sábado, 12 de dezembro de 2009

387 Buddha Ferreiro jovem


                Mah'Osadha à direita em pintura de Ajanta, Índia


387
“Rápida de enfiar,”, etc. – O Mestre contou esta história enquanto em Jetavana, relativo à perfeição da sabedoria. A ocasião da história será dada no MahaUmmagga,
[ jātaka 546 história de Mahosadha e Amarā, sabedoria justamente deste casal, que já estamos contando aos poucos em várias contas]. O Mestre dirigiu-se aos Irmãos, “Esta não é a primeira vez que o Tathāgata é sábio e hábil em artifícios,” e então contou um conto(a) antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu no reino de Kāsi numa família de ferreiro, e quando cresceu tornou-se excelente em sua arte. Seus pais eram pobres. Havia outra vila de ferreiros com mil casas perto da deles. O ferreiro principal dos mil era favorito do rei, rico com grandes posses. Sua filha era extremamente bela, como uma ninfa celeste, com todas as marcas auspiciosas de uma mulher da terra. Pessoas vinham das cidades ao redor para comprar tesouras, machados, arados e aguilhões feitos, e geralmente viam esta moça. Quando voltavam para suas vilas, louvavam a beleza dela nos lugares em que os homens se juntavam ou em outro lugar qualquer. O Bodhisatva, sendo atraído só de escutar falar dela, pensou, “Farei dela minha esposa” : e então pegou ferro do melhor tipo e fez uma agulha forte delicada que atravessava tocos e boiava na água: então ele fez um revestimento para ela do mesmo jeito e atravessava madeira com ele : e do mesmo modo fez sete revestimentos : como foram feitos não deve ser dito pois tais trabalhos prosperam pela grandeza do conhecimento do Boddhisatva . Então ele colocou a agulha num tubo e o colocou numa caixa indo para aquela cidade e perguntando na rua onde era a casa do ferreiro-chefe : então parado na porta ele disse, “Quem comprará por dinheiro na minha mão uma agulha deste tipo?” descrevendo a agulha, e assim de pé na porta da casa do ferreiro-chefe falou a primeira estrofe:-

Rápida de enfiar, macia e lisa
Polida com esmeril,
Ponta afiada e delicada,
Agulhas! Quem quer comprar ?

Depois disto novamente louvou as agulhas falando a segunda estrofe:-

Rápida de enfiar, forte e lisa,
Arredondada propriamente,
No ferro penetrarão,
Agulhas ! Quem quer comprar ?

Naquele momento a moça abanava o pai com folha de palmeira ele deitado numa cama pequena para diminuir o desconforto depois do café da manhã , e escutando a doce voz do Bodhisatva, como se ela estivesse tivesse sido atiçada por um pedaço de carne assada, tivesse o desconforto extinto por mil potes de água, ela disse, “Quem está apregoando [to hawk] agulhas com voz doce em vila de ferreiros ? Veio com qual propósito ? Descobrirei” : então largando a folha de palmeira saiu e falou com o de fora, parada na varanda. O propósito do Bodhisatva prospera : foi por causa dela que veio à vila. Ela falando com ele disse, “Jovem senhor, moradores de todo o reino vêm a esta vila por agulhas e semelhantes : é tolice vender agulhas em vila de ferreiros; apesar de louvardes tua agulha todo o dia ninguém vai tirá-la de tua mão; se queres vender vá a outra vila” : assim falou duas estrofes:-

Nossos ganchos são vendidos, para baixo e para cima,
As pessoas conhecem bem nossas agulhas:
Somos todos ferreiros nesta boa cidade:
Agulhas! Quem poderá vender?

Em trabalho em ferro temos renome,
Em armas somos excelentes:
Somos todos ferreiros nesta boa cidade:
Agulhas! Quem poderá vender?

O Bodhisatva escutando as palavras dela disse, “Senhora, falas sem saber e ignorando” : e falou duas estrofes:-

Apesar de todos serem ferreiros nesta boa cidade,
Ainda assim habilidade pode vender agulhas;
Para mestres na arte obterem
Um artigo de primeira linha.

Senhora, se apenas teu pai soubesse
Desta agulha feita por mim ;
Tua mão à minha ele daria
E toda tua propriedade.

O ferreiro chefe escutando a conversa chamou a filha e perguntou, “Com quem estais falando?” “Pai, um homem vendendo agulhas.” “Chame-o aqui.” Ela foi e o chamou. O Bodhisatva saudou o ferreiro-chefe e ficou de pé. O ferreiro-chefe perguntou, “De que vila és?” “Sou de tal vila e filho de tal ferreiro.” “Por quê vieste aqui ?” “Para vender agulhas.” “Venha, vamos ver tua agulha.” O Bodhisatva, desejando mostrar suas qualidades para todos, disse, “Não é um coisa vista entre todos melhor que vista singularmente por cada um?” “Certo, amigo.” Então juntando todos os ferreiros no meio deles disse, “senhor, pegue a agulha.” “Mestre, traga uma bigorna e um prato de bronze cheio d’água.” Isto foi feito. O Bodhisatva pegou o tubo da agulha na caixa e deu a eles. O ferreiro pegando perguntou, “É esta a agulha?” “Não, esta não é a agulha, isto é o invólucro.” Ele examinando não viu nem cabeça nem rabo. O Bodhisatva, pegando dele, tirou o invólucro com a unha e mostrando para o povo com “Isto é a agulha, isto o invólucro,” ele colocou a agulha na mão do mestre e o invólucro nos seus pés. Novamente quando o mestre disse, “Isto é a agulha, suponho,” ele respondeu, “Isto também é um invólucro de agulha” : então ele abre com a unha, e assim deposita seis invólucros em sucessão aos pés do ferreiro-chefe, e dizendo “Aqui está a agulha,” deixou-a na mão dele. Os mil ferreiros estalaram os dedos deliciados, e começou o agitar das roupas; então o ferreiro-chefe perguntou, “Amigo, qual a força desta agulha ?” “Mestre, faça uma pessoa forte levantar esta bigorna e coloque o vaso de água debaixo da bigorna : depois bata a agulha direto na bigorna. A agulha [ o tr. alerta para a estranheza do nome da agulha: adhikaranim ] a agulha atravessando a bigorna descansou na superfície da água sem mexer-se uma espessura de cabelo para cima ou para baixo. Todos os ferreiros disseram, “Nunca escutamos nem por rumores que haviam ferreiros tais:” e estalaram os dedos e balançaram milhares de roupas. O ferreiro-chefe chamou sua filha e no meio da assembléia disse, “Esta moça é um par ideal para você,” derramou água neles e ela foi concedida. E depois quando o ferreiro-chefe morreu o Bodhisatva tornou-se o ferreiro-chefe da vila.
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Depois da lição, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka: “A filha do ferreiro era a mãe de Rāhula, o jovem inteligente ferreiro era eu mesmo.”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

386 Buddha Sakra


386
“Bodes são estúpidos...etc.” - O Mestre contou esta história em Jetavana, relativa à tentação de um Irmão pela antiga esposa. Quando o Irmão confessou que anelava ao mundo, o Mestre disse, “Irmão, esta mulher te faz mal : antes também entraste no fogo por causa dela e foste salvo da morte por sábios,” e assim ele contou um conto antigo.
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Certa vez quando um rei chamado Senaka reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era Sakra. O rei Senaka estava amigo de um certo rei-nāga. Este rei-nāga, dizem, deixou o mundo-nāga e vagava pela terra buscando comida. Os meninos da vila vendo disseram, “Isto é uma cobra,” e nele bateram com paus e outras coisas. O rei, indo passear no parque, os viu, e sendo informado que batiam numa cobra, disse, “Não deixem que batam, afastem-nos” ; e isto foi feito. Então o rei-nāga ficou com sua vida e quando voltou ao mundo-nāga, tomou muitas jóias, e vindo à meia-noite à câmara real deu-lhas ao rei dizendo, “Tenho minha vida por sua causa” : e fez amizade com o rei e vinha sempre visitá-lo. Indicou uma de suas garotas nāga, insaciável de prazeres, para ficar perto do rei e protegê-lo : e deu ao rei um encanto dizendo, “Se em algum momento não a ver, repita este encanto.” Um dia o rei foi ao jardim com a garota nāga e divertia-se no tanque de lótus. A garota nāga vendo um cobra-d’água, larga sua forma humana e faz amor com ele. O rei não vendo a garota diz, “Onde ela foi?” e repetiu o encantamento : então a viu prevaricando e nela bateu com um bambu. Ela foi irada para o mundo-nāga, e quando questionada, “Por quê veio ?” ela disse, “Seu amigo me bateu nas costas porque não fiz o que ele ordenou,” mostrando a marca do golpe. O rei-nāga, sem saber a verdade, chamou quatro jovens nāgas e os enviou com ordens de entrar na câmara do rei e destruí-lo como palha com o sopro das narinas. Eles entraram na câmara na hora do sono real. Quando entravam o rei dizia à rainha: “Senhora, sabes para onde foi a garota-nāga?” “Rei, não sei.” “Ho-je quando nos banhávamos no tanque, ela largou a forma humana e transava com um cobra-d’água : eu disse, ‘não faça isto,’ e bati nela com um bambu como lição : e agora temo que tenha ido ao mundo-nāga e contado alguma mentira ao meu amigo, destruindo a boa-vontade dele para comigo.” Os jovens nāgas escutando isto voltaram para o mundo-nāga e contaram ao rei. Ele, mexido, foi instantaneamente ao quarto do rei, e contou-lhe tudo e foi perdoado : “Deste modo me corregirei,” e deu ao rei um encanto que fazia conhecer todos os sons : “Isto, Ó rei, é um encanto sem preço : se der para alguém este encanto entrarás imediatamente no fogo e morrerás.” O rei disse, “’Tá bem,” e aceitou. A partir daquele momento entendia a voz mesmo das formigas. Um dia sentado no tablado comendo comida sólida com mel e melado deixou cair uma gota de cada, e um pedaço de bolo, no chão. Uma formiga vendo veio gritando, “O pote de mel do rei quebrou no tablado, e o de melado e o de bolo ; venham e comam mel melado e bolo.” O rei escutando o grito riu. A rainha estando perto dele pensou, “O quê o rei viu que faz rir?” Quando o rei já tinha comido sua comida sólida e banhado-se e sentava de perna cruzada, um ‘mosco’ disse para sua esposa mosca, “Venha, senhora, vamos gozar o amor.” Ela disse, “Desculpe por um instante, marido : logo trarão perfumes para o rei; enquanto ele se perfuma algum pó cai a seus pés : estarei lá e me tornarei fragrante, então gozaremos um ao outro deitados nas costas do rei.” O rei escutando a voz riu novamente. A rainha pensou novamente, “O quê ele viu que o faz rir?” Novamente quando o rei estava tomando sopa, um pouco de arroz caiu no chão. As formigas gritaram, “Um ‘caminhão’ de arroz quebrou no palácio do rei, e não há ninguém para comê-lo.” O rei escutando isto riu novamente. A rainha então pegou uma colher dourada e refletindo-se nela, “É me olhando que o rei ri ?” E foram para o quarto de dormir e na cama ela perguntou, “Por quê você ri, Ó rei?” Ele disse, “O quê você tem a ver com o meu riso ?” mas sendo questionado mais e mais contou a ela. Então ela disse, “Dê-me seu encanto de saber.” Ele disse, “Não posso te dar” : mas apesar de repelida ela ainda o pressionava.

O rei disse, “Se eu te der este encanto, eu morro.” “Mesmo que você morra, me dê.” O rei, estando em poder das mulheres, disse, “’Tá bem,” consentiu e foi para o parque numa carruagem, dizendo, “Devo entrar no fogo depois de passar este encanto.” Naquele momento, Sakra, rei dos deuses, olhando a terra em baixo, e vendo este caso disse, “Este rei tolo, sabendo que entrará no fogo por causa das mulheres, segue seu caminho ; lhe darei a vida” : então chamou Sujā, filha dos Asuras, e foi para Benares. Ele se tornou um bode e fez ela cabra, e decidindo que as pessoas não deveriam vê-los, permaneceram diante da carruagem do rei. O rei e os asnos Sindh que puxaram o carro os viram, mas ninguém mais os viram. Para começar conversa ele ficou como que fazendo amor com a cabra. Um dos asnos Sindh amarrado a carruagem vendo disse, “Amigo bode, já escutamos antes mas não tínhamos visto, que bodes eram estúpidos e sem vergonhas : mas estão fazendo, com todos nós olhando, isto que deve ser feito em segredo e em lugar privado, e não está envergonhado : o quê escutamos antes concorda com o quê vemos:” e falou a primeira estrofe:

‘Bodes são estúpidos’, diz o sábio, e verdadeiras certamente são as palavras:
Este aí não sabe que está badalando o quê devia ser um segredo.

O bode escutando-o falou duas estrofes:

Ó, senhor burro, pense e perceba sua própria estupidez,
Estais amarrado com cordas, sua mandíbula freada, e seu olhar bem direcionado.

Quando estais solto, não escapas, Senhor, este é um hábito estúpido também:
E aquele Senaka que carregas, é ainda mais estúpido que você.

O rei entendendo a fala de ambos os animais, e escutando-a rapidamente aproximou a carruagem. O asno escutando a fala do bode falou a quarta estrofe:

Bem, Senhor rei das cabras, sabes inteiramente da minha grande estupidez:
Mas por quê Senaka é estúpido, por favor explique.

O bode explicando falou a quinta estrofe:

Aquele que seu próprio tesouro especial sobre a esposa jogará fora,
Não pode mantê-la fiel e à sua vida deve trair.

O rei escutando estas palavras disse, “Rei das cabras, tu certamente agirás em meu benefício : diga-me o que é certo fazer.” Então o bode disse, “Rei, para todos os animais nada é mais querido que si mesmo : não é bom destruir-se e abandonar toda a honra ganha em troca de qualquer outra coisa querida” : e falou a sexta estrofe:-

Um rei, como tu, concebeu desejo
E ainda assim renuncia a ele ao custo da vida:
Vida é a coisa primeira : o quê as pessoas podem buscar de mais alto?
Se a vida está assegurada, desejos não necessitam travessia.

Assim o Bodhisatva exortou o rei. O rei, deliciado, perguntou, “Rei dos bodes, de onde vens?” “Sou Sakra, Ó rei, vim para salvá-lo da morte com dó de ti.” “Rei dos deuses, prometi dar a ela o encanto : que faço agora ?” “Não há razão para a ruína de
vocês dois : você diz, ‘É o caminho do ofício,’ e dê uns tapas nela : deste jeito ela não terá.” O rei disse, “’Tá bem,” e concordou. O Bodhisatva depois de exortar o rei foi para o céu de Sakra. O rei foi para o jardim chamou a rainha e disse, “Senhora, terás o encanto ?” “Sim, senhor.” “Então vamos pelo costume usual.” “Que costume?” “Cem chicotadas nas costas mas não podes emitir um som.” Ela consentiu pela cobiça do encantamento. O rei mandou escravos baterem nela dos dois lados. Ela agüentou duas ou três chibatadas e gritou, “Não quero o encanto.” O rei disse, “Você me teria matado para ter o encanto,” e tendo açoitado a pele das costas dela a mandou embora. Depois disto ela nem conseguiu mais falar do assunto de novo.
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Ao final da lição o Mestre declarou as Verdades, e identificou o Jātaka:- ao final das Verdades, o Irmão foi estabelecido no Primeiro Caminho :- “Naquele tempo o rei era o irmão descontente, a rainha sua antiga esposa, o asno Sāriputra, e Sakra era eu mesmo.”




sábado, 5 de dezembro de 2009

385 Buddha Cervo


385
“Irás ao Parque do Rei...etc.” - O Mestre contou esta história em Jetavana sobre um Irmão que amparava pai e mãe. Ele perguntou o Irmão, “É verdade que amparas leigos?” “Sim, senhor.” “Quem são eles?” “Meu pai e minha mãe, senhor.” “Muito bem, muito bem, Irmão : guardas a regra de sábios antigos pois eles também quando natos bestas, deram a vida pelos pais,” e contou um conto antigo.
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Certa vez quando o rei Kosala reinava entre os Kosalas em Sāketa (Oudh), o Bodhisatva nasceu como cervo; quando cresceu foi chamado Nandiyamiga e sendo excelente em caráter e conduta amparava pai e mãe. O rei de Kosala gostava de caçar e saía todo dia para caçar com uma grande escolta, de modo que o povo não conseguia continuar a plantar e comerciar. O povo se uniu e em consulta disse, “Senhores, este rei nosso está destruindo o comércio e nosso modo de viver ; e se cercássemos o parque Añjanavana, colocássemos um portão, cavássemos um poço e gramasse e então indo até a floresta com paus e bastões nas mãos, batéssemos nas árvores e enxotássemos os cervos e os dirigíssemos à força para o parque como gado numa fazenda ? Então poderíamos fechar os portões, avisar o rei e retornar ao comércio e plantações.” “Este é o jeito,” eles disseram e assim com vontade unívoca prepararam o parque e entrando na floresta cercaram um espaço de dois quilômetros. Naquele momento Nandiya tinha levado seus pais para um bosque e descansavam no chão. O povo com muitos escudos e armas nas mãos cercou o bosque; e algum entrava procurando cervos. Nandiya os viu e pensou, “É bom que ho-je eu abandone a vida e a dê para meus pais,” e assim levantando e falando a seus pais disse, “Pai e mãe, estas pessoas verão nós três se entrarem neste bosque; só há um jeito de vocês sobreviverem, e é melhor a vida de vocês: darei a vocês suas vidas, ficando na margem do bosque e saindo logo que eles batam: eles pensarão que só tem um cervo e não entrarão: estejam prontos” : e assim com a permissão deles ficou pronto para correr. Logo que o bosque foi batido nas margens pelas pessoas que gritavam ele saiu, e pensando que só tinha um cervo lá, não entraram. Nandiya foi com os outros cervos, e o povo os dirigiram para dentro do parque; e então fechando os portões comunicaram ao rei e foram para suas próprias casas. A partir daí o rei passou a sempre ir e matar um cervo; então ele mesmo ia ou mandava alguém pegar o cervo. Os cervos fizeram turnos, e aquele que chegava a vez ficava de lado : e o pegavam depois de acertar, abater. Nandiya bebeu água do poço e comeu grama mas ainda não era sua vez. Então depois de muitos dias seus pais ansiando em vê-lo pensaram, “Nosso filho Nandiya, rei dos cervos, era forte como um elefante e de saúde perfeita : se ele está vivo certamente pulará a cerca e virá nos ver; enviemos uma mensagem” : então eles permaneceram próximos à estrada e vendo um brahmin perguntaram com voz humana, “Senhor, onde vais?” “Para Sāketa,” ele disse; e assim enviando uma mensagem para o filho eles falaram a primeira estrofe:

Irás ao Parque do Rei, brahmin, quando por Oudh estiveres atravessando ?
Encontre nosso querido filho Nandiya, e fale nossa mensagem verdadeira,
“Seu pai e sua mãe estão acometidos de anos e os corações deles anseiam por ti.”

O brahmin, dizendo, “’Tá bem,” aceitou, e indo para Sāketa no dia seguinte entrou no parque e perguntou “Quem é Nandiya ?” O cervo veio e aproximou-se e disse, “Eu.” O brahmin deu a mensagem. Nandiya, escutando disse, “Devo ir, brahmin; certamente devo pular a cerca e ir : mas gozei de comida e bebida do rei e isto fica para mim como um débito : além do que vivi bem entre estes cervos e seria impróprio sair sem fazer algum bem a este rei e a eles, ou sem mostrar minha força: quando chegar minha vez farei bem a eles e irei feliz” : e assim explicando, falou duas estrofes:

Devo ao Rei, a comida e a bebida diária:
Não posso ir até ter-lhes feito bem.

Mostrarei meu lado às flechas do Rei:
Depois ver minha mãe e me justificar.

O brahmin escutando isto foi embora. Depois no dia que chegou a vez dele, o rei com um grande séquito chegou ao parque. O Bodhisatva ficou de lado: e o rei dizendo, “Acertarei o cervo,” ajustou um flecha afiada na corda. O Bodhisatva não correu como os outros animais fazem quando aterrorizados com o medo da morte mas destemido e fazendo da caridade a guia permaneceu firme, expondo seu lado de poderosas estruturas. O rei devido a eficácia do amor não pode disparar a flecha. O Bodhisatva disse, “Grande rei, por que não disparas a flecha? Atire ! “ “Rei dos cervos, não posso.” “Veja o mérito [n. do tr. : há um trocadilho com guna que significa mérito e corda] do virtuoso, ó grande Rei.” Então o rei, feliz com o Bodhisatva, largou o arco e disse, “Este pedaço de madeira insensível sabe seu mérito : deveria eu sensível que sou sendo gente não saber ? Perdoe-me ; dou-lhe proteção.” “Grande rei, dá-me proteção mas o que será desta horda de cervos?” “Dou proteção a todos também.” Assim o Bodhisatva tendo ganho proteção para todos os cervos no parque para os pássaros nos ares e os peixes na água, da maneira descrita no Jātaka 12 e 445, estabeleceu o rei nos cinco preceitos e disse, “Grande rei, é bom para um rei reinar o reino evitando os caminhos errados, não ofendendo nenhuma das virtudes reais e agindo com retidão justa.

Ofertas, princípios, caridade, justiça e penitência,
Paz, mansidão, misericórdia, doçura, paciência:

Estas virtudes plantadas na alma sinto,
Delas brota o Amor e o perfeito bem interior.

Com estas palavras ele mostrou as virtudes reais na forma de estrofes, e depois de ficar uns dias com o rei este envia um tambor dourado ao redor da cidade proclamando o dom da proteção a todos os seres : e dizendo então, “Ó rei, vigie,” foi para seus pais.

Antigamente em Oudh um rei dos cervos chamei-me
De nome e natureza, Nandiya, Delícia [Prazer, Deleite].

Para matar-me no parque dos cervos veio o Rei,
Seu arco estava curvado e a flecha na corda.

À flecha do Rei expus o lado ;
E então fui ver mamãe para me justificar.

Estas foram estrofes inspiradas pela Perfeita Sabedoria.
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No fim, o Mestre declarou as Verdades, e identificou o Jātaka: - Ao final das Verdades, o Irmão que amparava sua mãe foi estabelecido no Primeiro Caminho: - “Naquele tempo o pai e a mãe eram membros da família real, o brahmin Sāriputra, o rei Ananda, o cervo eu mesmo.”




sábado, 28 de novembro de 2009

384 Buddha Pássaro do Mar



384
“Pratiquem virtude...etc.” - O Mestre contou esta história enquanto residia em Jetavana, sobre um Irmão mentiroso. Ele disse, “Irmãos este homem não é mentiroso agora pela primeira vez” : e então contou um conto(a) do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como um pássaro : quando cresceu vivia em um bando de pássaros numa ilha no meio do mar. Certos mercadores de Kāsi pegaram um corvo viajado e começaram a viajar pelo mar. No meio do mar o barco naufragou. O corvo alcançou a ilha e pensou , “Aí esta um grande bando de pássaros, será bom tentar enganá-los e comer os filhotes e os ovos deles” : então ele desceu no meio deles e abrindo a boca ficou num pé só no chão. “Quem és tu, mestre ?” eles perguntaram. “Sou uma pessoa santa.” “Por quê você fica numa perna só ?” “Se eu colocasse a outra para baixo, a terra não me sustentaria.” “E por quê estais com a boca aberta ?” “Não temos outro alimento que beber vento;” e com isto chamou os outros pássaros e disse, “Pregarei ; escutem,” e falou a primeira estrofe à guisa de sermão:

Pratiquem virtude, irmãos, bençãos a vós ! Pratiquem virtude, repito:
Aqui e após, povos virtuosos têm completa felicidade

Os pássaros, sem saberem que ele assim falava de mentira para comer os ovos, louvaram-no e falaram a segunda estrofe:

Certamente uma reta ave, pássaro bento,
Ele prega numa perna a palavra sacra.

Os pássaros, acreditando naquele vil, disseram, “Senhor, não tomas outro alimento que vento : então prego olhe nossos ovos e filhotes,” e foram para seu lugar de caça. Aquele pecador quando eles saíram encheu a barriga de ovos e filhotes, e quando eles voltaram estava calmamente em uma perna com sua boca aberta. Os pássaros não vendo suas crianças quando chegaram deram o alarme, “Quem pode tê-los comido?” mas dizendo, “Este corvo é uma sacra pessoa,” nem mesmo dele suspeitaram. Então um dia o Bodhisatva pensou, “Não havia nada errado antes aqui, começou quando este um aí chegou, será bom testá-lo” : então fingindo que saiu com os outros pássaros, voltou e se escondeu. O corvo, confiante porque os pássaros saíram levantou-se e comeu ovos e filhotes, e voltando permaneceu numa perna e de boca aberta. Quando os pássaros voltaram o rei reuniu-os e disse, “Ho-je descobri o perigo que atinge nossos filhotes e vi este mau corvo comendo-os, vamos pegá-lo” : assim juntando os pássaros e cercando o corvo ele disse, “Se ele voar, peguem-no,” e falou as outras estrofes:

Vocês não conhecem seu caminho quando louvam este pássaro:
Vocês falam em língua de bobo :
“Virtude,” ele dirá, e “Virtude” sempre,
Mas ele come nossos ovos e filhotes.

As coisas que prega com a voz
Seus membros não acompanham :
Sua Virtude é um ruído vazio,
Sua retidão mentira.

No coração hipocrisia, na língua encantos,
Uma cobra preta do buraco escapulindo, é ele:
Lesa com a aparência do seu escudo de armas
O povo em sua simplicidade.

Abatam-no com bicos e penas,
Rasguem-no com suas garras:
Morte a tal lacaio covarde,
Traidor de nossa causa.

Com estas palavras o líder dos pássaros levantou-se e bateu no corvo com o bico bem na cabeça, e o resto atingiu-o com bicos e garras e asas: e assim ele morreu.
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Ao final da lição, o Mestre identificou o Jātaka: “Naquele tempo o corvo era o Irmão mentiroso, o rei dos pássaros era eu mesmo.”  Cf Buddha Rato, Jataka paralelo, o lobo com roupa de cordeiro, imagem evangélica mesmo.






terça-feira, 17 de novembro de 2009

383 Buddha Galo




383
“Pássaro com asas...etc.” - O Mestre contou esta história em Jetavana relativa a um Irmão que anelava ao mundo. O Mestre perguntou-lhe, “Por quê anelas ao mundo ?” “Senhor, por causa da paixão pois vi um mulher adornada.” “Irmão, mulheres são como gatas, enganando e engambelando até trazer a ruína àquele que está em seu poder,” e contou um velho conto.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu como um galo e vivia na floresta com um grupo de muitas centenas de galos. Não muito distante vivia uma gata : e ela enganou com enganos os outros galos exceto o Bodhisatva e comeu-os : mas o Bodhisatva não caiu em poder dela. Ela pensou, “Este galo é muito hábil mas ele não sabe que sou hábil e engenhosa em enganos : vou engambelá-lo dizendo ‘Serei sua esposa,’ e assim comê-lo quando estiver em meu poder.” Ela foi até ao pé da árvore em que ele estava empoleirado, e elogiando-o numa fala precedida de louvor a sua beleza, ela falou a primeira estrofe:

Pássaro com asas de luzes vivas, crista que pende bela,
Serei sua esposa por nada, deixe o galho e venha.

O Bodhisatva escutando-a pensou, “Ela comeu meus parentes todos ; agora ela quer me engambelar e comer : me livrarei dela.” E assim falou a segunda estrofe:

Senhora bela e sedutora, tens quatro patas, e eu somente duas :
Bestas e pássaros nunca devem se casar : busque outro marido.

Então ela pensou, “Ele é bastante hábil ; de algum modo o enganarei e o comerei ” ; e então ela falou a terceira estrofe:

Te darei beleza e juventude, falas agradáveis e cortesia:
Esposa honrada ou simples empregada, a teu prazer fique comigo.

Então o Bodhisatva pensou, “É melhor insultá-la e mandá-la embora,” e falou a quarta estrofe:

Tu bebeu o sangue dos meus parentes e roubou-os e matou-os cruelmente :
“Esposa honrada” ! não há honra em teu coração quando me cortejas.

Ela foi embora e não conseguiu nem olhar para ele de novo.

Então quando elas vêem um herói, mulheres dissimulam,
(Compare a gata e o galo), tentam tentá-lo.

Aquele que em grandes oportunidades falham em crescer
Prostados jazem tristes aos pés dos inimigos.

Aquele pronto a perceber uma crise em seu fado,
Como o galo à gata, escapa de seu adversário.

Estes versos foram inspirados pela Perfeita Sabedoria.
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A lição terminada, o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jātaka: - após as Verdades, o Irmão desviado foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho: - “Naquele tempo o galo era eu mesmo.”

[  quantas fábulas de Esopo Buddhista repetem esta cena ? ]


sábado, 14 de novembro de 2009

382 Buddha e Uppalavanna



382
“Quem é este...etc.” - O Mestre contou esta história em Jetavana, relativa a Anāthapindika [ Sudattha ]. A partir do momento que ele foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho ele manteve intacto todos os cinco preceitos ; do mesmo modo sua esposa, seus filhos e filhas, seus empregados e ajudantes. Um dia no Salão da Verdade eles começaram a discutir se Anāthapindika era puro em seu caminhar e sua família também. O Mestre veio e soube do tema: e disse, “Irmãos, sábios antigos tinham família e criados puros,” e contou um conto antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva era um mercador, dando ofertas, mantendo preceitos, e realizando as obrigações dos dias de jejum: também sua esposa manteve os cinco preceitos, e os filhos, e filhas, e empregados e ajudantes. Por isto era chamado o mercador Suciparivāra ( domicílio puro ). Ele pensou, “Se alguém de costumes mais puros que eu chegar, não seria apropriado oferecê-lo meu sofá para sentar, ou minha cama para deitar mas sim oferecê-lo um lugar puro e sem uso” : e assim manteve um sofá e uma cama sem uso preparado em um lado de sua sala de audiências. Naquele tempo no Céu dos Quatro Reis [ que são Dhatarattha, rei do Norte, Virulha do Sul, Virupakkha do Oeste e Vessavana do Leste ] Kālakanni, filha de Virupakkha, e Siri, filha de Dhatarattha, juntas, pegaram guirlandas e perfumes e foram ao lago Anotatta para brincar lá. Bem, neste lago existem muitos lugares de banho: os Buddhas banham-se em seu próprio lugar, os paccekabuddhas no deles, os Irmãos no deles, os ascetas no deles, os deuses dos seis céus-Kāma [ sendo primeiro o céu dos Quatro Reis ] no deles, e as deusas no delas. Essas duas chegaram lá então e começaram a discutir qual das duas devia mergulhar primeira. Kālakanni disse, “Eu ordeno o mundo: é certo que eu me banhe primeiro.” Siri disse: “Eu presido o curso das condutas que dá o senhorio à humanidade: é certo que eu me banhe primeiro.” Então as duas disseram, “Os Quatro Reis saberão qual de nós duas deve banhar-se primeiro no Anotatta. Dhatarattha e Virupakkha disseram, “Não podemos decidir,” e deixaram a tarefa para Virulha e Vessavana. Eles também disseram, “Não podemos decidir, enviaremos a questão aos pés do Senhor” : e perguntaram a Sakra. Ele escutou e pensou, “Estas duas são filhas dos vassalos; não posso decidir este caso” : e então disse a eles, “Há em Benares um mercador chamado Suciparivāra; em sua casa está preparada uma cama e um sofá não usados : aquela que primeiro sentar e descansar lá, é a que deve se banhar primeiro.” Kālakanni escutando em um instante colocou roupas azuis e unção azul e adornou-se com jóias azuis: ela desceu do céu como uma pedra de catapulta, e logo após a meia-noite plainou no ar, difundindo uma luz azul, não distante do mercador que descansava em um sofá na sala de audiências da sua mansão. O mercador olho e viu ela: mas aos olhos dele ela era sem graça e desamável. Falando com ela disse a
primeira estrofe:

Quem é esta em cor tão escura,
Desagradável à vista ?
Quem é você, filha de quem, diga,
Como conheceremos a ti, prego ?

Escutando isto, Kālakanni respondeu com a segunda estrofe:

O grande rei Virupakkha, é meu pai:
Sou Azar ( Infortúnio ), temível Kālakanni:
Dê-me aquele quarto perto de ti, eu desejo.

Então o Bodhisatva falou a terceira estrofe:

Qual a conduta, qual os caminhos,
Das pessoas com quem habitas?
É o que pede minha pergunta :
Marcaremos bem a resposta.

Então ela, falando de suas próprias qualidades, falou a quarta estrofe:

O hipócrita, o arrogante, o moroso,
A pessoa invejosa, gananciosa e traiçoeira:
Tais são os amigos que amo : e disponho
Seus ganhos para que possam perecer completamente.

Falou ainda a quinta, sexta e sétima estrofe:

E mais queridos ainda são a ira e o ódio para mim,
Calúnia e discórdia, difamação e crueldade.

A gente indolente que não sabe seu próprio bem,
Resente de conselho, rude com os seus :

A pessoa levada pela tolice, que despreza amigos,
Ele é meu amigo, nele descansa meu prazer.

Então o Grande Ser, culpando ela, falou a oitava estrofe:

Fora, Kāli: nada te agrada aqui:
Desapareça para outras terras e cidades.

Kālakanni, escutando-o, ficou triste e falou outra estrofe:

Te conheço bem: nada me agrada aqui.
Outros são sem sorte, que acumulam muita coisa ;
Meu irmão-deus e eu faremos tudo desaparecer.

Quando ela foi, Siri a deusa, veio, com trajes e unção dourada e ornamentos de brilho dourado para a porta da sala de audiências, difundindo luz amarela, parada ao nível do chão e com respeito. O Bodhisatva vendo-a repetiu a primeira estrofe:

Quem é esta, divina luz,
No chão firme e verdadeiro?
Quem é você, filha de quem, diga,
Como a conheceremos, prego ?

Siri, escutando-o, falou a segunda estrofe:

O grande rei Dhatarattha é meu pai:
Fortuna e Sorte eu sou, e Sabedoria admiram as pessoas:
Agracie-me com aquela cama, é o que desejo.

(Ele) Que conduta, que caminhos
Das pessoas com quem habitas?
Isto que pede minha pergunta ;
Marcaremos bem a resposta.

(Ela) Aquela que com frio e calor, no vento e no sol,
No meio de sede e fome, que foge de serpente e veneno
Sua obrigação presente dia e noite, faz ;
Com este habito e amo fielmente.

Gentil e amavel, reto, liberal,
Sem culpa e honesto, íntegro, encantador, meigo,
Humilde no lugar alto : tinjo toda sua fortuna,
Como às ondas sua cor no oceano que cresce

À amigos ou inimigos, melhores, iguais ou piores,
Ajudante ou adversário, no escuro ou no dia claro,
Àquele que é gentil, sem ásperas palavras ou maldições,
Sou seu amigo, vivendo ou morrendo, sempre.

Mas se um tolo de mim ganhou algum amor,
E incha orgulhoso e vão,
De seu caminho voluntarioso de irreflexão, fujo,
Como mancha suja.

A boa e má sorte de cada pessoa é seu próprio trabalho, não de outro:
Nem à boa nem à má sorte pode uma pessoa fazer a seus irmãos.

Tal foi a resposta de Siri quando questionada pelo mercador.
O Bodhisatva rejubilou-se com as palavras de Siri, e disse, “Aqui está o sofá e a cama pura, própria sua ; sente e descanse lá.” Ela ficou lá e de manhã saiu para o Céu dos Quatro Grandes Reis e primeiro banhou-se no lago Anotatta. A cama usada por Siri foi chamada Sirisaya : daí a origem da Sirisayana, e por esta razão é assim chamada até hoje.
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Após a lição o Mestre identificou o Jātaka: “Naqueles dias a deusa Siri era Uppalavannā, o mercador Suciparivāra era eu mesmo.”

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

381 Buddha Abutre Aparanna



                                 Monte do Abutre, Índia

381
“Teus caminhos, meu filho...etc.” - O Mestre contou esta história em Jetavana sobre um Irmão indisciplinado. O Mestre perguntou ao Irmão, “Você é realmente indisciplinado?” Ele disse, “Sim, senhor” : e o Mestre disse, “Você não é indisciplinado pela primeira vez; antes também através da indisciplina não fizeste o ordenado pelo sábio e encontraste a morte nos ventos Verambha,” [no mar do mesmo nome] e contou um conto(a) do mundo antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), o Bodhisatva nasceu como um abutre de nome Aparannagijjha, e vivia com um bando de urubus em Gijjhapabbata (Montanha Abutre). Seu filho, Migālopa de nome, era extremamente forte e poderoso; ele voava alto acima do alcance dos outros abutres. Eles falaram ao rei que o filho voava muito alto. Ele chamou Migālopa e disse, “Filho, eles dizem que você voa muito alto: se fizeres isto, trarás a morte para si,” falando três estrofes:

Teus caminhos, filho, me parecem inseguros,
Você plaina muito alto, acima de nossa própria esfera.

Quando a terra não for que um quadrado de terra à tua vista,
Volte, meu filho, e não ouse vôo mais alto.

Agora mesmo outros pássaros tentam plainar as asas em vôos elevados,
Batidos por ventos e tempestades furiosas eles perecem em seu orgulho.

Migālopa por indisciplina não fez o quê o pai ordenou mas subindo e subindo passou do limite que seu pai lhe indicara, clivou mesmo os Ventos Negros quando com eles encontrou, e voou mais acima até encontrar os ventos de Verambha à sua face. Eles bateram nele, e só com a batida foi feito em pedaços e desapareceu no ar.

Desdenhou os sábios conselhos do pai,
Foi para além dos Ventos Negro e Verambha.

Sua esposa, seus filhos, toda a horda da sua casa,
Todos ruíram por causa do pássaro voluntarioso.

Assim aqueles que não acolhem o que seus anciãos dizem,
Como este abutre orgulhoso perdido além dos limites,
Encontra ruína, quando às retas normas desobedece.
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Após a lição o Mestre identificou o Jātaka: “Naquele tempo Migālopa era o Irmão indisciplinado, Aparanna era eu mesmo.”

[ N. do tr.: Pensar direto em Dédalo e Ícaro: aí o engenho humano são os altos vôos.]