classes. A ligação, relação, contato, ocidente oriente, é estarrecedora : juntos desde sempre.

O carro que anda sozinho junto com o cavalo vencedor são imagens do ritual do Asvamedha que vemos realizar-se todo ano em Roma antiga : o cavalo de outubro - G. Dumèzil e a escola de religião comparada estabelecem que o ritual indo-europeu existe no ocidente quanto no oriente: unidade clara. O acontecimento na fundação da república mostra que para além de rituais vazios há uma doutrina viva, desde sempre. 




















sábado, 5 de maio de 2012

444 Buddha asceta Dipayana Negro


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444
“Sete dias...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana, sobre um certo irmão relapso. A ocasião será explicada no Jataka 531. Quando o Mestre perguntou se este relato era verdadeiro, ele disse, “Irmão, sábios em dias há muito idos, antes que o Buddha surgisse, mesmo homens que tinham entrado na vida religiosa não ortodoxa, por mais de cinquenta anos, andando em santidade sem se importar com isto, com escrúpulos de uma natureza sensível nunca contou a ninguém que foi relapso ; e por quê você que abraçou uma religião como a nossa que leva à salvação e estando em presença de um venerável Buddha que eu sou, por quê declaraste ser relapso diante dos quatro tipos de discípulos ? Por quê não preservaste teus escrúpulos ?” assim falando, ele contou um conto do mundo antigo.
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Certa vez, no reino de Vamsa, reinava em Kosambi ( no Ganges ) um rei chamado Kosambika. Naquele tempo havia dois brahmins em uma certa vila cada um possuindo oitocentos milhões e amigos caros um para o outro ; que, tendo percebido o engano que descansa na luxúria e distribuindo muitos bens em ofertas doadas, ambos abandonam o mundo e no meio de lamento e choro de muitas pessoas, partiram para o Himalaia e lá construíram um eremitério ( hermitage ). Lá por cinquenta anos viveram como ascetas alimentando-se de frutas e raízes da floresta onde tinham a chance de encontrar e colher ; mas entrar em ênstase eles eram incapazes de atingir. 

Depois que estes cinquenta anos passaram eles saíram em peregrinação através do país para conseguir sal e temperos e chegaram no reino de Kāsi. Em uma certa cidade deste reino vivia um dono de casa chamado Mandavya que tinha sido amigo laico no tempo de estudos do asceta Dipayana ( um dos ascetas). A este Mandavya vieram nossos dois amigos ; que quando os viu, arrebatado, construiu para eles uma cabana de folhas e proviu ambos com as quatro necessidades da vida. Três ou quatro estações eles moraram lá e depois despedindo-se dele foram em peregrinação para Benares, onde viveram em um cemitério cultivado de com árvores atimuttaka. Quando Dipayana já tinha ficado lá tanto o quanto quis, voltou a seu velho companheiro novamente ; Mandavya o outro asceta ( que tinha o mesmo nome do dono de casa ) permaneceu morando no mesmo lugar.

Aconteceu de um dia um ladrão que roubara a cidade retornava do ato cometido com uma quantidade de espólio. O proprietário e o vigias levantaram e gritaram “Ladrão!” e o ladrão, perseguido por estes, escapou pelo esgoto e correndo rapidamente pelo cemitério deixou cair um fardo na porta da cabana de folha do asceta. Quando os proprietários viram o fardo na porta eles gritaram, “Ah, você tratante! Ladrão de noite e de dia anda por ahi disfarçado de asceta !” Então, com tapas e socos, o carregaram para diante do rei.

O rei nem investigou mas disse apenas, “Saiam com ele daqui, empalem-no numa estaca !” Levaram-no para o cemitério e o levantaram numa estaca de madeira de acácia ; mas a estaca não machucaria o corpo do asceta. Então trouxeram uma estaca de árvore nimb mas esta também não o furaria : então uma estaca de ferro e nem esta mesmo furaria seu corpo. O asceta cogitava que ato no passado dele poderia ter causado isto e investigou o passado ; então surgiu nele o conhecimento das existências anteriores e com ele investigando o passado viu o quê tinha feito muito tempo atrás ; e era isto – furou uma mosca com uma lasca de ébano.

É dito que numa existência anterior ele foi filho de um carpinteiro. Uma vez ele foi no lugar onde seu pai estava serrando árvores e com uma lasca de ébano furou uma mosca como se empalando-a. E foi justamente este pecado que ele descobriu quando chegou naquele supremo momento. Ele percebeu que aqui então não havia como ficar livre do pecado ; então disse para os homens do rei, “Se vocês querem me empalar , peguem uma estaca de madeira de ébano.” Isto eles fizeram e o espetaram nela e deixaram um guarda para vigiá-lo e saíram.

Os vigias de um lugar escondido observavam todos que vinham para olhá-lo. Então Dipayana, pensando “Faz tempo desde que vi meu camarada asceta,” saiu para vê-lo ; e tendo escutado que ele estava pendurado por todo o dia empalado do lado da estrada, foi até ele e ficando em um dos lados, perguntou o quê ele tinha feito. “Nada,” cotejou ele. “Guardas rancor de alguém ou não ?” perguntou o outro. “Bom amigo,” disse ele, “nem contra aqueles que me prenderam nem contra o rei e não há qualquer rancor em minha mente.” - Se é assim a sombra de alguém tão virtuoso é um prazer para mim,” e com estas palavras sentou embaixo do lado da estaca. Então sobre seu corpo cae gotas de sangue coagulado do corpo de Mandavya ; e estas enquanto caíam sobre a pele dourada e lá secavam, tornavam-se pontos pretos sobre ele ; que deu a ele o nome de Kanha ou Dipayana Negro dahi em diante. E ele ficou sentado lá a noite toda.

Dia seguinte os vigias foram e contaram o acontecido ao rei. “Agi precipitadamente,” disse o rei ; e rapidamente correu para o lugar e perguntou a Dipayana o quê a fez sentar do lado da estaca. “Grande rei,” respondeu ele, “sento aqui para guardá-lo . Mas diga, o quê ele fez, ou o que deixou de fazer, que o trata assim ?” Ele explicou que o assunto não foi investigado. O outro respondeu, “Grande rei, um rei deve agir com circunspecção ; um leigo preguiçoso que ama o prazer não é bom etc ( cf. Jataka 276 ) e com conselhos tais, discursou para ele.

Quando o rei descobriu que Mandavya era inocente, ordenou que a estaca fosse retirada. Mas apesar de tentarem, não saiu. Disse Mandavya, “Senhor, recebi esta desgraça medonha devido a uma falta que aconteceu a muitos anos atrás e é impossível retirar a estaca do meu corpo. Mas se queres poupar a minha vida, traga um serrote e corte dela o pedaço de fora da pele.” Então o rei ordenou que se fizesse isto ; e a parte da estaca de dentro do corpo ficou lá. Pois naquela ocasião prévia dizem que ele pegou um pequeno pedaço de diamante e furou o duto da mosca, de modo que ela não morreu então não até o próprio fim de sua vida ; e dahi também o homem não morreu, dizem.

O rei saudou estes ascetas e suplicou por perdão ; e estabelecendo os dois em seu parque, cuidava deles lá. E a partir deste tempo Mandavya foi chamado Mandavya com a Estaca. E ele viveu neste lugar próximo ao rei ; e Dipayana após curar a ferida de seu amigo asceta voltou para seu amigo Mandavya o dono de casa. Quando eles o viram entrar na cabana de folhas, contaram para seu amigo. Quando ele escutou, ficou feliz ; e com a esposa e criança, pegando abundantes incensos, guirlandas, óleo, e açúcar e coisas semelhantes, foi até a cabana de follhas; saudando Dipayana , lavando e ungindo seus pés e dando a ele de beber, sentou escutando a história de Mandavya da Estaca. Seu filho então, um jovem chamado Yañña-datra, estava jogando com uma bola no fim do caminho coberto. Lá uma serpente vivia em um cupinzeiro A bola do moleque, jogada no chão, rolou por um buraco para dentro do cupinzeiro e caiu em cima da cobra. Sem saber disto, o menino colocou sua mão dentro do buraco. A cobra enraivecida picou a mão dele que caiu desmaiado devido à força do veneno da serpente. Por isto seus pais, encontrando seu filho picado de cobra, o levantaram e levaram para o asceta ; deitando-o aos pés do asceta, eles disseram, “Senhor, pessoas religiosas conhecem amostras e encantos ; por favor cure nosso filho.” - “Não conheço amostras ; e não exerço a medicina.” - “És um homem de religião. Tenha piedade, portanto, Senhor, deste menino e faça o Ato da Verdade.” “Bom,” disse o asceta, “um Ato da Verdade farei.” E colocando as mãos na cabeça de Yañña-datra, ele recitou a primeira estrofe :-

Sete dias sereno no coração
Puro vivi, desejando mérito
Desde então, por cinquenta anos apartado,
Auto-absorvido,declaro,
Aqui, relutante, vivo :
Possa esta verdade produzir uma benção :
Veneno rejeitado, o rapaz reviva !

Logo que feito este Ato de Verdade, para fora do peito de Yañña-datra saiu o veneno e mergulhou no solo. O rapaz abriu os olhos e com um olhar para seus pais, gritou, “Mãe !” e então virou e deitou quieto. Então Dipayana Negro disse para o pai,”Veja, usei o meu poder ; agora é sua tua vez de usar o teu.” Ele respondeu, “Então farei um Ato de Verdade” ; e colocando a mão no peito de seu filho, ele repetiu a segunda estrofe :

Se não ligava a mínima para presentes,
Entretendo todos que eventualmente se apresentavam
Ainda assim o sábio e bom não sabia
Estava meu verdadeiro self restringindo ;
Se relutante dou,
Possa esta verdade uma benção produzir,
Veneno rejeitado, o rapaz reviva !

Após a realização deste Ato de Verdade, para fora de suas costas saiu o veneno e afundou no chão. O rapaz sentou mas não conseguia ficar de pé. Então o pai disse para a mãe, “Senhora, usei o meu poder ; agora é contigo através de um ato de Verdade fazer nosso filho levantar e andar.” Ela disse, “Eu também tenho uma Verdade para falar mas na tua presença não posso falar.” “Senhora,” cotejou ele, “por qualquer e todos os meios faça meu filho inteiro.” Ela respondeu, “Muito bem,” e seu Ato da Verdade é dado na terceira estrofe :

A serpente que te picou ho-je
Naquele buraco, meu filho,
E este teu pai, são, digo,
Em minha indiferença, um :
Possa esta Verdade produzir benção :
Veneno rejeitado, o rapaz reviva !

Logo que feito este Ato de Verdade, então todo o veneno caiu e afundou no chão ; e Yañña-datra levantando-se com todo o corpo purgado do veneno, começou a brincar. Quando o filho tinha deste modo se levantado, Mandavya perguntou o que estava na mente de Dipayana com a quarta estrofe :

Deixam o mundo aqueles que são serenos, contidos,
A não ser Kanha, todos em ânimo nenhum relutante ;
O que te faz recolher, Dipayana, e por quê
Relutante andas no caminho da santidade ?

Para responder isto, o outro repetiu a quinta estrofe :

Deixar o mundo e depois novamente retornar ;
'Um idiota, um tolo !' pode assim se pensar :-
É isto que me faz recolher,
Assim ando santamente, apesar de desejo faltar,
A causa porque faço o bem é esta -
Louvada pelo sábio é a moradia da boa pessoa.
[ n. do tr. : ou neste último verso : 'Religião é o louvor do que é sábio e bom'. Recolher aqui no sentido de recollection, recolhimento. ]

Tendo assim explicado seu próprio pensamento, ele questionou Mandavya ainda novamente na sexta estrofe :

Esta tua casa era como um bar,
Comida e bebida armazenadas em suprimentos :
Sábios, viajantes, brahmins aqui
Sede e fome satisfazendo.
Temes algum escândalo, ainda
Dando apesar de contra tua vontade ?

Então Mandavya explicou seus pensamentos com a sétima estrofe :

Pai e avô foram santos,
Senhores de ofertas, ainda mais livres em dar ;
E eu sigo com todo cuidado
Nosso jeito ancestral de viver ;
Para não ser degenerado
Dou presentes relutantemente.

Após dizer isto, Mandavya, perguntou sua esposa uma questão nas palavras da oitava estrofe :

Quando uma jovem mulher, sem sentidos desenvolvidos,
Te trouxe da tua casa para ser minha esposa,
Tu não me disseste de tua indiferença,
Como sem amor viveste toda tua vida
E por quê, ó senhora de belos membros, ficaste
E viveste comigo deste jeito sem amor ?

E ela respondeu a ele repetindo a nona estrofe :

Não é costume nesta família
Uma esposa casada arranjar um novo companheiro,
Nem nunca será ; e este costume eu
Manterei, para não ser chamada degenerada.
Foi o medo de tal relato que me fez ficar
E viver contigo deste jeito sem amor.

Mas quando isto foi dito, um pensamento passou pela mente dela - “Meu segredo foi contado a meu marido, o segredo nunca contado antes ! Ele ficará irado comigo ; suplicarei perdão na presença deste asceta, nosso confessor.” E ele repetiu a décima estrofe :

Agora que falei o que não devia ser dito :
Pelo bem de nosso filho possa isto ser perdoado.
Nada há mais forte aqui que o amor dos pais ;
Nosso Yañña-datra vive, aquele que estava morto !

“ Levante-se senhora,” disse Mandavya, “te perdoo. De agora em diante não me trate mal ; nunca te magoarei.” E o Bodhisatva disse dirigindo-se a Mandavya, “Em acumular ganhos mal obtidos e em desacreditar que quando você dava liberalmente, o ato é a semente que traz fruto, nisto agiste errado. No futuro acredite no mérito dos presentes, das ofertas, e dê-lhos.” O outro prometeu isto e por sua vez disse ao Bodhistva, “Senhor, tu mesmo erraste em aceitar nossos dons enquanto andando no caminho da santidade contra tua vontade. Agora de modo a que teus atos possam produzir frutos abundantes, no futuro andes em santidade com coração tranquilo e puro, cheio de alegria enstática.” Então ele despediu-se do Grande Ser e partiu.

Daquele momento em diante a esposa passou a amar o marido ; Mandavya com coração tranquilo deu presentes com fé ; o Bodhisatva, largando a relutância, cultivou a Faculdade enstática e tornou-se destinado ao céu de Brahma.

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Este discurso terminado, o Mestre declarou as Verdades : (agora na conclusão das Verdades o relapso foi estabelecido no fruto do Primeiro Caminho : ) e identificou o Jataka : - “Naquele tempo Ananda era Mandavya, Visakha a esposa, Rahula o filho, Sariputra era Mandavya da Estaca e eu mesmo era o Dipayana Negro.”

 [ a história de Mandavya da estaca encontra-se no Mahabharata, Adi parva, seção CVII : o excesso de rigor com a punição ao rishi por ter matado a mosca resulta em maldição ao deus da justiça, dharma, que por isto, por este excesso, nasce servo, filho da empregada, no caso de  Vyasa, Krishna Dwaipayana, com a empregada apsara do rio Sayavati, nasce portanto Vidura que vimos há pouco em jataka anterior, irmão de Pandu e de Dhritarastra, personagens centrais do Mahabharata.  ] 



sábado, 14 de abril de 2012

443 Buddha e Sammillabhasini


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                       Pintura de Ajanta, Índia 

443
“Se alguém pega ...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana, sobre um homem irascível. Este homem, após tornar-se asceta, seguindo a doutrina que leva a salvação com todas as suas bençãos, foi incapaz de controlar sua paixão : exaltado ele era, cheio de ressentimento ; pouco dito e ele se irava, lançava-se numa paixão, era amargo e obstinado. O Mestre escutando sobre o comportamento irascível dele, mandou chamá-lo e perguntou se era verdade os rumores sobre a violência dele. “Sim, Senhor,” , respondeu o homem. “Irmão,” o Mestre disse, “paixão deve ser restringida ; tal mal feito não tem lugar aqui neste mundo nem no próximo. Por quê tu, depois de abraçar a salvação do Supremo Buddha, que não conhece paixão, mostra-te violento ? Sábios antigos, mesmo aqueles que abraçaram uma religião como a nossa, refrearam a raiva.” E ele contou um conto do mundo antigo. ( Cf. Jataka 328 e 458 que contam a história deste mesmo casal sendo o nome da mulher Sammillabhasini, olhos largos ).

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), havia em uma certa vila de Kasi um brahmin rico, próspero e de grandes posses mas era sem filhos ; e a esposa dele desejava um filho. Naquele tempo o Bodhisatva, descendo do mundo de Brahma, foi concebido no útero daquela senhora ; e no dia do seu batismo deram a ele o nome de Bodhi-kumara ou sábio. Quando atingiu a idade foi para Takkasilā ( Taxila ), onde estou todas as ciências ; e depois que voltou para casa, muito contra sua vontade, seus pais acharam uma donzela para esposa de uma família da mesma casta. Ela também desceu para este mundo vindo do mundo de Brahma e era de beleza extraordinária, como uma ninfa. Estes dois se casaram apesar de nenhum dos dois o desejarem. Nunca nenhum deles cometeu pecado e no caminho da paixão o máximo era olhar para o outro ; nunca nem na cama eles fizeram o ato de reprodução, tão puros eram.
Então aconteceu que logo, quando os pais morreram, e ele decentemente dispôs de seus corpos, o Grande Ser chamando sua esposa, disse a ela, “Bem, senhora, pegue esta fortuna de oitocentos milhões e viva feliz.” - “Eu não, tu, nobre senhor.” Ele disse, “Não quero riqueza nenhuma ; irei para a região do Himalaia e me tornarei recluso e lá encontrarei refúgio.” - “Bem, nobre senhor, são só os homens que devem viver vida ascética ?” “Não,” disse ele, “mas as mulheres também.” “Então não vou pegar aquilo que você vomitou da sua boca ; pois não quero riqueza como você e eu, como você, viverei como reclusa.”
“Muito bom, senhora,” disse ele. E ambos juntos distribuíram uma grande quantidade de esmolas, ofertas ; e se arranjando eles fizeram um eremitério ( hermitage ) num lugar agradável. Lá vivendo dos frutos selvagens que pudessem catar, moraram por dez anos inteiros, e ainda assim não atingiram ao ênstase santo.
E depois de viverem vida ascética lá felizes por dez anos, eles atravessaram o campo para arranjar sal e temperos e no tempo devido chegaram a Benares, onde foram residir no parque real.
Bem, um dia o rei, espreitando o guardião do parque que vinha com um presente nas mãos, disse, “Coloque o parque em ordem, vamos nos divertir nele” ; e quando o parque estava limpo e pronto, ele entrou com um grande séquito. Naquele momento aqueles dois estavam sentados em um certo canto do parque passando o tempo na benção da vida religiosa. E o rei ao atravessar o parque, percebeu-os sentados lá ; e quando seus olhos caíram na amável e muito bela senhora, ficou apaixonado. Tremendo de desejo, decidiu perguntar o que ela era do asceta ; e assim se aproximando do Bodhisatva, perguntou a ele. “Grande rei,” o outro respondeu, “ela não é nada para mim ; ela apenas partilha minha vida religiosa mas quando eu vivia no mundo ela era minha esposa.” Escutando isto o rei pensou consigo, “Então ele diz que ela é nada para ele mas na vida mundana era sua esposa. Bem, s'eu pego ela com o poder de minha soberania o quê ele fará ? Vou pegá-la portanto.” E assim se aproximando ele falou a primeira estrofe :

Se alguém pega a dama de olhos largos e a leva para longe de ti,
A amada que senta lá sorrindo, brahmin, o quê tu farias ?

Em resposta a esta questão, o Grande Ser repetiu a segunda estrofe :

Uma vez levantada, nunca me deixaria por minha longa vida, não, nunca :
Como uma tempestade de chuva assenta a poeira novamente,
[ esfrie enquanto ainda é pouca.

Assim o Grande Ser respondeu, alto como um rugido de leão. Mas o rei, apesar de ter escutado, era ainda incapaz por tolice cega de dominar seu coração enamorado e deu ordens a um do seu séquito, “para levar a dama para o palácio.” O cortesão, obediente, a levou, apesar dos reclames dela e dos gritos que a injustiça e o erro eram os caminhos do mundo. O Bodhisatva, que escutou seus gritos, olhou uma vez mas depois não olhou mais. Assim chorando e se lamentando ela foi levada para o palácio.
E o Rei de Benares não ficou no parque mas rapidamente retornou para dentro de casa e mandando chamar a mulher fez grande honra a ela. E ela falou da desvalia de tal honra e do valor único da vida solitária. O rei, descobrindo que de nenhum jeito conseguiria mudar a mente dela, a fez ser colocada em um quarto separado e começou a pensar, “Aqui está uma mulher asceta que não dá valor a toda esta honra e um eremita lá que nunca nem jogou um olhar irado mesmo quando um homem leva uma dama tão bela ! Profunda é a astúcia dos anchoritas ; ele tramará uma revolta sem dúvida e tentará me atingir. Bem, voltarei até ele e descobrirei porque ele fica sentado lá.” E assim incapaz de ficar quieto, ele foi para o parque.
O Bodhisatva sentava costurando seu hábito. O rei, quase só, alcançou-o sem fazer barulho, maciamente. Sem nem olhar para o rei, o outro continuou a coser. “Este sujeito,” pensou o rei, “não falará comigo porque está irado. Este asceta, tratante como é, primeiro ruge, 'Não deixarei a raiva levantar-se mas se ela o fizer a esmagarei enquanto ainda é pequena,' e então estando tão obstinado de cólera não falará comigo !” com esta ideia o rei repetiu a terceira estrofe :

Tu que esbravejaste alto há pouco,
E agora débil de tanta raiva sentas e cerzes !

Quando o Grande Ser escutou isto, ele percebeu que o rei pensava estar ele em silêncio devido à ira ; e desejoso de mostrar que não estava sob a influência da cólera, repetiu a quarta estrofe :

Uma vez levantada, nunca me deixaria por minha longa vida, não, nunca :
Como uma tempestade de chuva assenta a poeira novamente,
[ esfrio enquanto ainda é pouca.

Escutando estas palavras, o rei pensou, “É da raiva que ele fala ou de outra coisa ?” Vou perguntar a ele.” E ele perguntou, repetindo a quinta estrofe :

O quê, nunca te deixaria por tua longa vida, não, nunca ?
Como uma tempestade de chuva assenta a poeira novamente,
[ o quê você esfria enquanto ainda é pouca ?

Disse o outro, “Grande rei, assim raiva traz muita desgraça, e muita ruína ; ela apenas começa dentro de mim mas cultivando sentimentos gentis eu a esfrio,” e então ele repetiu as estrofes seguintes declarando a desgraça da ira :

Aquilo sem a qual uma pessoa vê claramente, com a qual vai cegamente para frente,
Levantou-se dentro de mim mas não foi deixada livre – raiva, tolamente alimentada.

O quê causa satisfação em nossos inimigos,
[ que desejam trazer desgraça sobre nossas cabeças,
Levantou-se dentro de mim mas não foi deixada livre – ira, tolamente alimentada.

Aquilo que se se levanta dentro de nós cega a todos ao nosso bem espiritual,
Levantou-se dentro de mim mas não foi deixada livre – cólera, alimentada de tolice.

Aquilo que, supremo, destrói cada grande benção,
Que faz seus bobos abandonarem toda coisa valiosa,
Poderosa, destrutiva, com sua multidão de medos, -
Ira – recusa-se a me deixar, Ó grande rei !

O fogo se levantará mais alto se o combustível for mexido e virado ;
E porque o fogo se levanta, o combustível ele mesmo queima.

E assim na mente do tolo, a pessoa que não pode discernir,
De uma altercação surge a raiva e com ela se queimará.

Aquele cuja cólera cresce como fogo com combustível e grama que queima,
Qual a lua na quinzena escura, assim sua honra míngua e decae.

Aquele que aquieta sua raiva, como fogo que combustível não tem nenhum,
Qual a lua na quinzena luminosa, sua honra cresce muito bem.

Quando o rei acabou de escutar o discurso do Grande Ser, ele ficou contente e mandou um dos seus cortesãos trazer a mulher de volta ; e convidou o recluso sem paixão a permanecer com ela no parque gozando da vida solitária e prometeu cuidar e protegê-los como devia. Então pedindo perdão, ele polidamente partiu. E os dois moraram lá. Logo a mulher morreu e após a morte dela, o homem retornou para o Himalaias e cultivando as Faculdades e as Consecuções e fazendo com que as Excelências brotassem dentro dele, tornou-se destinado ao céu de Brahma.

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Quando o Mestre terminou seu discurso, ele declarou as Verdades e identificou o Jataka ; ( na conclusão das Verdades o Irmão apaixonado tornou-se estabelecido na fruição do Terceiro caminho :) - “Naquele tempo a mãe de Rahula era a dama asceta, Ananda era o rei e eu mesmo era o asceta.”



sábado, 7 de abril de 2012

441 Ajanta : Irandati, Purnaka e Vidhura



Na pintura de cima o jogo de dados com o rei a esquerda e a conversa no reino Naga à direita : reparem no cavalo em baixo dos dois lados. Embaixo Irandati. 'No meio do quadrinho tinha uma pedra , tinha uma pedra no meio do quadrinho. Caminho do meio'.