sexta-feira, 16 de julho de 2010

412 Sariputra Rei Roc

412

Carrego comigo..etc.” - O Mestre contou este conto enquanto residia em Jetavana, relativo a censura ao pecado. O incidente que leva a história, como o do jataka 370, é desconhecido (parece contudo ser aquele em que os quinhentos cavaleiros são reunidos à noite). Nesta ocasião o Mestre, percebendo os quinhentos Irmãos tomados pelos pensamentos de desejos na Casa de Calçada Dourada, reunindo àssembleia disse, “Irmãos, é certo desconfiar onde a desconfiança é apropriada ; pecados cercam as pessoas como banians e plantas tais crescem cercando uma árvore : deste velho modo, um espírito habitando o topo de um algodoeiro viu um pássaro evacuando sementes de banian que comera, entre os galhos do algodoeiro e ficou aterrorizado que sua residência com isto pudesse ser destruída :” e assim contou um conto(a) antigo.


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Certa vez quando Brahmadatra reinava em Benares, o Bodhisatva era um espírito d'árvore habitando o topo de um algodeiro. Um rei dos rocs (pássaro mítico) assumiu uma forma de cento e cinquenta léguas em extensão e dividindo àgua no grande oceano com o bater de suas asas, pegou pelo rabo um rei das serpentes com mil braças de extensão, e fazendo a serpente expelir o quê havia apanhado com a boca, voou por sobre os topos das árvores em direção ao algodoeiro. O rei serpente pensou, “Farei com que ele me largue e me deixe ir,” e assim prendeu sua crista em uma árvore banian e enrolou-se firmemente nela. Devido à força do rei-roc e ao grande tamanho do rei serpente, a banian foi desenraizada. O rei serpente contudo não largaria a árvore banian. O rei roc levando o rei serpente, árvore banian e tudo, para o algodoeiro, deixou-os no tronco, abriu sua boca e barriga e comeu a gordura. Depois ele atirou o resto da carcaça no mar. Bem, naquela banian havia um certo pássaro, que voou quando a banian foi jogada fora e pousou em um dos galhos altos do algodoeiro. O espírito d'árvore vendo o pássaro teve um choque e tremeu de medo pensando, “Este pássaro vai evacuar no meu tronco : um broto de banian ou de figo surgirá e se espalhará por toda a minha árvore : e assim minha casa será destruída.” Àrvore teve um choque até as raízes com o tremor do espírito. O rei roc percebeu o tremor e falou duas estrofes questionando a razão :-


Carrego comigo o rei serpente extenso mil braças :

Seu tamanho mais minha pesada massa tu suportaste sem estremecer.


Mas agora esta ave mínima tu amparas, bem pequena comparada comigo :

E tremes de medo apreensivo ; por quê, algodoeiro ?


A deidade falou quatro estrofes explicando a razão :-


Carne é tua comida, Ó rei : a da ave é fruta :

Sementes de banian e de figo ela lançará

E de árvore bo também e todo meu tronco poluirá ;


Crescerão árvores na proteção do meu caule,

E deixarei de ser árvore, assim escondida por elas.


Outras árvores, antes fortes de raiz e ricas em galhos, claramente mostram

Como as sementes que pássaros carregam destroem-nas até embaixo.


Plantas parasitas cobrirão mesmo a árvore poderosa da floresta :

Por isto, Ó rei, estremeci quando vi temeroso o que viria.


Escutando as palavras do espírito d'árvore, o rei roc falou a estrofe final :-


Temer é certo se a coisa é temível : contra o perigo que advém, guarda :

Sábios olham em ambos os mundos calmamente se apresentam temores, descarta.


Assim falando, o rei roc com seu poder enviou o pássaro para fora d'árvore.


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Após a lição, o Mestre declarou as Verdades, começando com as palavras : “é certo desconfiar quando desconfiança é apropriada,” e identificou o Jataka :- após as Verdades os quinhentos Irmãos foram estabelecidos na Santidade :- “Naquele tempo Sariputra era o rei roc e eu mesmo o espírito d'árvore.”

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