segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

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Se nesta fé, etc. ” Esta lição foi dada pelo Bento quando em Sāvatthi, também sobre um Irmão que desistiu de perseverar.
Pois, quando o indivíduo foi trazido pelos Irmãos exatamente como no caso anterior, o Mestre disse, “Você, Irmão, depois de dedicar-se a esta gloriosa doutrina que concede Caminho e Fruto, desiste de permanecer, sofrerá, como o mascate de Seri que perdeu uma tigela de ouro válida cem mil dinheiros.”
Os Irmãos pediram ao Abençoado que contasse a história para eles. Bento des-cobriu a coisa encoberta pelo re-nascer.

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Certa vez no reino de Seri, cinco eras / éons atrás, o Bodhisatva lidava com potes e panelas, e era chamado ‘o Serivan.’ Na companhia de outro comerciante nas mesmas mercadorias, sujeito ganancioso que também era conhecido como ‘o Serivan,’ veio a atravessar o rio Telavāha e entrou na cidade de Andhapura. Dividindo as ruas entre eles, saiu mascateando suas mercadorias na sua região, e o outro na da dele.
Bem nesta cidade havia uma família decadente. Antes tinham sido ricos mercadores mas nos dias de nossa história tinham perdido todos os filhos e irmãos e toda a riqueza. As únicas sobreviventes eram uma garota e sua avó, e elas sobreviviam trabalhando por salário. Contudo, ainda tinham em sua casa a tigela de ouro em que nos dias passados o grande mercador, a cabeça da família, usava comer; mas foi atirada entre os potes e panelas, e estando muito tempo fora de uso, estava cinzenta de sujeira, de modo que as duas mulheres não sabiam que era ouro. À porta da casa delas, bate o mascate ganancioso em sua ronda, gritando, “Potes d’água pra vender ! Potes d’água pra vender!” E a garota, quando viu que ele lá estava, disse para ‘ avó, “Ah, vó, deixa eu comprar uma bijuteria!” “Nós somos muito pobres, querida; o quê ofereceremos em troca?” “Pois eis aqui esta tigela que não nos serve. Troquemos por isto.”
A velha mulher fez o mascate entrar e sentar, e deu a ele a tigela, dizendo, “Pegue isto, senhor, e seja bom dando à sua irmã uma coisa ou outra em troca.” O mascate pegou a tigela na mão, virou-a, e, suspeitando que era ouro, fez um arranhão com uma agulha nas costas dela, de onde soube com certeza que era ouro. Então, pensando que teria o pote por nada em troca às mulheres, gritou, “Prego, qual o valor disto? Pois isto não vale meio centavo!” E em seguida jogando a tigela no chão, levantou da cadeira, e deixou a casa. Bem, como os dois mascates tinham concordado que a rua que um já tivesse passado o outro podia passar, o Bodhisatva veio àquela mesma rua e apareceu na porta da casa, gritando, “Potes d’água pra vender!” Novamente a garota fez o mesmo pedido à avó; e a velha mulher respondeu, “Minha querida, o primeiro mascate jogou a tigela no chão e fugiu daqui. O quê teríamos além para oferecer?”
“Ah, mas aquele mascate era grosseirão, vó querida; enquanto este aí parece calmo e de fala gentil. Muito provavelmente pegará a tigela.” “Chame-o então.” Assim ele entrou na casa, e deram-lhe uma cadeira e colocaram-lhe a tigela nas mãos. Vendo que a tigela era de ouro, ele disse, “Mãe, esta tigela vale cem mil dinheiros; não tenho este valor comigo.”
“Senhor, o primeiro mascate que veio aqui disse que não valia um centavo; e jogou a tigela no chão e saiu. Deve ter sido a eficácia de nossa bondade que transformou a tigela em ouro. Leve-
-a; dê-nos uma coisa ou outra por ela; e siga seu caminho.” Naquele momento o Bodhisatva tinha 500 dinheiros e um estoque de valor semelhante. Tudo isto deu a elas, dizendo, “Deixa eu ficar com minha balança, meu saco, e oito dinheiros.” E com o consentimento delas ele ficou com isto e partiu a toda velocidade para o rio onde deu as oito moedas ao barqueiro e saltou no bote. Subseqüentemente o mascate ganancioso volta à casa, e tendo pedido a elas que trouxessem a tigela disse que daria a elas uma coisa ou outra. Mas a velha mulher encolerizou-se com ele nestas palavras, “Você queria fazer parecer que nossa tigela de ouro válida cem mil dinheiros não valia meio centavo. Mas aqui veio um mascate reto (suponho, seu mestre), que nos deu mil dinheiros por ela e levou a tigela.”
Com isto ele exclamou, “Ele me roubou uma tigela de ouro válida cem mil dinheiros; ele me causou uma grande perda.” E tristeza intensa caiu sobre ele, de modo que perdeu auto-controle e tornou-se como um perturbado. Seu dinheiro e bens largou na porta da casa; tirou a roupa de cima e de baixo; e, armado com o eixo da balança como porrete, rastreou o Bodhisatva até o rio. Encontrando-o já atravessando, ele gritou ao barqueiro para voltar, mas o Bodhisatva disse-o que não o fizesse. Como ficasse lá vendo pasmo o Bodhisatva que retirava-se, tristeza intensa o tomou. Seu coração ferveu; sangue jorrou dos lábios e quebrou o coração como lama no fundo de um tanque, que o sol secou. Por causa da raiva que contraiu ao Bodhisatva, pereceu lá e então. (Esta foi a primeira vez que Devadatra concebeu rancor contra o Bodhisatva.) O Bodhisatva, após uma vida em caridade e boas obras, passou andando de acordo com seus méritos.

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Quando o Supremo Buddha terminou a lição, ele, Onisciente, pronunciou estas estrofes:-

Se nesta fé mostra-te remisso e falho
Em ganhar a meta a que leva seus ensinos,
- Então, como o mascate chamado ‘o Serivan,’
Arrepender-te-ás muito, do prêmio que tua loucura te fez perder.

Depois de ter assim feito seu discurso de modo a levar a Arahat(idade), o Mestre expôs as Quatro Verdades, no fim das quais o Irmão desanimado foi estabelecido no Fruto mais alto de todos, que é a Arahat(idade). E, depois de contar as duas histórias, o Mestre fez a conexão de ambas, e identificou o jātaka dizendo em conclusão, “Naqueles dias Devadatra era o tolo mascate; e eu mesmo era o sábio e bom mascate.”

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