quarta-feira, 4 de maio de 2011

426 Buddha e a Cabra


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              pintura de Ajanta, Índia 

426
Como estais passando...etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo a certa cabra. Certa vez o Ancião Moggaallaana vivia em uma residência com uma porteira de pasto em um lugar montanhoso cercado de morros. Seu caminho coberto era direto para a porta. Alguns pastores de cabras pensaram que o lugar seria boa pastagem para os caprinos que então para lá as dirigiram e lá pastaram prazerosamente. Um dia vieram à tardinha, pegaram todos os bodes e foram embora : mas uma cabra se dirigira para longe e não vendo os bodes que partiram foi deixada para trás. Mais tarde, quando ela saía, uma certa pantera a viu, e pensando em comê-la permaneceu na porteira do lugar. Ela olhou ao redor e viu a pantera. “Ele está lá porque quer me matar e me comer” ela pensou ; “s'eu virar e correr, minha vida está perdida ; devo me impor,” e assim ela sacudiu os chifres e se atirou direto contra ele com toda sua força. Ela escapou das garras, apesar dele se agitar com o pensamento de pegá-la : correndo então com toda velocidade ela subiu então até os bodes. O Ancião observou como todos os animais se comportaram : dia seguinte ele foi e contou ao Tathagata, “Assim, Senhor, esta cabra realizou um feito com sua prontidão no projeto e escapou da pantera.” O Mestre respondeu, “Moggaallaana, a pantera falhou em pegá-la desta vez mas certa vez antes ele a matou apesar dela gritar e a comeu.” Então com o pedido de Moggaallaana, ele contou um conto antigo.

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Certa vez o Bodhisatva nasceu em uma certa vila do reino de Magadha em uma família rica. Quando ele cresceu, renunciou aos desejos e adotou vida religiosa, alcançando a perfeição da meditação. Após morar por muito tempo na Himalaia, veio para Rajagaha em busca de sal e vinagre e morava em uma cabana de folha que fez num cercado na montanha. Justo como na história introdutória, os pastores dirigiram seus bodes para lá : e do mesmo modo, quando uma única cabra saía atrasada do resto, uma pantera esperava junto a porteira, pensando em comê-la. Quando ela o viu pensou, “Minha vida está confiscada : devo falar com ele gentil e prazerosamente e assim amaciar seu coração e salvar minha vida.” Começando um papo amigável com ele à distância, ela falou o primeira estrofe :-

Como estais passando, tio ? Tudo bem contigo ?
Mamãe manda lembranças : sou seu amigo fiel.

Escutando isto, a pantera pensou, “Esta mala vai me enganar me chamando de 'tio' : não sabe quão duro sou;” e assim ele falou a segunda estrofe :-

Pisaste minha cauda, senhora cabra e me injuriaste :
E pensas que dizendo 'tio' podes sair livre de imposto.

Quando ela escutou-o, disse, “O tio, não fale assim,” e falou a terceira estrofe :-

Te vi quando vinha, bom Senhor, e tu me viste ai sentado :
Tua cauda está toda atrás : como poderia pisá-la ?

Ele respondeu, “O quê dizes cabra ? Há algum lugar que minha cauda possa não estar ?” e então falou a quarta estrofe :-

Tanto quanto os quatro grandes continentes com oceanos e montanhas espalhadas,
Minha cauda se estende : como podes ter falhado em tal cauda ter pisado ?

A cabra, quando escutou isto, pensou, “Este sujeito ruim não foi atraído por minhas palavras moles : responderei como inimigo,” e então ela falou a quinta estrofe :-

Tua cauda de vilão é longa, eu sei, pois fui bem avisada :
Pais e irmãos me contaram : mas voo pelos ares.

Ele então disse, “Sei que vieste pelos ares : mas enquanto vinhas, estragastes minha comida no caminho por onde vieste,” e assim ele falou a sexta estrofe :-

À tua vista, senhora cabra, no alto, atravessando os ares,
Espantou uma horda de cervos : e assim minha refeição foi por ti estragada.

Escutando isto a cabra temendo a morte e sem desculpas, gritou, “Tio, não cometa tal crueldade ; poupe minha vida.” Mas apesar dela gritar, o outro a pegou pelos ombros matou-a e comeu-a.

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Foi então que a cabra pediu por graça : mas sangue devia satisfazer
A besta que segurava-a pelo pescoço ; o mal não mostrará cortesia.

Conduta, não reta, nem cortesia, o mal mostrará ;
Ele odeia o bom : enfrentá-lo então é melhor em briga aberta.

Estas são duas estrofes inspiradas pela Perfeita sabedoria.

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Um asceta santo viu toda a cena dos dois animais.

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Após a lição, o Mestre identificou o Jataka : “Naquele tempo a cabra e a pantera eram a cabra e a pantera de ho-je, o asceta santo era eu mesmo.”

[ N. do tr. : Esopo Buddhista aqui disserta largamente em série de fábulas realçando a idéia do cercado, do pasto entre montes, que protege a cabra, cordeiro : na 220 temos a cabra mesma com o lobo e na 221 o cordeiro na mais famosa das fábulas, onde a extravagância da cauda da pantera, dá lugar ao pai lobo injuriado em ano anterior compondo a cena na beira do rio. Mas são várias as fábulas que dissertam sobre a imagem, tema, somando a série que introduz o pastor na 311 e seguintes , caro aos Evangelhos de IHS com os mercenários que cuidam do rebanho. A rês perdida mesma tem sua parábola. No caso, IHS XTO chega a dizer 'eu sou a porta das ovelhas'.]



quarta-feira, 27 de abril de 2011

425 Buddha asceta


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               pintura de Ajanta, Índia.

425
Faça o Ganges calmo...etc.” - O Mestre contou esta história quando residia em Jetavana, relativa a um Irmão relapso. O Mestre perguntou a ele, “É verdade Irmão, que és relapso ?” “Sim, senhor.” “Qual a causa ?” “O poder do desejo.” “Irmão, as mulheres são ingratas, traiçoeiras, inconfiáveis : sábios antigos não conseguiam satisfazer uma mulher mesmo dando a ela mil dinheiros por dia : e um dia quando ela não conseguiu os mil dinheiros, os pegou pelo pescoço e jogou fora : tão ingratas são as mulheres : não caia no poder do desejo por tal causa,” e ele contou um conto antigo.

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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), seu filho, jovem Brahmadatra, e jovem Mahadhana, filho de um rico mercador de Benares, eram camaradas e companheiros e foram educados na casa do mesmo professor. O príncipe tornou-se rei com a morte do pai : e o filho do mercador morava perto dele. Havia em Benares uma certa cortesã, bela e próspera. O filho do mercador lhe dava mil dinheiros diariamente e tinha prazer com ela constantemente : com a morte de seu pai ele sucedeu o rico mercador na sua posição e não a abandonou, dando a ela mil dinheiros por dia. Três vezes por dia ele ia se apresentar diante do rei. Um dia ele foi apresentar-se ao cair da noite. Enquanto estava falando com o rei, o sol se pôs e ficou escuro. Quando deixava o palácio ele pensou, “Não há tempo de ir em casa e depois voltar : irei direto para a casa da cortesã :” então dispensou seus ajudantes e entrou na casa dela sozinho. Quando ela o viu, perguntou se ele trouxera os mil dinheiros. “Querida, eu estava muito atrasado ho-je ; então dispensei meus empregados sem ir em casa e vim sozinho ; mas a-manhã te darei dois mil dinheiros.” Ela pensou, “S'eu aceitá-lo ho-je, ele virá de mãos vazias em outros dias e assim minha riqueza se perderá : não o admitirei desta vez.” Então ela disse, “Senhor, sou apenas uma cortesã : não faço favores sem mil dinheiros : deves me trazer a quantia.” “Querida, trarei duas vezes a quantia a-manhã,” e assim ele pedia repetidamente. A cortesã deu ordens as suas empregadas, “Não deixem aquele homem em pé ali me olhando : peguem-no pelo pescoço e joguem ele fora e depois batam a porta.” Elas fizeram isto. Ele pensou, “Já gastei com ela oitocentos milhões em dinheiro ; ainda assim um dia que chego de mãos vazias, ela me pega pelo pescoço e me joga fora : Ó mulheres más, sem vergonhas, ingratas, traiçoeiras :” e então ele ponderava sobre as más qualidades das mulheres, até que sentindo desgosto e desamor, tornou-se descontente com a vida laica. “Por quê deveria levar vida laica ? Irei ho-je mesmo e me tornarei asceta,” ele pensou : então sem voltar para casa ou ver o rei novamente, deixou a cidade e entrou na floresta : fez um eremitério às margens do Ganges e lá morou como um asceta, alcançando as Perfeições da Meditação e vivendo de raízes e frutas selvagens.

O rei sentiu falta de seu amigo e perguntou por ele. A conduta da cortesã tornou-se conhecida por toda a cidade : então contaram ao rei o que ocorrera e adicionaram, “Ó rei, dizem que teu amigo com vergonha não voltou para casa mas tornou-se um asceta na floresta.” O rei mandou chamar a cortesã e perguntou se era verdadeira a história sobre o tratamento que dera ao amigo dele. Ela confessou. “Má, mulher vil, vá rapidamente onde está meu amigo e traga-o de volta : se falhares, tua vida está perdida.” Ela ficou com medo das palavras do rei ; montou numa carruagem e dirigiu para fora da cidade com um grande cortejo ; ela buscou o domicílio dele e obtendo informações, foi até ele saudou-o e pediu, “Senhor, perdoe o mal que fiz em minha cegueira e loucura : nunca mais farei de novo.” “Muito bem, te perdôo ; não estou irado contigo.” “Se me perdoas, monte na carruagem comigo : vamos nos dirigir até a cidade e logo que entrarmos nela te darei todo o dinheiro que que haja lá em casa.” Quando ele a escutou, respondeu, “Senhora, não posso ir contigo agora : mas quando algo que nunca acontece neste mundo acontecer, então talvez eu vá ;” e assim ele falou a primeira estrofe :-

Faça o Ganges calmo como tanque de lótus, avistar cucos brancos como pérolas,
Faça palmeiras carregarem com maçãs : quiçá então possa ser.

Mas ela disse novamente, “Venha ; estou indo.” Ele respondeu, “Eu irei.” “Quando ?” “Em tal e tal hora,” ele disse e falou as estrofes restantes :-

Quando tecendo cabelo de tartaruga uma roupa tripla possa ver,
Para no inverno vestir contra o frio, quiçá então possa ser.

Quando com dentes de mosquitos construíres uma torre tão habilmente,
Que não balance nem titubeie, quiçá então possa ser.

Quando com chifres de lebres faças uma escada habilmente,
Escadas que subam a altura do céu, quiçá então possa ser.

Quando camundongos subindo estas escadas e comendo a lua concordem,
E tragam para baixo Rahu do céu, a coisa quiçá possa ser.

Quando vermes de moscas devorarem bebida forte em cântaros cheios e abertos
E residirem eles mesmos em brasas de carvão, a coisa quiçá possa ser.

Quando asnos ganharem lábios vermelhos e faces belas de ver,
E apresentarem suas habilidades em canto e dança, a coisa quiçá possa ser.

Quando corvos e corujas encontrarem-se para falar privadamente,
E cortejarem um ao outro, qual amantes, a coisa quiçá possa ser.

Quando parassóis, feitos de tenras folhas de árvores da floresta,
Forem fortes contra a chuva torrencial, a coisa quiçá possa ser.

Quando pardais pegarem o Himalaia em toda sua majestade,
E carregarem-no em seus pequenos bicos, a coisa quiçá possa ser.

E quando um garoto puder carregar facilmente, com toda sua bravura,
Um navio todo equipado para mares distantes, a coisa quiçá possa ser.

Assim o Grande Ser falou estas onze estrofes para marcar condições impossíveis ( atthana ). A cortesã, escutando-o, ganhou seu perdão e voltou para Benares. Ela contou para o rei o que acontecera e pediu por sua vida, que foi concedida.

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Após a lição, o Mestre disse, “Assim Irmãos, as mulheres são ingratas e traiçoeiras” ; então declarou as Verdades e identificou o Jataka : Após as Verdades, o Irmão relapso foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo o rei era Ananda, o asceta era eu mesmo.”

segunda-feira, 18 de abril de 2011

424 Buddha rei Bharata


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                       Imagem de Ajanta, Índia. 

424
O quê uma pessoa puder salvar...etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo a um presente incomparável. O presente incomparável está descrito inteiramente no comentário ao Mahagovindasutra. No seguinte àquele em que ele foi dado, falavam sobre isto no Salão da Verdade, “Senhores, o rei de Kosala após exame, descobriu campo próprio de mérito e deu o grande presente à assembleia com Buddha à sua cabeça.” O Mestre veio e soube o tema da conversa enquanto estavam lá sentados : ele disse, “Irmãos, não é estranho que o rei após exame tenha feito grandes dons pelo supremo campo de mérito : sábios antigos também após exame ofertaram tais ofertas,” e assim ele contou um conto antigo.
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Certa vez um rei chamado Bharata reinava em Roruva no reino de Sovira. Ele praticava as dez virtudes reais, conquistou o povo com os quatro elementos de popularidade, era para a multidão como pai e mãe e deu grandes presentes para os pobres, os caminhantes, os mendicantes, os demandantes e semelhantes. Sua rainha principal Samuddavijaya era sábia e cheia de conhecimento. Um dia ele olhou ao redor de seu salão de ofertas e pensou, “Minhas ofertas são devoradas por gente gananciosa sem valor : não gosto disso : gostaria de fazer ofertas a paccekabuddhas que merecem os melhores presentes : eles vivem na região dos Himalaias : quem os traria aqui a meu convite e quem eu enviaria nesta jornada ?” Ele falou com a rainha, que disse, “Ó rei, não fique preocupado : envie flores com a força das nossas coisas adequadamente dadas e nossa virtude e verdade, convidaremos os paccekabuddhas e quando eles vierem daremos a eles presentes com todos os requisitos.” O rei concordou. Ele proclamou pelo tambor que todo o povo da vila devia prometer guardar os preceitos, ele mesmo com seus empregados realizaram todas as tarefas para os dias santos e ofertaram grandes ofertas em caridade. Ele fez com que se trouxesse uma grande caixa de ouro, cheia de flores de jasmim, desceu de seu palácio e permaneceu no paço real. Lá prostando-se no chão com os cinco contatos, ele saudou a direção leste e atirou sete mãos cheias de flores com as palavras, “Saúdo os santos no quadrante leste : se há qualquer mérito em nós, mostre compaixão conosco e receba nossas ofertas.” Como não havia nenhum paccekabuddha no quadrante leste, eles não vieram no dia seguinte. No segundo dia ele prestou respeito ao quadrante sul : mas ninguém veio de lá. No terceiro dia ele prestou respeito ao quadrante ao quadrante oeste, mas ninguém veio. No quarto dia ele prestou respeitos ao quadrante norte e após prestar respeitos, atirou sete mãos cheias de flores com as palavras, “Possam os paccekabuddhas que vivem no distrito norte dos Himalaias receber nossas ofertas.” As flores foram e caíram em quinhentos paccekabuddhas na caverna Nandamula. Refletindo eles entenderam que o rei os convidava ; então chamaram sete deles e disseram, “Senhores, o rei nos convida ; favorecemo-lo .” Estes paccekabuddhas vieram através dos ares e pousaram no portão do rei. Vendo-os o rei saudou-os deliciado, os fez entrar no palácio, mostrou-lhes grande honra e deu-lhes presentes. Após a refeição ele os convidou para o dia seguinte e assim em diante até o quinto dia, alimentando-os por seis dias : no sétimo ele aprontou um presente de todos os requisitos ( cinto, hábitos, navalha, tigela, filtro ), arrumou camas e cadeiras incrustadas de ouro e colocou na frente dos paccekabuddhas conjuntos dos três hábitos e das outras coisas usadas pelos homens santos. O rei e a rainha ofertaram formalmente estas coisas para eles após a refeição e permaneceram em respeitosa saudação. Para exprimir seu agradecimento, o mais Ancião da assembleia falou duas estrofes :-

O que uma pessoa puder salvar das chamas que queimam sua moradia,
Não o que é deixado para ser consumido, permanecerá seu.

No fogo do mundo, decaimento e morte são as chamas a serem alimentadas ;
Salve o que puder pela caridade, uma oferta é salva realmente.

Assim expressando agradecimento, o Ancião aconselhou o rei a ser diligente com a virtude : então ele voou nos ares, direto através do pico do telhado do palácio e pousou na caverna Nandamula : junto com ele todos os requisitos que foram dados voaram junto e pousaram na caverna : e os corpos do rei e da rainha tornaram-se cheios de alegria. Após a partida dele, os outros seis também exprimiram agradecimento com uma estrofe cada :-

Aquele que oferta para homens retos,
Forte em energia santa,
Atravessa a corrente de Yama e então
Ganha uma moradia no céu.

Como guerra é caridade :
Hostes podem fugir diante de uns poucos :
Dê um pouco piedosamente :
Benção posterior é seu direito.

Doadores prudentes agradecem ao Senhor,
Seu trabalho gastam valorosamente.
Ricos frutos seus dons produzem,
Como uma semente em solo fértil.

Aqueles que nunca falam rudemente,
Repudiando errar com as coisas vivas :
As pessoas podem chamá-los tímidos, fracos :
Pois é temor que as mantém puras.
Obrigações baixas ganham para a pessoa, renascer na terra, fado principesco,
Obrigações médias ganham o céu, mais altas ganham Estado Puro.

Caridade é benção realmente,
Ainda que a Lei ganhe recompensa mais alta :
Idade antiga e novas atestam,
Assim os sábios alcançaram seu Descanso.

Então eles também partiram com os requisitos dados a eles.
O sétimo paccekabuddha em seu agradecimento louvou o eterno nirvana ao rei e aconselhou-o cuidadosamente partindo para sua morada como foi dito. O rei e a rainha deram presentes por toda vida e passaram inteiramente através do caminho para o céu.

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Após a lição, o Mestre disse, “Assim sábios antigos dão presentes com discriminacão,” e identificou o Jataka : “Naquele tempo os paccekabuddhas alcançaram nirvana, Samuddavijaya era a mãe de Rahula e o rei Bharata era eu mesmo.”




quarta-feira, 23 de março de 2011

423 Buddha Sarabhanga


                         Buddha de Takkasilla ( Taxila ), Paquistão.

423
“Quem pelos desejos...etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo à tentação pela esposa de dias anteriores. A história é de um jovem de boa família de Savatthi que escutou a pregação do Mestre e pensando ser impossível levar vida santa e pura e perfeitamente completa enquanto dono de casa, decidiu-se tornar asceta sob a doutrina salvadora e dar um fim ao sofrimento. Então entregou sua casa e propriedade para a esposa e crianças e pediu ao Mestre que o ordenasse. O Mestre fez isto. Como era o mais novo nas idas e vindas de coleta de oferta com os professores e instrutores, e como os Irmãos eram muitos, não conseguiu nenhum lugar nem nas residências dos laicos nem no refeitório mas apenas um assento e um banco no fim entre os noviços, sua comida era jogada para ele apressadamente com uma concha, e ele conseguiu mingau feito com restos de arroz, comida sólida azeda ou passada, ou grãos secos e queimados ; e isto não era suficiente para mantê-lo vivo. Ele levou o que conseguiu para a esposa que tinha deixado : ela pegou a tigela dele, saudou-o, esvaziou-a e deu a ele ai invés daquilo mingau bem cozido e arroz com molho e curry. O Irmão ficou cativo pelo amor a tais sabores e não conseguia deixar a esposa. Ela pensou em testar o amor dele. Um dia ela recebeu um camponês purificado com argila branca e o sentou em sua casa com alguns outros de sua família que ela chamara e deu a eles algo para comer e beber. Eles comiam e se divertiam sentados. Na porta da casa ela tinha alguns bois amarrados em jugo, rodas e um carro pronto. Ela mesma permaneceu no recinto de trás assando bolos. Seu marido veio e ficou na porta. Vendo-o um antigo empregado disse a sua patroa que um ancião estava à porta. “Saude-o e peça que entre.” Mas apesar dele fazer isto repetidamente, o sacerdote permaneceu no mesmo lugar e disse para a patroa. Ela veio e levantando a cortina para ver, gritou, “Este é o pai dos meus filhos.” Ela saiu e o saudou : pegando a tigela dele e fazendo-o entrar deu a a ele comida : quando ele já tinha comido ela o saudou novamente e disse, “Senhor, és um santo agora : permanecemos nesta casa todo este tempo ; mas não existe vida de dona de casa apropriada sem um marido, então nós vamos para outra casa, no campo : seja zeloso em tuas obras boas e me perdoe se erro.” Por um tempo seu marido ficou como se o coração espatifasse. Então ele disse, “Não posso te deixar : não vá, voltarei para minha vida mundana : envie vestimentas laicas para tal e tal lugar, desistirei de minha tigela e dos meus hábitos e voltarei para ti.” Ela concordou. O Irmão foi para o mosteiro e deixando sua tigela e hábito com seus professores e instrutores explicou, em resposta as perguntas deles, que não podia deixar a esposa e estava voltando para a vida mundana. Contra a vontade dele eles o levaram até o Mestre e contaram que ele era relapso e desejava voltar para a vida mundana. O Mestre disse, “É vera esta história ?” “É Senhor.” “Quem te leva a ser relapso ?” “Minha esposa.” “Irmão, esta mulher te faz mal : anteriormente também por causa dela tu caíste dos quatro estágios da meditação mística e te tornaste miserável : então através de mim foste libertado da miséria e reganhaste o poder de meditação que houveras perdido,” e então ele contou um conto antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva nasceu como filho do sacerdote da família real e sua esposa brahmin. No dia do seu nascimento houve um explodir de armas por toda a cidade e por isto o chamaram jovem Jotipala. Quando cresceu, aprendeu todas as artes em Takkasila ( Taxila ) e apresentou suas habilidades nelas ao rei : mas desistiu de seu posição e sem dizer a ninguém partiu pela porta de trás e entrando na floresta tornou-se asceta no eremitério de Kavitthaka, chamado Sakkadattiya. Ele atingiu perfeição na meditação. Enquanto lá residia muitas centenas de sábios o acompanharam. Era ajudado por uma grande companhia e tinha sete discípulos principais. Deles, o sábio Salissara deixou o eremitério Kavitthaka pelo país Surattha e residiu nas margens do rio Satodika com muitos milhares de sábios juntos : Mendissara com muitos milhares de sábios morou perto da cidade de Lambaculaka no país do rei Pajaka : Pabbata com muitos milhares de sábios morava em uma certa floresta : Kaladevala com muitos milhares de sábios residia em certa montanha florestal em Avanti e Decan : Kisavaccha morava sozinho perto da cidade de Kumbhavati no parque do rei Dandaki : o asceta Anusissa ajudava o Bodhisatva e permanecia com ele : Narada, o irmão mais novo de Kaladevala, morava só em uma cela-caverna no meio do montanhoso país de Arañjara na Região Central. Não longe de Arañjara havia uma vila populosa. Nesta vila havia um grande rio, no qual muitos homens se banhavam : e ao longo de suas margens sentavam muitas cortesãs bonitas tentando os homens. O asceta Narada viu uma delas e enamorando-se, abandonou a meditação, pinhando sem comida por sete dias prostado nos laços do amor. Seu irmão Kaladevala por reflexão soube a causa disto e veio voando pelos ares para a caverna. Narada o viu e perguntou porque viera. “Soube que estavas doente e vim cuidar de ti.” Narada o repeliu com falsidade, “Falas nonsense, mentiras e vaidade.” O outro recusou-se a partir e trouxe Salissara, Mendissara e Pabbatissara. Ele repeliu a todos do mesmo modo. Kaladevala saiu voando para buscar o mestre deles Sarabhanga e o trouxe. Quando o Mestre chegou, ele viu que Narada caiu sob o poder dos sentidos e perguntou se era isto. Narada levantou-se com as palavras, saudou-o e confessou. O Mestre disse, “Narada, aqueles que caem no poder dos sentidos gasta miseravelmente esta vida e na próxima existência nascem no ínfero :” e assim ele falou a primeira estrofe :-

Quem pelos desejos obedece oscilar dos sentidos,
Perde ambos os mundos e pinha, definha, sua vida fora.

Escutando isto Narada respondeu, “Professor, seguir aos desejos é felicidade : por quê chamas tal felicidade miséria ?” Sarabhanga disse, “Escute, então,” e falou a segunda estrofe :-

Felicidade e miséria estão um na pegada do outro :
Vês sua alternância : busques felicidade verdadeira.

Narada disse, “Professor, tal miséria é dura de carregar, não suportarei.” O Grande Ser disse, “Narada, a miséria que chega deve ser suportada,” e falou a terceira estrofe :-

Aquele que resiste em tempos difíceis lidando com problemas
É forte para alcançar a benção final onde acabam os mesmos problemas.

Mas Narada respondeu, “Professor, a felicidade do desejo do amor é a maior felicidade : não posso abandoná-la.” O Grande Ser disse, “Virtude não é para ser abandonada por causa qualquer,” e falou a quarta estrofe :-

Por amor de luxúrias, por esperança de ganhos, por miséria grande ou pequena,
Não desfaça teu santo passado caindo assim da virtude.

Sarabhanga tendo então mostrado a lei em quatro estrofes, Kaladevala em conselho a seu irmão mais novo falou a quinta estrofe :-

Saiba que a vida mundana é problema, provisões devem ser dadas livremente.
Não há prazer em acumular riquezas, nem desprazer quando são gastas.

[ Escoliasta, Glosa : Bens são os cuidados da vida de casa, bens a serem dados,
Sem orgulho com riquezas ganhas, nem tristeza quando acabam.]
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A sexta estrofe é falada pelo Mestre em sua Perfeita Sabedoria relativa ao conselho de Devala para Narada :

Tanto mais sabiamente falou Devala Negro :
“Ninguém pior qu'aquele que se curva ao jugo dos sentidos.”
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Então Sarabhanga falou aconselhando, “Narada, escute isto : aquele que não faz logo o quê deve ser feito, deve chorar e se lamentar como o jovem que foi para a floresta,” e assim contou uma velha história.
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Certa vez em uma certa vila de Kasi havia um certo jovem brahmin, belo, forte, corajoso como um elefante. Seus pensamentos eram, “Por quê devo cuidar de meus pais trabalhando numa fazenda, ou ter esposa e filhos, ou fazer obras boas de caridade e assim por diante ? Não vou cuidar de ninguém nem fazer obra boa ; mas vou para a floresta e me manterei matando cervos.” Assim com os cinco tipos de armas ele foi para o Himalaia e matou e comeu muitos cervos. Na região do Himalaia ele encontrou um grande desfiladeiro, cercado de montanhas, as margens do rio Vidhava e lá viveu da carne de cervos mortos, cozida em carvões. Ele pensou, “Nem sempre serei forte ; quando ficar fraco não serei capaz de vagar pela floresta : vou agora dirigir vários tipos de animais para este desfiladeiro, fechá-los com um portão e então sem vagar pela floresta matarei e comerei a bel prazer :” e assim ele fez. O tempo passando por ele fez com que acontecesse justamente o quê ele previra e a experiência de todo o mundo caiu sobre ele : perdeu controle sobre suas mãos e pés, não podia se mexer livremente para cá e lá, não podia achar sua comida e bebida, seu corpo secou, se tornou um fantasma de ser humano, apresentando rugas cortando seu corpo como a terra em estação seca ; doente e mal estruturado, tornou-se muito miserável. Desde modo passando o tempo, o rei de Sivi ( Sibi ) ( famoso por ter pesado o pombo para o falcão) ( Indra / Sakra e Matali disfarçados), chamado Sivi ( Sibi ), teve desejo de comer um churrasco na floresta : então passou o governo para os ministros, e com os cinco tipos de armas foi para a floresta e comeu carne de cervo que ele matou : com o tempo chegou naquele lugar e encontrou aquele homem. Apesar de temeroso, juntou coragem e perguntou quem ele era. “Senhor, sou um fantasma de ser humano, colhendo os frutos dos atos que fiz : quem és tu?” “ O rei de Sivi ”. “ Por quê vieste para cá ?” “Para comer carne de cervo.” Ele disse, “Grande rei, me tornei um fantasma de ser humano porque vim para cá com este objetivo,” e contando toda a história e explicando sua infelicidade ao rei, ele falou as estrofes restantes :-

Rei, acontece comigo como se estivesse em luta amarga com inimigos,
Trabalho e habilidade nas mãos, uma casa em paz, esposa,
Tudo foi perdido por mim : minhas obras carregam frutos nesta vida.

Sou o pior mil vezes, sem amigos e destituído de esteio,
Desviado da lei da retidão, como fantasma desfaleço.

Este é o meu estado porque causo, ao invés de alegria, dor :
Cingido como que com chamas de fogo, não tenho felicidade.

Com isto ele adicionou, “ Ó rei, devido ao desejo de felicidade causei miséria a outros e me tornei nesta vida mesmo um fantasma de ser humano : não faça gestos ruins, vá para tua cidade e faça obras boas de caridade e semelhantes.” O rei fez isto e completou seu caminho para o céu.
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O asceta levantou-se com o relato deste caso pelo professor Sarabhanga. Ele ficou agitado e após saudar e ganhar o perdão de seu professor, por procedimentos próprios reganhou o poder da meditação que tinha perdido. Sarabhanga recusou deixá-lo lá e o levou de volta para seu próprio eremitério.
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Após a lição o Mestre declarou as Verdades e identificou o Jataka :- após as Verdades o Irmão relapso foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho :- “Naquele tempo Narada era o Irmão relapso, Salissara era Sariputra, Mendissara era Kassapa, Pabbata era Anuruddha, Kaladevala era Kaccana, Anusissa era Ananda, Kisavaccha era Mooggaallaana e Sarabhanga era eu mesmo.”




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

422 Buddha Brahmin Kapila


               Imagen de Ajanta, Índia


422
“Direito insultado pode insultar ... etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo a Devadatra ter sido engulido pela terra. Um dia discutiam no Salão da Verdade como Devadatra falou falsamente, afundou no solo e tornou-se destinado ao ínfero Avici. O Mestre veio e escutando o tema da conversa, disse, “Esta não é a primeira vez que ele afunda na terra,” e então contou um conto antigo.
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Certa vez, na primeira era, houve um rei chamado Mahasammata, cuja vida foi de um milhão de anos. Seu filho foi Roja, o filho deste foi Vararoja e então em sucessão foi Kalyana, Varakalyana, Uposatha, Mandatha, Varamandatha, Cara, Upacara, que também era chamado Apacara. Ele reinava no reino de Ceti, na cidade de Sotthivati ; era dotado com quatro faculdades sobrenaturais – podia andar e passar através dos ares, tinha quatro anjos em cada um dos quatro pontos cardiaispara defendê-lo com espadas desembainhadas, seu corpo difundia a fragrância do sândalo e sua boca difundia a fragrância do lótus. Seu capelão chamava Kapila. O irmão mais novo deste brahmin, Korakalamba, estudava junto com o rei com o mesmo professor sendo portanto colega do rei. Quando Apacara era príncipe, ele prometeu fazer de Korakalamba seu capelão quando se tornasse rei. Com a morte do pai, ele se tornou rei, mas podia depor Kapila da posição de sacerdote da família : e quando Kapila apresentou-se a ele, mostrou-lhe honras especiais. O brahmin notou isto e considerou que o rei administrava melhor com pessoas de sua mesma idade e que ele mesmo devia deixar o rei e tornar-se asceta, de modo que disse, “Ó rei, estou envelhecendo ; tenho um filho em casa : faça-o capelão e qu'eu vou me tornar asceta.” Ele teve a permissão do rei e fez seu filho ser indicado capelão : ele então foi para o parque real, tornou-se asceta, alcançou conhecimento transcendental e lá vivia, perto do filho. Korakalamba ( Korakalambaka ) ficou ressentido com o irmão por não tê-lo indicado ao posto de sacerdote da família real quando tornou-se asceta. Um dia o rei lhe disse em conversa amigável, “Korakalambaka, você não é o capelão da família real ?” “Não, Ó rei : meu irmão manejou isto.” “Seu irmão não se tornou asceta ?” “Tornou-se mas passou o posto para o filho.” “Então maneje você agora.” “Ó rei, me é impossível apartar meu irmão e tomar o posto que vem por descendência.” “Se é assim, te farei senior e ele passa a ser júnior.” “Como, Ó rei ?” “Com uma mentira.” “Ó rei não sabes que meu irmão é 'máyaico', dotado de grande poder sobrenatural ? Ele te enganará com ilusões 'máyacas' : ele fará teus quatro anjos desaparecerem e fará como se um odor ruim saísse de tua boca e de teu corpo, ele te fará descer do céu e ficar no chão : você ficará como se engulido pela terra e não capz de enfrentá-lo com tua história.' “Não se preocupe ; cuidarei disto.” “Quando farás isto, Ó rei ?” “No sétimo dia a partir de ho-je.” A história circulou a cidade, “O rei irá com uma mentira fazer o senior junior e dará o posto ao junior : que é uma mentira ? É azul ou amarela ou de outra cor ?” A multidão considerava diligentemente isto. Era era, dizem, quando o mundo falava a verdade : as pessoas não sabiam o quê a palavra 'mentira' significava. O filho do sacerdote escutou o conto e disse ao pai, “Pai, eles dizem que o rei através de uma mentira fará de você júnior e dará nosso posto a meu tio.” “Meu caro, o rei não será capaz de, mesmo com uma mentira, tirar nosso posto : em que dia ele fará isto ?” “No sétimo dia a partir de ho-je, dizem.” “Me fale quando chegar o mopmento.” No sétimo dia uma grande multidão reuniu-se no jardim do rei sentando em fileiras uma acima da outra, desejosos de ver uma mentira. O jovem sacerdote foi e contou ao pai. O rei aprontara-se em trajes completos, apareceu e ficou nos ares no jardim no meio da multidão. O asceta veio pelos ares, estirou sua pele assento diante do rei, sentou em seu trono nos ares e disses, “É vero, Ó rei, que desejas através de uma mentira fazer do junior senior e dar a ele o posto ?” “Mestre, fiz isto.” Então ele admoestou o rei, “Ó grande rei, uma mentira é uma dolorosa destruição das boas qualidades, ela causa renascimentos nos quatro estados ruins ; um rei que mente destrói o direito e destruindo o direito ele é ele mesmo destruído :” e falou a primeira estrofe :-

Injúria ao Direito pode injuriar severamente, retribui-se com injúria ;
Portanto ao Direito nunca se deve injuriar, para que o dano não retorne a ti.

Aconselhando-o ainda mais disse, “Grande rei, se mentires teus quatro poderes sobrenaturais desaparecerão,” e falou a segunda estrofe :-

Os poderes divinos abandonam e deixam o homem que fala uma mentira,
Cheiro ruim sae de sua boca, ele não consegue manter seu pé no céu :
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Escutando isto, o rei, temeroso, olhou para Koralambaka. Ele disse, “Nada tema, ó rei ; não te disse antes que ocorreria isto ?” e dai em diante. Orei, apesar de escutar as palavras de Kapila, ainda assim pronunciou sua declaração, “Senhor, tu és o mais novo, Koralambaka o mais velho.” Naquele mesmo momento em que pronunciou a mentira, os quatro anjos disseram que não mais guardariam um tal mentiroso, atirando suas espadas aos pés dele e desaparecendo ; sua boca ficou fétida como um ovo estragado quebrado e seu corpo como esgoto aberto ; e descendo do céu ele pousou na terra : assim todos os seus quatro poderes sobrenaturais desapareceram. Seu sacerdote chefe disse, “Grande rei, nada tema : se falares a verdade, restaurarei tudo para ti,” e assim falou a terceira estrofe :-

Uma palavra verdadeira e todos teus dons, Ó rei, reganharás :
Uma mentira te fixará no solo de Ceti remanescendo.

Ele disse, “Olhe, Ó grande rei : aqueles quatro poderes sobrenaturais teus desapareceram por causa de tua mentira : considere, pois é possível restaurá-los .” Mas o rei respondeu, “Você quer me enganar com isto,” e assim falando uma segunda mentira ele afundou na terra até os tornozelos. Então o brahmin disse uma vez mais, “Considere, Ó grande rei,” e falou a quarta estrofe:-

Seca vem a ele no tempo da chuva, chuva quando devia estar seco,
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Então novamente ele disse, “Devido a tua mentira afundaste na terra até os tornozelos: considere, Ó grande rei,” e falou a quinta estrofe :-

Uma palavra verdadeira e todos teus dons, Ó rei, reganharás :
Uma mentira afundar-te-ás no solo de Ceti remanescendo.

Mas pela terceira vez o rei disse, “Tu és júnior e Korakalambaka é o mais velho,” e com esta mentira ele afundou no chão até os joelhos. Uma vez mais o brahmin disse, “Considere, Ó grande rei,” e falou duas estrofes :-

Ó rei, a pessoa é de língua forcada e como uma serpente dissimulada
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Uma palavra verdadeira e todos teus dons, Ó rei, reganharás :
Uma mentira afundar-te-ás ainda mais em Ceti remanescendo.

somando, “Mesmo agora tudo ainda pode ser restaurado.” O rei, sem considerar suas palavras, repetiu a mentira pela quarta vez, “Tu és junior, Senhor, e Korakalambaka é mais velho,” e com estas palavras ele afundou até os quadris. Novamente o brahmin disse, “Considere, Ó grande rei,” e falou duas estrofes :-

Ó rei, a pessoa é como peixe, e sem língua,
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Uma palavra verdadeira e todos teus dons,Ó rei, reganharás :
Uma mentira afundar-teás ainda mais em Ceti remanescendo.

Pela quinta vez o rei repetiu a mentira e em quanto o fazia ele afundava até o umbigo . O brahmin mais uma vez apelou para que ele considerasse e falou duas estrofes :-

Meninas apenas nascerão dele, nenhum menino verá,
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Uma palavra verdadeira e todos teus dons, Ó rei, reganharás :
Uma mentira afundar-te-ás ainda mais em Ceti remanescendo.

O rei não deu nenhuma atenção e repetindo a mentira pela sexta vez afundou até o peito. O brahmin apelou ainda uma vez e falou duas estrofes :-

Seus filhos não ficarão com ele, eles fogem para todo lado,
Quem quer que questionado responde falsidade intencionalmente.

Uma palavra verdadeira e todos teus dons, Ó rei, reganharás :
Uma mentira afundar-te-ás ainda mais em Ceti remanescendo.

Devido associação com um amigo ruim, ele não deu atenção às palavras e repetiu a mesma mentira pela sétima vez. Então a terra abriu e as chamas de Avici saltaram e pegaram ele.
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Imprecado por um sábio, o rei que antes podia andar pelos ares, dizem,
Perdeu-se e foi engulido pela terra no mesmo dia.

Portanto o sábio não aprova
Quando desejo cae no coração :
Aquele que é livre d'engano, cujo coração é puro,
Tudo que ele diz é firme e seguro.

Estas são duas estrofes inspiradas pela Perfeita Sabedoria.
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A multidão disse temerosa, “O rei de Ceti confrontou o sábio e disse uma mentira ; assim ele entrou em Avici.” Os cinco filhos do rei vieram até o brahmin e disseram, “Sejas tu nosso refúgio.” O brahmin respondeu, “Teu pai destruiu o Direito, ele mentiu e afrontou um sábio : e entrou em Avici. Se Direito é destruído, ele destrói. Não podes morar aqui.” Ao mais velho ele disse, “Venha caro : deixe a cidade pelo portão leste e siga reto : verás um elefante branco real prostrado, tocando a terra em sete lugares ( com as presas, a tromba e as quatro patas ) : este será o sinal para ti erigir uma cidade lá e morar nela : e o nome dela será Hatthipura.” Ao segundo príncipe ele disse, “Você saia pelo portão sul e vá direto até você ver um cavalo puro branco real : este será o sinal para você erigir uma cidade lá e nela habitar : e será chamada Assapura.” Ao terceiro príncipe ele disse, “Você deixe a cidade pelo portão oeste e vá reto até você ver um leão com juba ; este será o sinal para você construir uma cidade lá e nela morar : e será chamada Sihapura .” ao quarto príncipe ele disse, “Você deixe a cidade pelo portão norte e vá reto até ver um aro de roda feito todo de jóias : estes será o sinal que eregira´s uma cidade lá e morarás nela : e chamará Uttarapañcala.” Ao quinto disse, “Tu não podes morar aqui : construas um grande santuário nesta cidade, saia em direção ao noroeste e vá reto até ver duas montanhas batendo uma na outra e fazendo o som da daddara : este será o sinal de que construirás uma cidade lá e morarás nela : e chamará Daddarapura.” Todos os quatro príncipes saíram e seguindo os sinais levantaram cidades e moraram nelas.
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Após a lição, o Mestre disse, “Então, Irmãos, esta não é a primeira vez que Devadatra contou uma mentira e afundou na terra,” e ele então identificou o Jataka : “Naquele tempo o rei de Ceti era Devadatra e o brahmin Kapila era eu mesmo.”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

421 Buddha rei Udaya



                  pintura de Ajanta, Índia

421
“Carvão como da terra...etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo a guarda de dias santos na semana. Um dia o Mestre se dirigiu a irmãos leigos que guardavam dias santos e disse, “Irmãos leigos, a conduta de vocês é boa ; quando as pessoas guardam dias santos, elas devem fazer ofertas, manter os preceitos morais, nunca mostrar raiva, ser gentil e fazer as obrigações do dia : sábios antigos ganharam grande glória mesmo guardando parcialmente os dias santos :” e com o pedido deles, contou um conto antigo.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares ( Varanasi ), havia um rico mercador naquela cidade chamado Suciparivara, cuja riqueza atingia oitocentos milhões e que deliciava-se em fazer caridade e outras obras boas. Sua esposa e filhos, toda sua casa dos empregados até o gado guardavam seis dias santos todo mês. Naquele tempo o Bodhisatva nascera numa certa família pobre e vivia vida dura com salários de operário. Na esperança de conseguir trabalho ele chega até a casa de Suciparivara : saudando-o e sentando em um dos lados, foi questionado sobre sua vinda e respondeu, “É para pedir trabalho por salário em tua casa.” Quando outros trabalhadores vinham a ele, o mercador costumava dizer a eles, “Nesta casa os trabalhadores guardam os preceitos morais, se vocês os guardam podem trabalhar para mim :” mas ao Bodhisatva ele nem fez menção de indicar os preceitos morais mas disse, “Muito bem, meu bom homem, podes trabalhar para mim que arranjamos os salários.” Daí em diante o Bodhisatva fez todo o trabalho do mercador mansa e dedicadamente, sem pensar no próprio cansaço ; ia cedo para o trabalho e voltava à noitinha. Um dia proclamaram um festival na cidade. O mercador disse a uma empregada, “Este é um dia sagrado : deves cozinhar algum arroz para os trabalhadores de manhã : eles se alimentarão cedo e jejuarão o resto do dia.” O Bodhisatva levantou-se cedo e foi para seu trabalho : ninguém lhe disse para jejuar aquele dia. Os outros trabalhadores comeram de manhã e depois jejuaram : o mercador e sua esposa, filhos e empregados mantinham o jejum : todos foram, cada qual para sua casa, e lá sentaram meditando nos preceitos morais. O Bodhisatva trabalhou todo dia e veio para casa ao crepúsculo. A cozinheira deu a ele água para as mãos e ofereceu num prato arroz retirado do fogão. O Bodhisatva disse, “A esta hora sempre há uma grande barulhada em dias normais : onde foram todos ho-je ?” “Estão todos guardando jejum , cada qual em sua própria casa.” Ele pensou, “ Não serei a única pessoa fora de conduta diante de tantas pessoas com conduta moral :” ele foi então e perguntou ao mercador se o jejum podia ser guardado inteiramente realizando-se a obrigação do dia naquela hora. Ele respondeu que o dever inteiro não podia ser guardado porque não foi realizado de manhã ; mas metade do dever podia. “Que seja tanto então,” ele respondeu e fazendo o dever na presença de seu mestre (patrão) ele começou a guardar jejum e indo para sua casa, deitou meditando nos preceitos. Ele não comeu nada o dia todo e na última vigília ele sentiu dores como de uma ferida de lança. O mercador trouxe para ele vários remédios e disse para tomá-los : mas ele disse, “Não quebrarei o meu jejum : realizo-o apesar de custar minha vida.” A dor tornou-se intensa e àurora ele estava perdendo consciência. Disseram a ele que estava morrendo e levando-o para fora colocaram-no num lugar afastado. Neste momento o rei de Benares em uma nobre carruagem com um grande séquito alcançava aquele lugar no seu progresso (circumbulação) ao redor da cidade. O Bodhisatva, vendo o esplendor real, sentiu desejo de realeza e rezou por isto. Morrendo, foi concebido novamente, em consequência de estar mantendo meio dia de jejum, no útero da rainha principal. Ela seguiu a cerimônia de gravidez e deu à luz um filho após dez meses. Ele foi chamado príncipe Udaya. Quando ele cresceu tornou-se perito em todas as ciências : com sua memória de vidas passadas ele soube de seu gesto anterior de mérito e pensando ser um grande prêmio para uma ação pequena, cantou a canção do ênstase repetidas vezes. Com a morte de seu pai ele ganhou o reino e observando sua própria grande glória ele cantava a mesma canção do ênstase. Um dia aprontaram a cidade para um festival. Uma grande multidão queria se divertir. Um certo carregador d'água que vivia no portão norte de Benares, escondera meio centavo em um tijolo no muro fronteiriço. Ele vivia com uma pobre mulher que também ganhava a vida carregando água. Ela disse a ele, “Meu senhor, há um festival na cidade : se tens algum dinheiro, vamos nos divertir.” “Eu tenho querida.” “Quanto ?” “Meio centavo.” “Onde está ?” “Em um tijolo junto do portão norte, doze léguas daqui guardei o meu tesouro : mas e você, tens algo em mãos ?” “Tenho.” “Quanto ?” “Meio centavo.” “Então o teu mais o meu juntos fazem um centavo inteiro : compraremos uma guirlanda com parte dele, perfume com outra e bebida forte com uma terceira : vá e pegue teu meio centavo de onde colocaste.” Ele estava deliciado em realizar a ideia sugerida pelas palavras de sua esposa e disse, “Nada tema querida, vou apanhá-lo,” e partiu. O homem era forte como um elefante : ele seguiu mais de seis léguas e pensava ser meio dia e caminhava n'areia quente como se carvão em brasa estivesse espalhado nela, ele estava deliciado co o desejo de ganho e em velhas roupas amarelas com um pedaço de folha de palmeira amarrado n'orelha (ornamento d'época), ele passava pela corte do palácio buscando seu intuito, cantando uma canção. Rei Udaya estava na janela aberta e vendo-o vindo cogitava quem seria, quem desconsiderando o vento e o calor seguia cantando alegre e enviou um empregado para chamá-lo para cima. “O rei te chama,” foi-lhe dito : mas ele disse, “Que é o rei para mim ? Não conheço o rei.” Ele foi levado à força e permaneceu em um dos lados. Então o rei falou duas estrofes questionando :-

A terra como carvão, o chão como brasas quentes :
Tu cantas tua canção, o calor grande não te queima.

O sol acima, areia abaixo estão quentes :
Tu cantas tua canção , o calor grande não te queima.

Escutando as palavras do rei ele falou a terceira estrofe :-

São os desejos que queimam, não o sol :
São todas estas tarefas urgentes que devem ser realizadas.

O rei perguntou qual era o negócio. Ele respondeu, “Ó rei. Vivo junto ao portão sul com uma mulher pobre : ela propôs que nós dois devíamos nos divertir no festival e perguntou s'eu tinha algo em mãos : disse a ela que tinha um tesouro guardado no muro junto ao portão norte : ela me mandou buscar para que possamos nos divertir : estas palavras dela nunca deixam meu coração e quando penso nelas o calor do desejo me queima : este é meu negócio.” “Então o quê te delicia tanto que você desconsidera vento e sol e cantes enquanto caminhas ?” “Ó rei, canto pensando que quando pegar meu tesouro me divertirei com ela.” “Então, meu bom homem, é o seu tesouro escondido junto do portão norte, de cem mil dinheiros ?” “Oh, não.” Então o rei perguntou sucessivamente se era cinquenta mil, quarenta, trinta, vinte, dez, cinco, quatro, três, dois dinheiros, um dinheiro, meio dinheiro, um quarto de dinheiro, quatro centavos, três, dois, um centavo. O homem disse, “Não” para todas estas questões e então, “É meio centavo : na realidade, Ó rei, este é todo o meu tesouro : mas sigo na esperança de pegá-lo e me divertir com ela : e neste desejo e delícia o vento e o sol não me incomodam.” O rei disse, “Meu bom homem, não vá até lá com tanto calor : te darei meio centavo.” “Ó rei, acredito no senhor e em sua oferta mas não perderei a outra parte : não desistirei de ir lá e buscar o outro também.” “Meu bom homem, fique aqui : te darei um centavo, dois meio centavos :” então oferecendo mais e mais atingiram a cifra de dez milhões ( um crore ), cem crores, riqueza sem limites, se o homem permanecesse. Mas ele sempre respondia, “Ó rei, aceitarei mas pegarei o outro também.” Então ele foi tentado com ofertas de posto de tesoureiro e postos de vários tipos e posição de vice-rei : por fim foi oferecido metade do reino se ele ficasse. Então ele consentiu. O rei disse a seus ministros, “Vão, façam a barba nele, banhem-no e o adornem e tragam-no de volta.” Eles fizeram isto. O rei dividiu seu reino em dois e deu metade para ele : mas dizem que ele ficou com a metade norte por amor a seu meio centavo. Ele foi chamado rei Meio Centavo. Eles legislaram o reino em amizade e harmonia. Um dia eles foram juntos para o parque. Depois de divertirem-se, rei Udaya deitou com a cabeça no colo do rei Meio centavo. Ele dormiu, enquanto os empregados iam pra lá e pra cá em seus divertimentos. Rei Meio Centavo pensou, “Por quê devo sempre ter somente meio reino ? Vou matá-lo e ser rei único :” e assim desembainhou a espada mas pensando em golpeá-lo lembrou-se o quê rei fez para ele, quando pobre e despossuído, tornando-o seu parceiro e estabelecendo-o em grande poder e que o pensamento que surgiu em sua mente para matar tal benfeitor era um pensamento ruim : embainhou a espada novamente. Uma segunda e terceira vez o mesmo pensamento surgiu. Sentindo que este pensamento, surgindo novamente, levaria-o a um ato vil, jogou a espada longe no chão e acordou o rei. “Perdoe-me, Ó rei,” ele disse e caiu a seus pés. “Amigo, não me fizeste nenhum mal.” “Fiz, Ó grande rei : fiz tal e tal coisa.” “Então, amigo, te perdoo : se desejas, rei único sejas e te servirei como vice-rei.” Ele respondeu, “Ó rei, não tenho necessidade do reino, tal desejo causará que eu renasça em estados ruins : o reino é teu, tome-o : me tornarei asceta : vi a raiz do desejo, ele cresce a partir da vontade do ser humano, de agora em diante não terei tais desejos,” e então em ênstase ele falou a quarta estrofe :-

Vi tuas raízes, Desejo : na vontade do próprio ser humano elas descansam.
Não terei mais vontade de ti e tu Desejo, morrerás.

Assim falando, ele pronunciou a quinta estrofe declarando a lei para uma grande multidão de devotos dos desejos :-

Pouco desejo não é suficiente e muito traz apenas dor :
Ah ! Tolas pessoas : sejam sóbrias, amigas, se ganhares sabedoria.

Então declarando a lei para uma multidão, ele confiou o reino a rei Udaya : deixando a multidão chorando com lágrimas nas faces, ele foi para o Himalaia, tornou-se asceta e alcançou insight perfeito. No tempo em que se tornou asceta, rei Udaya falou a sexta estrofe em completa expressão de ênstase :-

Pouco desejo me trouxe todo o fruto,
Grande é a glória que Udaya ganha ;
Poderoso é o ganho de alguém resoluto
Em se tornar um Irmão e desejos abandona.

Ninguém entendeu o significado desta estrofe. Um dia a rainha principal perguntou-o ao rei. O rei não quis dizer. Havia um certo barbeiro da corte, chamado Gangamala, que quando atendendo ao rei costumava usar primeiro a navalha e depois pegar os cabelos com as tesouras. O rei gostava da primeira operação mas a segunda doía : na primeira ele daria ao barbeiro um dom e na segunda cortaria a cabeça dele. Um dia contou à rainha sobre isto, dizendo que seu barbeiro da corte era um tolo : quando ela perguntou o que ele queria fazer, ele respondeu, “Usar as tesouras primeiro e depois a navalha.” Ela mandou chamar o barbeiro e disse, “Meu bom homem, quando estiveres cortando a barba do rei deves primeiro pegar os cabelos com as tesouras e depois usar a navalha : então se o rei te oferecer um dom, você deve dizer que nada quer a não ser saber o significado da canção dele : se fizeres isto, te darei muito dinheiro.” Ele concordou. Dia seguinte quando ele barbeava o rei, pegou primeiro as tesouras. O rei disse “Gangamala, esta moda sua é nova ?” “Ó rei,” ele respondeu, “barbeiros lançam moda;” e ele pegou primeiro os cabelos do rei com as tesouras e depois usou a navalha. O rei ofereceu a ele um dom. “Ó rei, nada quero a não ser que me digas o significado de tua canção.” O rei envergonhado em dizer declarar qual era sua ocupação nos dias de pobreza disse, “Meu bom homem, qual utilidade de tal dom ? Escolhe outra coisa :” mas o barbeiro pedia isto. O rei, temendo quebrar sua palavra, concordou. Como descrito no Jataka 415 ele fez todos os arranjos e sentou em um trono em jóias e contou toda a história do seu ato de mérito em sua última existência naquela cidade. “Isto explica,” ele disse, “metade da estrofe : para descansar, meu camarada tornou-se asceta : eu em meu orgulho sou rei único agora e isto explica a segunda metade da minha canção de ênstase.” Escutando-o o barbeiro pensou, “então o rei conseguiu toda esta glória por guardar meio dia de jejum : virtude é o caminho reto : e s'eu me tornar um asceta e exercitar minha própria salvação ?” Ele deixou todos os parentes e bens terrenos, ganhou permissão do rei para tornar-se religioso e indo para o Himalaia tornou-se asceta, entendeu as três qualidades das coisas mundanas, ganhou insight perfeito e tornou-se pacceka buddha. Ele tinha uma tigela e hábitos feitos de poder sobrenatural. Após passar cinco ou seis anos na montanha Gandhamadana, já pacceka buddha, veio através dos ares e sentou no parque. O rei foi logo saudar o pacceka buddha : e a rainha mãe saiu acompanhou seu filho. O rei entrou no parque, saudou-o e sentou em um lado com seu séquito. O pacceka buddha falou com ele de modo amigável, “Brahmadatra” ( chamando-o pelo nome da família ), “és diligente, legislando o reino retamente, fazendo caridade e outras obras boas ?” A rainha mãe ficou irada. “Este casta baixa lavador de cabelo não conhece seu lugar : ele chama meu filho bem nascido de Brahmadatra,” e ela falou a sétima estrofe :-

Penitência certamente, fazem as pessoas deixarem seus pecados,
Dos barbeiros, dos oleiros, nomeiem todos :
Através da penitência Gangamala glória ganhou,
E 'Brahmadatra' agora ele chama meu filho.

O rei confrontou sua mãe e declarando as qualidades do pacceka buddha, falou a oitava estrofe :-

Olhem ! Como, em qualquer momento que sua morte ocorrer,
Humildade traz a uma pessoa seu fruto !
Alguém que inclinou-se diante de todos,
Reis e lordes agora devem saudar.

Apesar do rei confrontar sua mãe, o resto da multidão levantou-se e disse, “Não é decente que tal pessoa de casta baixa deva chamar-te pelo nome deste jeito.” O rei censurou a multidão e falou a última estrofe declarando as virtudes do pacceka buddha :-

Não zombem assim de Gangamala,
Perfeito nos caminhos da religião :
Ele cruzou as ondas do sofrimento,
Livre de tristeza agora ele vaga.

Assim falando o rei saudou o pacceka buddha e pediu a ele que perdoasse a rainha mãe. O pacceka buddha fez isto e os seguidores do rei também ganharam o perdão. O rei desejava que ele prometesse que ficaria na vizinhança : mas ele recusou e pousado nos ares diante dos olhos de toda a corte e aconselhou o rei e partiu para Gandhamadana.
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Após a lição o Mestre disse, “Irmãos leigos, vejam como fazer jejum é algo que deve ser feito,” e identificou o Jataka : “Naquele tempo o pacceka buddha entrou no nirvana, rei Meio Centavo era Ananda, a rainha principal era a mãe de Rahula, rei Udaya era eu mesmo.”





quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Taxila ( Takkasila )


O que sobrou deste grande centro espiritual lá onde ho-je é o Paquistão.