domingo, 30 de dezembro de 2007

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Sem descansar, fundo cavaram,etc.” – Este discurso foi proferido pelo Bendito enquanto residia em Sāvatthi. Sobre quem, perguntarias? Sobre um Irmão que desistiu de perseverar. A Tradição diz que, quando Buddha residia em Sāvatthi, veio um scion [rebento de planta e fig. herdeiro real] duma família de Sāvatthi, que escutando um discurso do Mestre, entendeu que Luxúrias alimentam sofrer, e foi admitido no primeiro estágio da Irmandade. Após cinco anos passados na preparação àdmissão (entre os quinze e vinte anos) plena à Irmandade, quando aprendeu duas Sumas e treinado os métodos de Insight, ele obteve do Mestre um tema para meditação recomendado. Retirando-se para a floresta, lá passa a estação das chuvas; mas apesar de todo seu esforço durante os três meses, não desenvolveu um vislumbre nem uma alusão de Insight. Então veio-lhe o pensamento, “O Mestre disse que existem quatro tipos de pessoas, e eu devo pertencer ao mais baixo de todos ; me parece que neste nascimento não há nem Caminho nem Fruto para mim. Que bem farei vivendo na floresta? Voltarei para o Mestre, e viverei minha vida contemplando as glórias das presenças de Buddha e escutando a seus doces ensinos.” E voltou para Jetavana.
Então seus amigos e íntimos disseram, “Senhor, fostes tu que obtiveste do Mestre um tema para meditação e partiu para viver a vida solitária de um sábio. Mas voltaste para cá, e gozas da irmandade. Será que ganhaste a coroa da vocação de Irmão, e que nunca conhecerás o re-nascer?” “Senhores, como não ganhei nem Caminho nem Fruto, me considereii destinado à vaidade, e então desisti de perseverar e voltei.” “Fizeste mal, Senhor, em apresentar um coração fraco enquanto devoto de uma doutrina do Mestre destemido. Venha, levemo-o ao conhecimento do Buddha.” E levaram-o ao Mestre.
Quando o Mestre tomou conhecimento da vinda deles, ele disse, “Irmãos, vocês me trazem este Irmão contra a vontade dele. O quê ele fez?” “Senhor, após devotar-se a uma doutrina tão absolutamente verdadeira, este Irmão desistiu de perseverar em vida solitária de sábio, e voltou.” Então perguntou o Mestre à ele, “è verdade como dizem, que você, Irmão, desistiu de perseverar?” “É vero, Bento.” “Mas como aconteceu de após dedicar-se a tal doutrina, você, Irmão, pode mostrar-se não pessoa que pouco deseja, contente, solitário, e determinado, mas falto de perseverar? Não eras tu corajoso em dias passados? Não foi por você apenas, graças a tua perseverança, que em um deserto de areia pessoas e gado pertencentes a uma caravana de quinhentos carros obteve água e foi reanimada? E como, agora, você desisti?” Estas palavras foram suficientes para dar coragem àquele Irmão.
Escutando estas falas, os Irmãos perguntaram ao Abençoado, dizendo, “Senhor, a presente debilidade de coragem deste Irmão nos é clara ; mas escondida está de nós o conhecimento de como, pela perseverança desta única pessoa, gados e gente obtiveram água em deserto de areia e foram reanimados. É sabido apenas por ti que és onisciente; prego, fale-nos disto.” “Hearken, then, Brethren, Escutem, então, Irmãos,” disse o Bendito; e, tendo instigado a sua atenção, des-cobriu a coisa que o re-nascer escondia deles.
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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares em Kāsi o Bodhisatva nasceu numa família de mercadores. Quando ele estava crescido, usava viajar comercializando com 500 carros. Certa ocasião ele chegou num deserto de areia de cem quilômetros, a areia do qual era tão fina que, quando segura ela escapava pelos dedos do punho fechado. Logo que o sol levantava, ficava tão quente quanto uma cama de brasas de carvão e ninguém podia andar nele. Concordemente, aqueles que atravessavam usvam levar lenha, água, óleo, arroz, etc em seus carros, e viajavam apenas à noite. À aurora arranjavam os carros em círculo formando um acampamento, com um toldo por cima das cabeças, e após o café da manhã, sentavam à sombra por todo dia. Quando o sol saía, tomavam o lanche da tarde; e, logo que o chão ficava frio, usavam atrelar os carros e rodar para frente. Viajar neste deserto era como viajar no mar; um ‘piloto do deserto’, como chamavam, tinha que escoltá-los com conhecimento das estrelas. E deste jeito nosso mercador estava atravessando agora o deserto.
Quando ele tinha apenas mais dez quilômetros diante dele, pensou consigo mesmo, “À noite estaremos fora deste deserto de areia.” Assim, após terem se alimentado, ordenou que água e lenha fora jogado fora, e atrelando os carros, seguiu rodando na estrada. No carro da frente sentava-se o piloto num sofá olhando as estrelas no céu e dirigindo o curso a partir daí. Mas ele estava sem dormir a tanto tempo que caiu no sono, com resultado que não notou que o gado girou e voltou nos próprios passos. Toda noite ficou o gado neste caminho, mas à aurora o piloto acordou, e, observando a disposição das estrelas acima das cabeças, gritou, “Voltem com os carros! Voltem com os carros!” E enquanto giravam os carros e formavam-os em linha, o dia começou. “Pois aqui foi onde acampamos ontem,” gritavam as pessoas da caravana. “Toda nossa lenha e água foi-se, estamos perdidos.” Assim dizendo, eles desatrelaram os carros, fizeram acampamento e estenderam a lona acima das cabeças; então cada um afundou-se desesperado debaixo do próprio carro. Pensou o Bodhisatva consigo mesmo, “Se eu desisto todos perecerão.” Então ele rondou para cá e para lá enquanto ainda estava cedo e frio, até achar uma moita de grama kusa. “Esta grama,” ele pensou, “só ode ter crescido aqui graças a presença de água abaixo.” E então ordenou que pá fosse trazida e um buraco cavado naquele lugar. Sessenta côvados foram cavados, até que naquela profundidade a pá acertou uma rocha, e todos perderam a coragem. Mas o Bodhisatva, tendo certeza que havia água abaixo da rocha, desceu no buraco e ficou de pé em cima da rocha. Batendo, colocou o ouvido e escutou. Captando o som da água fluindo abaixo, saiu e disse a um jovem empregado, “Meu garoto, se você desistir, todos morreremos. Então tome ânimo e coragem. Desça no buraco com esta marreta de ferro e bata no rocha.”
Obediente ao pedido do patrão, o rapaz, resoluto enquanto todos os outros perderam ânimo, desceu e bateu na rocha. A rocha que servia de dique à corrente, dividiu-se em duas e caiu. Alta levantou-se a água no buraco até elevar-se como uma palmeira; e todos beberam e banharam-se. E picaram eixos e jugos sobressalentes e outros materiais a mais, cozinharam arroz e comeram, e alimentaram o gado. E logo que o sol se pôs, levantaram um bandeira ao lado do poço e viajaram para seu destino. Barganharam suas mercadorias pelo dobro ou quádruplo do valor. Com os lucros retornaram para casa, onde viveram o resto dos dias e no fim passaram para o além segundo seus méritos. O Bodhisatva também após vida em caridade e bons trabalhos, passou do mesmo modo de acordo com seus méritos.
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Quando o Supremo Buddha falou esta estória, ele, Aquele que Tudo Sabe, pronunciou esta estrofe:-

Sem descansar, fundo cavaram na trilha de areia
Até, no caminho pisado, água encontrarem:
Assim não deixem que o sábio, forte em perseverança,
Murche nem canse, até seu coração a Paz encontrar.

Terminado o discurso, pregou as Quatro Verdades, no final das quais o Irmão desanimado estava estabelecido no mais alto Fruto de todos, que é a Arahat(idade).
Tendo contado as duas histórias, o Mestre estabeleceu a conexão ligando as duas, e identificou o Jātaka dizendo:- “Este Irmão desanimado de ho-je era em dias anteriores o jovem empregado que, perseverando, quebrou a rocha e deu água para todo o povo; os seguidores de Buddha era o resto do povo da caravana; e eu mesmo era o líder.”

Um comentário:

LIBERATI disse...

Caro Zé, parabéns pelo seu blogue, agora sim, teremos o que ler sobre o grande Buda!
Um abraço