segunda-feira, 19 de abril de 2010

404 Buddha Macaco

404

Que o sábio não habite...etc.” - O Mestre contou este conto(a) enquanto residia em Jetavana, relativo a Devadatra ser engulido pela terra. Encontrando os Irmãos falando sobre isto no Salão da Verdade, ele disse, “Agora não foi a primeira vez que Devadatra foi destruído com seus seguidores : ele foi destruído antes,” e contou um conto(a) antigo.


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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu do ventre de uma macaca e viveu no jardim do rei em companhia de quinhentos macacos. Devadatra também nasceu do ventre de uma macaca e vivia lá também em companhia de quinhentos macacos. Então um dia quando o sacerdote da família real foi ao jardim, de banho tomado e adornado, um macaco manhoso passando por cima dele sentou no arco do portão no caminho do jardim e deixou cair excrementos na cabeça do sacerdote quando ele saía. Quando o sacerdote olhou para cima, ele deixou cair novamente dentro de sua boca. O sacerdote retornou, ameaçando os macacos, “Muito bem, saberei como lidar contigo,” e partiu depois de se lavar. Disseram ao Bodhisatva que ele ficou irritado e ameaçava os macacos. Ele fez um anúncio para os mil macacos, “Não é bom habitarmos próximos à morada de alguém com raiva ; que toda a tropa de macacos fuja e vá para outro lugar.” Um macaco desobediente juntou seus seguidores e não fugiu dizendo, “Verei sobre isto depois.” O Bodhisatva reuniu sua tropa e foi para a floresta. Um dia uma escrava fazendo mingau de arroz, colocou um pouco de arroz no lado de fora no sol e um bode comia dele : recebendo um golpe com um tição em brasas, o bode correu em chamas e esfregou-se na parede de palha de uma cabana próxima do estábulo dos elefantes. O fogo pegou na cabana e daí no estábulo dos elefantes ; com isto as costas dos elefantes também ficaram em chamas e os veterinários pasaram a cuidar dos elefantes. O sacerdote real estava sempre procurando uma oportunidade para pegar os macacos. Ele estava sentado ajudando o rei e o rei disse, “Senhor, muitos dos nossos elefantes estão machucados e os veterinários de elefantes não sabem curá-los ; conheces algum remédio ?” “Conheço, grande rei.” “Qual é ?” “Gordura de macaco, grande rei.” “Como a conseguiremos ?” “Existem muitos macacos no jardim.” O rei disse, “Matem macacos do jardim e peguem as gorduras deles.” Os arqueiros foram e mataram quinhentos macacos com flechas. Um macaco velho fugiu apesar de ferido por flecha e apesar de não tomar no lugar, tombou quando chegou na morada do Bodhisatva. Os macacos disseram, “Ele morreu quando chegou em nosso lugar de moradia,” e contaram ao Bodhisatva que ele morrera da ferida que tivera. Ele veio e sentou no meio da assembléia de macacos e falou estas estrofes a guisa de exortar os macacos com a exortação do sábio, que é “As pessoas que habitam próximas a seus inimigos, perecem por isto :” -


Que o sábio não habite onde habita seu inimigo :

Uma noite, duas noites, próximo assim, lhe chegará a desgraça.


Um inimigo, de um tolo e de todos que creem em sua palavra :

Um macaco trouxe tristeza para toda sua horda.


Um chefe tolo, sábio em seu próprio conceito,

Leva sempre, como este macaco, a derrota.


Um tolo forte não é bom para guardar a horda,

Maldição para seus parentes, como o pássaro chamariz.

Alguém forte e sábio é bom para guardar a horda,

Como Indra aos Deuses, prêmio de seus pares.


Quem virtude, sabedoria, aprendizagem, realmente possui,

Seus gestos, a ele e as outras pessoas, abençoará.


Portanto virtude, conhecimento, aprendizagem e que a si mesmo ele olhe,

Seja um Santo solitário ou que por sobre o rebanho vigie e guarde (watch & ward).


Então o Bodhisatva, tornando-se rei dos macacos, explicou o caminho da aprendizagem da Disciplina.


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Após a lição, o Mestre identificou o Jataka : “Naquele tempo o macaco desobediente era Devadatra, sua tropa era a companhia de Devadatra e o sábio rei (dos macacos) era eu mesmo.” Cf. Jataka 140.


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