quinta-feira, 4 de maio de 2023

509 Buddha Hatthi pala


 

      Buddha cortando o cabelo e renunciando ao mundo em pedra de Barabudur, Indonesia.


509            Hatthi pala Jataka

 

          “Por fim vemos...etc.” – Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre a Renúncia. Então com estas palavras,- “Não é a primeira vez, Irmãos, que o Tathagata fez a Renúncia mas fez o mesmo antes,” – o Mestre então contou-lhes uma história do passado.

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         Certa vez reinava em Benares um rei chamado Esukari. Seu capelão desde os tempos da juventude é seu companheiro favorito. Ambos eram desfilhados, sem filhos, Quando os dois estavam sentados juntos um dia amigavelmente pensaram. “ Temos grande glória mas nem um filho ou uma filha; agora o que deve ser feito?” O rei então diz ao capelão, “Amigo, se um filho nascer em tua casa, ele deve ser senhor do meu reino; mas se eu tiver um filho, ele será o dono da tua riqueza.” Os dois fizeram uma barganha sobre isto nestes termos.

     Um dia, quando o capelão aproximava-se de suas vilas feudo e entrou pelo portão sul do lado de fora do portão ele viu uma mulher pobre que tinha muitos filhos: sete filhos ela tinha e todos fortes e saudáveis; um segurava panela e prato para cozinhar, um esteira e cama, um seguia a diante e outro o seguia, um segurava o dedo dela, um sentava no calo dela e outro no seu ombro. “Onde,” perguntou o capelão, “está o pai destas crianças ?” “Senhor,” ela respondeu, “as crianças não tem pai algum com certeza.” “Por que então” ele disse “como você conseguiu sete filhos como estes?” Sem considerar o resto da jângal ela apontou uma árvore banian  que estava ao lado do portão da cidade e cotejou ela, “Ofereci oração, Senhor, à deidade que habita esta árvore e ela me respondeu me dando estas crianças.” “Você pode ir então,” disse o capelão, e descendo da charrete, ele subia até àrvore e segurando um ramo o balançou dizendo, “Ó divindade, o que faltou ao rei te oferecer ? Ano após ano ele te oferece tributo de mil peças de dinheiro e tu não dás a ele nenhum filho. O que esta esposa mendicante fez para ti que você lhe dá sete ? Tu deves dar ao rei um filho dentro de sete dias ou eu te cortarei abaixo com as raízes te picando em pedaços.” Assim gritando à deidade da árvore banian ele sai fora. Dia após dia por seis dias ele fez o mesmo e no sexto, segurando um ramo, galho, ele disse – “Resta apenas uma noite, deidade d’árvore; se você não der um filho ao meu rei, para baixo virás!”

 

           A deidade d’árvore refletiu, até que entendeu exatamente qual era o problema. “Aquele brahmin lá” ela pensou, “destruirá minha casa se ele não tiver filho nenhum: bem, por que meios posso conseguir um filho para ele?”  Então ela foi para diante dos quatro grandes reis” e contou a eles. “Bem,” eles disseram, “nós não podemos dar ao homem um filho.” Foi em seguida aos vinte e oito senhores das guerras dos Duendes, e todos eles disseram a mesma coisa. |Ela foi então até Sakra rei dos deuses e contou a ele. Ele ponderou consigo mesmo: Deve o rei ter filhos dignos dele ou não? ” Então ele olhou ao redor e viu quatro merecedores filhos dos deuses. Estes, é dito, foram quatro tecelões de Benares; e todos os seus ganhos no comércio eles dividiam em cinco partes; destas, quatro eram as suas partes mesmas e a quinta eles doavam comunitariamente. Quando eles nasceram novamente saindo daquele lugar eles vieram para o Céu dos Trinta e Três e então novamente nasceram no mundo de Yama ( Terceiro dos Céus dos Sentidos, Hardy: Manual, p.25) (ou Dharma), então em devida sucessão eles passaram para baixo e para cima através dos seis mundos celestiais e gozaram de muita glória. Justo então era o momento que deveriam ir do Céu dos Trinta e Três para o Céu de Yama. Sakra foi procurá-los e os chamou e lhes disse, “Santos senhores, vocês devem ir para o mundo dos homens para serem concebidos no útero da consorte principal do Rei Esukari.” “ Tá bom meu senhor”, eles disseram para estas palavras “nós iremos. Mas nós não queremos ter nada a ver com a casa real: nasceremos na família do capelão e ainda jovens nós renunciaremos ao mundo.”  Então Sakra os aprovou por sua promessa  e retornou e contou tudo à deidade que vivia n’árvore. Muito agraciada, a deidade d’árvore pediu licença a Sakra e foi para sua residência.

        Mas dia seguinte veio o capelão e junto com ele homens fortes que ele reuniu tendo cada um machado e semelhantes. O capelão aproximou-se d’árvore e segurando um ramo, gritou – “Olá então, deidade d’árvore! Este é o sétimo dia desde que supliquei um favor para ti: o tempo da tua destruição chegou!”  A deidade d’árvore por seu grande poder fendeu, abriu, o tronco d’árvore e saiu fora e com doce voz dirigiu-se a ele assim: “Um filho brahmin? Ora! Te darei quatro.” Ele disse, “Não quero filhos; dê um ao meu rei.” “Não,” ela disse, “Darei apenas para você.” “Então dê dois ao rei e dois para mim.” “Não, o rei não deve ter nenhum filho, você deve ter todos os quatro; mas eles serão somente dados a você porque eles não viverão em casa mundana: nos dias de juventude ainda renunciarão ao mundo.” “Apenas me dê os filhos e eu verei para que não renunciem ao mundo,” disse ele. Assim a deidade agraciou seu pedido por crianças  e retornou para sua residência. Para sempre esta deidade foi tida em grande honra.

               Bem, o deus mais velho desceu e foi concebido pela esposa do brahmin. No seu dia de batismo o chamaram Hatthi pala o Condutor de Elefante;  e para afastá-lo da renúncia ao mundo, o confiaram aos cuidados de alguns guardadores de elefantes, entre os quais ele cresceu. Quando já estava velho o bastante para andar nos próprios pés, o segundo nasceu da mesma mulher. No nascimento o chamaram de Assapala, ou ‘cow boy’ e ele cresceu entre aqueles que guardavam cavalos. O terceiro no seu nascimento foi chamado Gopala, o pastor de vacas e ele cresceu entre os cuidadores de vaca. Ajapala ou rebanho de cabras era o nome do quarto quando também ele nasceu; e ele cresceu entre os pastores de cabras. Quando cresceram eram rapazes de presságios auspiciosos.

             Bem, por medo que eles renunciassem ao mundo, todos os ascetas que fizeram tal coisa foram banidos do reino; em todo o reino de Kasi não foi deixado nenhum. Os rapazes eram duros: em qualquer caminho que fossem eles pilhavam os dons cerimoniais que eram enviados para aqui e para lá.

           Quando Hatthipala estava com dezesseis anos, o rei e o capelão vendo sua perfeição corporal, pensaram assim com eles mesmos. “Os rapazes estão crescidos e grandes. Quando o parassol da realeza estiver levantado o que será feito com eles? – Assim que a cerimônia de aspersão for feita sobre eles, crescerão muito e impetuosamente: ascetas virão, eles o verão e se tornarão ascetas também; uma vez que tiverem feito isto, o país inteiro ficará em confusão. Primeiro vamos testá-los e depois faremos a cerimônia de aspersão.” Então ambos se vestiram quais ascetas e vagaram em busca de ofertas até que chegaram na porta da casa onde Hatthipala vivia. O rapaz ficou agraciado e deliciado em vê-los; aproximando-se, ele os saudou com respeito e recitou três estrofes:

 

                     Por fim vemos um brahmin qual um deus, com grande coque,

                     Com dentes não limpos e sujo de poeira e carregado com peso.

                    

                     Por fim vemos um sábio, que se delicia em retidão,

                     Com hábitos de casca d’árvore a cobri-los e com a roupa amarela.

 

                   Aceitem um assento e para seus pés água fresca; é correto

                   Oferecer dons de comidas a convidados – aceitem, pois convidamos.

 

   Assim ele lhes falou um após o outro. Então o capelão disse a ele: “Hatthipala meu filho, você fala isto porque você não nos conhece. Você pensa que somos sábios dos Himalaias mas tal não o somos, meu filho. Este é o rei Esukari e eu sou teu pai o capelão.” “Então,” disse o rapaz, “por que estão vestidos quais sábios ?” “Para testá-lo,” ele disse. “por que me testar?” ele perguntou. “Porque, se você nos ver e não renunciar ao mundo, estaremos prontos a realizar a cerimônia de aspersão e torná-lo rei.” “Oh meu pai,” cotejou ele, “não quero realeza alguma; renunciarei ao mundo.” Então seu pai respondeu, “Filho Hatthipala, este não é o momento para renunciar o mundo;” e explicou sua intenção na quarta estrofe:

 

                 Primeiro aprenda os Vedas, ganhe riqueza e esposa

                 E filhos, goze das boas coisas da vida,

                Odores, gostos e todos os sentidos: doce é a floresta

                Para viver dentro então e depois o sábio é bom.

 

   Hatthipala respondeu com uma estrofe:

               A verdade não vem através dos Vedas nem pelo ouro;

              Nem conseguir filhos evitará o envelhecimento;

              Dos sentidos há libertação, como homens sábios sabem;

              No próximo nascimento colhemos o que agora semeamos.

 

  Em resposta ao jovem, o rei agora recitou uma estrofe:

 

            Muito verdadeiras as palavras que dos teus lábios saíram:

            No próximo nascimento colhemos enquanto agora semeamos,

            Teus pais agora estão velhos: mas que eles possam ver

            Cem anos de saúde armazenados para ti.

 

“O que você quer dizer, meu senhor?” perguntou o príncipe e repetiu duas estrofes:

 

           Aquele que na morte, Ó rei, um amigo pode encontrar,

           E com a idade uma aliança assinou;

           Para este que não morrerá seja esta tua reza,

           Cem anos de vida seja sua parte.

 

           Qual alguém atravessando um rio sobre

           Um barco e viaja para a outra margem,

           Iguais os mortais inevitavelmente tendem

           Para a doença e velhice e o fim da morte.

 

Deste modo ele mostrou a estas pessoas como são transitórias as condições da vida mortal, adicionando este conselho: “Enquanto você está aí, Ó grande rei, e enquanto falo contigo, mesmo agora doença, envelhecimento e morte aproximam-se de mim. Então fiquem vigilantes!” Assim saudando o rei e seu pai, ele tomou consigo seus ajudantes e abandonou o reino de Benares e partiu com a intenção de abraçar a vida religiosa. E uma grande companhia de pessoas foi com o jovem homem Hatthipala; “pois”, eles diziam, “esta vida religiosa deve ser uma coisa nobre.” A companhia estendia-se por uma légua de distância. Ele com esta companhia procedeu até que chegaram nas margens do Ganges. Lá ele induziu o transe místico contemplando as águas do Ganges. “Haverá uma grande reunião de pessoas aqui,” ele pensou. “Meus três irmãos mais jovens virão, meus pais, rei, rainha e todos, eles com seus ajudantes abraçarão a vida religiosa. Benares ficará vazia. Até que eles venham permanecerei aqui.” Então ele sentou lá, exortando a multidão reunida.

                Dia seguinte o rei e seu capelão pensaram, “E assim príncipe Hatthipala realmente renunciou seu direito ao reino e está sentado nas margens do Ganges, para onde ele foi para seguir a vida religiosa e carregou uma grande multidão com ele. Mas vamos tentar Assapala e aspergí-lo como rei.”  Então como antes vestidos de ascetas eles foram para sua porta. Agradecido ele ficou quando os viu, foi até eles e repetiu as linhas “Por fim” e assim por diante, fazendo o que o outro fizera. Os outros fizeram como antes e contaram a ele a causa da sua vinda. Ele disse, “Por que o Parassol branco é ofertado primeiro a mim, sendo que tenho um irmão príncipe Hatthipala?”  Eles responderam, “Seu irmão foi embora, meu filho, para abraçar a vida religiosa; ele não terá nada a ver com a realeza.”  “Onde ele está agora?” perguntou o rapaz. “Sentado nas margens do Ganges.” “Caros,” ele disse, “não quero nada daquilo que meu irmão cuspiu para fora da boca. Tolos e aqueles que são privados de sabedoria não podem renunciar este pecado mas eu renunciarei.” Então ele declarou a Lei para o pai e o rei em duas estrofes que ele recitou:

                Prazeres dos sentidos são apenas lodo e lama;

                A delícia do coração traz morte e problemas dolorosos.

              Quem afunda nestas lamas não se aproxima nem um pouco

              Em loucura sem sentido da margem distante (o nirvana). 

 

             Aqui está alguém que certa vez inflingiu sofrimento e dor:

            Agora ele foi pego e nenhuma libertação é encontrada.

             Para que ele nunca possa fazer tais coisas novamente

             Construirei paredes impenetráveis ao redor.

 

      “Enquanto vocês estão aí e mesmo enquanto falamos, doença, envelhecimento e morte aproximam-se cada vez mais.” Com este conselho e seguido por uma companhia de pessoas por uma légua de distância, ele foi para seu irmão príncipe Hatthipala. Que declarou a Lei a ele, estando pousado nos ares e dizendo, “Irmão, haverá uma grande reunião de pessoas neste lugar; permaneçamos nós dois aqui juntos.” O outro concordou em ficar lá. 

        Dia seguinte rei e capelão foram da mesma maneira para a casa do Príncipe Gopala: e por ele sendo recebidos com a mesma alegria, explicaram a causa da vinda deles. Ele igual a Assapala recusou a oferta deles. “Por um longo tempo,” ele disse, “desejei abraçar a vida religiosa; como uma vaca perdida na floresta, estou vagando em busca desta vida. Vejo o caminho que meus irmãos vão, qual trilha de uma vaca perdida; e por esta mesma trilha irei.” Então ele repetiu uma estrofe:

 

                     Como alguém que busca uma vaca perdida,

                     Que todo perplexo pela floresta extravia-se.

                     Assim meu bem estar perdido; então por que esperar,

                     Rei Esukari, em seguir a trilha ?  

 

    “Mas,” ele respondeu, “venha conosco por um dia, filho Gopalaka, por dois ou três dias, venha conosco; faça-nos felizes e então você renunciará o mundo.”  Ele disse, “Ó grande rei!  Nunca adie para a-manhã o que deve ser feito ho-je; se queres sorte, pegue ho-je pelo topete.” Então ele recitou outra estrofe:

 

                A-manhã! grita o tolo; dia seguinte! ele berra.

                Nenhuma residência no futuro! diz o sábio;

                O bom a seu alcance ele nunca desprezará.

 

     Assim falou Gopala, declarando a Lei em duas estrofes; e adicionou, “Enquanto vocês estão aí e enquanto falamos, aproximam-se doença, envelhecimento e morte”. Seguido então por uma companhia extensa uma légua de gente, ele fez seu caminho até seus dois irmãos. E Hatthipala pousado nos ares declarou a Lei a ele também. 

        Dia seguinte do mesmo modo rei e capelão apareceram na casa de Príncipe Ajapala, que os saudou com alegria como os outros fizeram. Eles contaram porque vieram e propuseram levantar o parassol da realeza. O príncipe disse: “Onde estão meus irmãos ?”  Eles responderam, “Seus irmãos não terão nada a ver com o reino; eles renunciaram o Parassol Branco e com um séquito que percorre três léguas eles estão sentados nas margens do Ganges.” “Não colocarei sobre minha cabeça o que meus irmãos cuspiram fora das suas bocas e assim viver; mas eu também tentarei a vida religiosa.” Eles disseram, “Meu filho, você é muito jovem; teu bem estar é nosso cuidado; fique mais velho, e abraçarás a vida religiosa.” Mas o rapaz disse, “O que é isto que você está falando ? Certamente a morte chega na juventude igual que com idade! Ninguém tem marca na mão ou no pé para mostrar se morrerá jovem ou morrerá velho. Não sei o tempo de minha morte e portanto renunciarei agora ao mundo de uma vez.”  Ele então recitou duas estrofes: 

 

              Certa vez vi uma donzela jovem e bonita,

              Olhos qual flores, intoxicada com a vida, sua parte

              De alegria intocada ainda, na primeira floração da juventude:

              Morte veio e carregou embora o tenro ser. 

 

             Assim nobres, belos rapazes, bem feitos e jovens,

             Com barbas negras penduradas ao redor do queixo –

             Deixo o mundo e todas suas luxúrias, para ser

             Um eremita: vocês vão para casa e me perdoem.

 

      Ele continuou então, “Vocês estão aí e enquanto falamos doença, velhice e morte aproximam-se.”  Ele saudou ambos, e na frente de um séquito de uma légua de distância ele saiu para as margens do Ganges.  Hatthipala pousado nos ares declarou a Lei a ele também e sentou para esperar a grande reunião que ele esperava.

          Dia seguinte o capelão começou a meditar sentado em seu sofá. “Meus filhos,” ele pensou “abraçaram a vida religiosa; e agora estou sozinho um toco seco de ser humano. Seguirei a vida religiosa também.”  Então ele se dirigiu com esta estrofe para a esposa:

 

            Aquilo que tem galhos ramificados chamam árvore:

            Desgalhado, desramificado, é um tronco, não árvore alguma.

            Assim um homem sem filhos, minha esposa bem nascida:

            É tempo para mim de abraçar a vida santa. 

 

    Isto dito, ele reuniu os bramins diante dele:  sessenta mil deles vieram. Ele então os questionou o que planejavam fazer.  “Você é nosso professor,” eles disseram. “Bem,” cotejou ele, “devo buscar meu filho e abraçar a vida religiosa.”  Eles responderam, “O inferno não é quente apenas para você; nós faremos a mesma coisa.”   Ele entregou seu tesouro, oitenta milhões, para sua esposa e na frente de um séquito de brahmins extenso uma légua partiu para o lugar em que seus filhos estavam. E para este séquito como antes Hatthipala declarou a Lei, pousado alto nos ares.

            Dia seguinte pensou a esposa com ela mesma, “Meus quatro filhos recusaram o Parassol Branco para seguirem a vida dos religiosos; meu esposo deixou a fortuna de oitenta milhões e chutou sua posição de capelão real e foi se juntar a seus filhos: - que sou eu para fazer tudo por mim mesma? Pela caminho que meu filho foi eu irei também.”  E comentando um antigo ditado ela recitou esta estrofe de aspiração:

 

                 Os meses de chuva passam, os gansos quebram redes e armadilhas,

                 Com um voo livre igual das garças através dos ares;

                 Então pelo caminho de marido e filho

                 Buscarei conhecimento como estes dois fizeram. 

 

[ o escoliasta se refere a história descrevendo como um aranha teceu uma rede que encobriu um bando de gansos dourados, como dois dos pássaros mais jovens no fim das chuvas rompem através com plena força e como o resto seguiu pelo mesmo buraco e voaram fora.]

                “Desde que isto sei,” disse ela consigo mesma, “por que eu não renunciaria ao mundo? ” Com este propósito ela reuniu as mulheres brahmins e disse a elas: “O que vocês pretendem fazer com vocês mesmas? ” Elas perguntaram, “Você vai fazer o que? ” – “Quanto a mim, renunciarei ao mundo.” – “Então nós faremos o mesmo.” Largando então todo seu esplendor, ela foi atrás de seus filhos, levando com ela um séquito de uma légua de distância de mulheres. A esta companhia também Hatthipala declarou a Lei, sentado nos ares pousado.

              Dia seguinte o rei perguntou, “Onde está meu capelão? ” “Meu senhor,” responderam, “o capelão e sua esposa deixaram toda a riqueza para trás e seguiram seus filhos em uma companhia que cobre duas ou três léguas.” Disse o rei, “Dinheiro sem dono vem para mim, ” e mandou o juntarem na casa do capelão. A rainha principal agora quer saber o que o rei estava fazendo. “Ele está mandando buscar o tesouro, ” foi dito a ela, “da casa do capelão.” “E onde está o capelão? ” ela perguntou. “Saiu para se tornar um religioso, esposa e todos.” “Por que,” pensou ela, “aqui está o rei mandando trazer para sua própria casa o esterco e o cuspe largados por este brahmin e sua esposa e seus quatro filhos! Tolo enlouquecido! O ensinarei com uma parábola.”  Ela pegou um pouco de carne de cachorro e fez um monte dela no jardim do palácio. Depois ela armou uma armadilha ao redor deixando o caminho aberto direto para cima. Os abutres vendo-a de cima desceram rapidamente. Mas os sábios entre eles notaram que a armadilha estava ao redor; e sentindo que eram muito pesados para elevar-se direto, eles vomitaram o que tinham comido e sem ser pegos na armadilha elevaram-se e voaram. Outros cegos de loucura devoraram o vômito dos primeiros e ficando pesados não conseguiram ficar leves mas foram pegos na armadilha. Trouxeram um dos abutres para a rainha e ela levou-o para o rei. “Veja, Ó rei!” ela disse, “há algo a ser visto por nós no jardim.” Abrindo a janela, “Veja aqueles abutres, sua majestade!” e ela repetiu duas estrofes:

             Os pássaros que comeram e vomitaram estão livres voando nos ares:

 Mas aqueles que comeram e guardaram, para baixo são capturados por mim agora.

 

              Um brahmin vomita suas luxúrias e tua comerás a mesma?

    Um homem que come um vômito, senhor, merece a mais profunda reprovação.

 

          Com estas palavras o rei se arrependeu; os três estados da existência (sensual, corporal, sem forma, os três mundos) pareciam com chamas flamejantes; e ele disse, “Ho-je mesmo devo deixar meu reino e abraçar a vida religiosa.” Cheio de dor, ele louvou a rainha em uma estrofe:

 

                Como um homem forte empresta uma mão de ajuda

                Para o mais fraco que afunda no lodo ou na areia movediça:

                Deste modo, Rainha Pancati, tu me salvaste aqui,

                Com versos cantados tão docemente aos meus ouvidos.

 

       Logo que ele disse isto no mesmo momento mandou chamar seus cortesãos, ansioso em tentar a vida religiosa e disse a eles, “E o que vocês farão? ” Eles responderam, “O que você fará? ” Ele disse, “Procurarei Hatthipala e me tornarei religioso.”  “Então,” eles disseram, “nós, meu senhor, faremos o mesmo.” O rei deixou sua soberania sobre Benares, esta grande cidade, doze léguas extensa, e disse, “Deixemos quem levantará o Parassol Branco.”  Então cercado de seus cortesãos, na frente de uma coluna três léguas extensa, ele foi para a presença do jovem. A este corpo também Hatthipala declarou a Lei, sentado alto nos ares. 

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                 O Mestre repetiu uma estrofe que conta como o rei renunciou este mundo. 

                 Então Esukari, rei poderoso, senhor de muitas terras,

                 De Rei tornou-se eremita, como um elefante que rompe suas amarras. 

 

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          Dia seguinte o Povo que foi deixado na cidade reuniu-se diante do portão do palácio e queriam falar com a rainha.  Eles entraram, e saudando a rainha, permaneceram em um dos lados, repetindo a estrofe:

 

                  É o prazer de nosso nobre rei

                  Ser um eremita, largando tudo.

                  Então no lugar do rei agora pedimos que tu permaneças;

                  Cuide do reino, protegido por nossas mãos.

 

       Ela escutou ao que a multidão disse e então repetiu as estrofes restantes: 

 

           É o prazer do nobre rei

           Ser um eremita, largando tudo.

           Agora saibam que andarei sozinha no mundo

           Renunciando cada uma das luxúrias e prazeres.

 

            É o prazer no nobre rei

           Ser um eremita, largando tudo.

           Agora saibam que andarei sozinha no mundo,

           Onde quer que estejam, renunciando cada uma das luxúrias.

 

           Tempo passa, segue noite após noite,

            Belezas jovens uma a uma devem diminuir e morrer:

            Agora saibam que andarei sozinha no mundo,

            Renunciando cada uma das luxúrias e prazeres.

 

            Tempo passa, segue noite após noite,

            Belezas jovens uma a uma devem diminuir e morrer:

            Agora saibam que andarei sozinha no mundo,

            Onde quer que estejam, renunciando cada uma das luxúrias.

 

             Tempo passa, segue noite após noite,

            Belezas jovens uma a uma devem diminuir e morrer:

            Agora saibam que andarei sozinha no mundo,

            Cada laço jogado fora, nem poder de apaixonar eu tenho.

 

       Com estas estrofes ela declarou a Lei para a grande multidão; reunindo então as esposas dos cortesãos disse a elas, “E o que vocês farão?” “Madame,” elas disseram, “o que você fará”- “Abraçarei a vida religiosa.” – “Então também o faremos.” A rainha então deixou aberta as portas de todos os depósitos de ouro no palácio e fez com que fosse gravado em um disco dourado, “Em tal lugar há um grande tesouro escondido; quem quiser pegá-lo pode tê-lo.” Este disco dourado ela amarrou num pilar sobre o grande tablado e enviou o tambor batendo a proclamação ao redor da cidade. Deixando então toda sua magnificência, ela saiu da cidade.  A cidade toda então ficou em ebulição: o grito era, “Nosso rei e nossa rainha deixaram a cidade para se juntar aos religiosos; o que nós faremos agora?” Em seguida o Povo todo deixou suas casas e tudo que havia nelas e saiu, levando seus filhos pela mão; todas as lojas permaneceram abertas mas ninguém nem mesmo se virou para olhá-las: toda a cidade ficou vazia.

          E a rainha com um séquito de três léguas de extensão foi para o mesmo lugar que os outros. Para a sua companhia Hatthipala também declarou a Lei, pousado nos ares acima deles; e então com todo o conjunto de séquitos totalizando doze léguas ele partiu para o Himalaia.

         Todo o estado de Kasi fervilhava, gritando como Hatthipala esvaziou a cidade de Benares, extensa doze léguas e como em grande companhia partiu fora rumo ao Himalaia para abraçar a vida religiosa; “certamente então” eles disseram, “quanto mais melhor!” No fim esta companhia cresceu tanto que cobria trinta léguas; e ele com esta grande companhia foi para o Himalaia. 

         Sakra meditando percebeu o que estava acontecendo. “Príncipe Hatthipala,” ele pensou, “fez a Renúncia; haverá uma grande reunião de gente e eles devem ter um lugar para viver.”  Ele então deu ordens a Vishvakarma: “Vá, faça um eremitério trinta e seis léguas extenso e quinze de largura, e reúna dentro dele todo o necessário para os religiosos.” Ele obedeceu; e fez nas margens do Ganges em um lugar agradável um eremitério do tamanho pedido, preparou nas cabanas de folhas estrados juncados com galhos ou juncados com folhas, aprontando todas as coisas necessárias para os religiosos. Cada cabana tinha suas portas, cada uma seu  corredor; havia lugares separados para ficar de dia e ficar de noite; tudo bem acabado com cal; havia bancos para sentar. Aqui e lá haviam árvores floridas carregadas com fragrantes florações de muitas cores; no final de cada corredor havia um poço para retirar água e ao lado uma árvore frutífera e cada árvore dava um tipo de fruto. Tudo isto foi feito com poder divino. Quando Vishvakarma terminou o eremitério e dotou as cabanas de folhas com todas as coisas necessárias, ele escreveu em letras vermelhas numa parede – “Quem quer que abrace a vida religiosa é bem vindo para estas coisas necessárias.”  Então com seu poder sobrenatural ele baniu daquele lugar todos os sons ruins, todos os pássaros e bestas odiosos, todos os seres inumanos e voltou para seu próprio lugar.

                       Hatthipala chegou neste eremitério, presente de Sakra, por uma trilha e viu o que estava escrito. Então ele pensou, “Sakra deve ter percebido que fiz a Grande Renúncia.” Ele abriu a porta, e entrou numa cabana e pegou aquelas coisa que marcam o asceta saiu novamente e pelo corredor andou para cima e para baixo algumas vezes. Então ele admitiu o resto da companhia para a vida religiosa e foi inspecionar o eremitério. Ele colocou a parte no meio a habitação das mulheres com crianças e próximo a esta das mulheres mais velhas e próxima a das mulheres sem crianças; as outras cabanas ao redor ele colocou os homens.

                    Então um certo rei, escutando que não havia rei em Benares. Foi ver e encontrou a cidade adornada e decorada. Entrando no palácio real, ele viu o tesouro num monte. “O que! ” disse ele, “renunciar a uma cidade como esta e tornar-se um religioso logo que chega uma chance isto é verdadeiramente um gesto nobre!” Perguntando o caminho para algumas pessoas bêbadas ele seguiu para encontrar Hatthipala. Quando Hatthipala percebeu que ele estava vindo para a encosta da floresta, ele saiu para encontrá-lo e pousado nos ares declarou a Lei para esta companhia.  Então os levou para o eremitério e aceitou todo o grupo na Irmandade. Do mesmo modo seis outros reis se juntaram a eles. Estes sete reis renunciaram sua riqueza.   O eremitério, trinta e seis léguas de extensão, enchia continuamente. Quando algum grande homem tinha pensamentos de luxúria ou qualquer coisa semelhante, ele declarava a Lei para ele e ensinava-os o pensamento das Perfeições e o Ênstase; estes então geralmente desenvolviam o transe místico; e dois terços deles nasceram novamente no mundo de Brahma, enquanto um terço sendo dividido em três partes, uma parte nasceu no mundo de Brahma, uma nos seis céus dos sentidos, uma tendo realizado uma missão de vidente nasceu no mundo dos homens. Assim eles tiveram cada um seu próprio mérito. Assim o ensinamento de Hatthipala salvou todos do inferno, do nascer animal, do mundo dos fantasmas e de encarnar como um Titan.

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                    Na ilha do Ceilão, aqueles que fizeram a Renúncia foram: Ancião Dhammagutta, que fez a terra tremer; Ancião Phussadeva, um cidadão de Katakandhakara; Ancião Mahasamgharakkhita, de Uparimandalakamalaya; Ancião Malimahadeva; Ancião Mahadeva, de Bhaggiri; Ancião Mahasiva, de Vamantapabbhara; Ancião Mahanaga, de Kalavallimandapa; aqueles na companhia de Kuddala, de Mugapakkha, de Culasutasoma, de Ayoghara o Sábio, e último de todos Hatthipala. Portanto disse o Abençoado, “Apressem-se, vocês felizes! ( Dhammapada, 116), isto é, felicidade virá somente se usarem de toda a pressa. 

             Quando ele terminou este discurso, o Mestre disse, “Assim, Irmãos, o Tathagata fez a Grande Renúncia muito tempo atrás como a fez agora”; o que dito ele identificou o Jataka: “Naquele tempo, Rei Suddhodana era rei Esukari, Mahamaya sua rainha, Kassapa o capelão, Bhaddakapilani sua esposa, Anurudha era Ajapala, Moggaallana era Gopala, Sariputra era Assapala, os seguidores de Buddha eram o resto e eu mesmo era Hatthipala.   

 


sábado, 15 de abril de 2023

508 Osadha & Amara (cont.)

 







508    Osadha & Amara (cont.)

    

        A questão dos Cinco Homens Sábios. Ou Estória da Calúnia.

                  Novamente os quatro homens sábios disseram, “Este sujeito qualquer cada vez cresce mais em grandeza: o que devemos fazer? ” Senaka então fala por eles, “Tudo bem, tenho um plano. Vamos até o sujeito e perguntamos a ele, A quem é certo contar um segredo? Se ele disser, Para ninguém, falaremos contra ele para o rei e diremos que ele é um traidor.” Assim os quatro foram para a casa do homem sábio e o saudaram e disseram, “Sábio senhor, em que deve uma pessoa estar firmemente estabelecida ?” “Na verdade.” “Isto feito, qual a próxima coisa a fazer?” “Ele deve produzir bens.” “O que depois disto?” “Ele deve aprender bons conselhos.” “Depois disto qual a próxima ?” “Ele não deve dizer para ninguém seu próprio segredo.” “Obrigado senhor,” eles disseram e saíram felizes pensando, “Hoje veremos as costas do sujeito !” Então entraram na presença do rei e disseram a ele, “Senhor, o sujeito é um traidor para contigo!” O rei respondeu, “Não acredito em vocês, ele nunca seria um traidor para comigo.” “Acredite nisto, senhor, pois é verdade! Mas se você não acredita, então pergunte a ele a quem um segredo deve ser contado; se ele não é nenhum traidor, ele dirá, Para fulano e sicrano; mas se ele é um traidor ele dirá, Um segredo não deve ser a ninguém; quando seu desejo for realizado, então você pode falar. Então acredite em nós e não suspeite mais.” De acordo com isto, um dia quando todos estavam sentados juntos ele recitou a primeira estrofe deste jataka:

                Os cinco sábios estão agora juntos e uma questão me ocorre: escutem. A quem um segredo deve ser revelado, seja bom ou mal ? 

   

      Isto dito, Senaka, pensando em trazer o rei para seu lado, repetiu esta estrofe:

              Declares teu pensamento Ó senhor da terra! Tu és nosso suporte e carregas nossos fardos. Os cinco homens sábios entenderão teu desejo e prazer e então falarão, Ó senhor dos homens!

 

     Então o rei em sua fraqueza humana recitou esta estrofe:

        Se uma mulher é virtuosa e fiel, subserviente aos desejos e vontades de seu marido, tem afeição, um segredo deve ser contado seja bom ou mal para a esposa.

 

       “Agora o rei está do meu lado!” pensou Senaka e agraciado ele repetiu uma estrofe, explicando seu próprio curso de conduta:

              Aquele que protege uma pessoa doente em sofrimento e que é seu refúgio e suporte, pode revelar a seu amigo um segredo seja bom ou mal.

 

      Então o rei perguntou a Pukkusa: “O que te parece Pukkusa? A quem deve um segredo ser contado?” e Pukkusa recitou esta estrofe:

               Velho ou jovem ou entre os dois, se um irmão é virtuoso e fiel, para tal irmão um segredo pode ser contado, seja bom ou mal.

           

    Depois o rei questionou Kavinda e ele recitou esta estrofe:

             Quando um filho é obediente ao coração de seu pai, um filho verdadeiro, de elevada sabedoria, a este filho um segredo pode ser revelado seja bom ou mal.

 

    Então o rei questionou Devinda, que recitou esta estrofe:

           Ó senhor dos homens! Se uma mãe aprecia seu filho com afeição amorosa, a esta mãe ele pode revelar um segredo seja bom ou mal.

 

   Após questioná-los o rei perguntou, “Como você considera isto, sábio senhor?” e ele ( Osadha ) recitou esta estrofe:

          Bom é o sigilo de um segredo, a revelação de um segredo não é para ser louvada. A pessoa inteligente deve guarda-lo para si mesma enquanto ele não se realiza; mas depois que ele acontece pode falar quando quiser.

 

      Quando o sábio disse isto o rei ficou descontente: então o rei olhou para Senaka e Senaka olhou para o rei. O Bodhisatva viu isto e reconheceu o fato, que estes quatro o caluniaram antes diante do rei e que esta questão deve ter sido colocada para testá-lo. Bem, enquanto eles falavam o Sol se pôs e lâmpadas foram acesas. “Difícil são os caminhos dos reis,” ele pensou, “o que acontecerá ninguém pode dizer; devo partir rapidamente.” Então ele se levantou de seu assento, saudou o rei, e foi embora pensando, “Destes quatro, um disse que poderia falar para um amigo, um para um irmão, um para um filho, um para uma mãe: eles devem ter feito ou visto alguma coisa; ou, penso, escutaram outros contarem o que viram. Ora, ora, descobrirei ho-je.” Tal foi seu pensamento. Bem, em outros dias, estes quatro quando saíam do palácio costumavam sentar em um cocho (virado ao contrário) na porta do palácio, e falavam dos seus planos antes de ir para casa: então o sábio considerou que se ele se escondesse debaixo daquele cocho ele poderia conhecer os segredos deles. De acordo com isto, levantando o cocho, fez com que um tapete fosse colocado debaixo dele e insinuou-se para dentro, dando ordens a seus homens para vir buscá-lo depois que os quatro homens sábios tivessem ido embora após suas conversas. Os homens se comprometeram e partiram. Enquanto isto Senaka estava falando com o rei, “Senhor, você não acredita em nós mas e agora o que você acha?” O rei aceitou a palavra destes procriadores de embotamento sem investigar e perguntou aterrorizado, “O que faremos agora, sábio Senaka ?” “Senhor, sem demora, sem dizer palavra para ninguém, ele deve ser morto.” “Ó Senaka, ninguém cuida dos meus interesses a não ser você. Pegue seus amigos com você e espere na porta e de manhã quando o sujeito vier para me aguardar, rache a cabeça dele com uma espada.”  Assim falando deu a eles sua própria preciosa espada. “Muito bem, meu senhor, nada tema, nós o mataremos.” Eles saíram falando, “Vemos as costas do nosso inimigo !” e sentaram no cocho. Então Senaka disse, “Amigos, quem atingirá o sujeito ?” Os outros disseram, “Você, nosso professor,” deixando a tarefa para ele. Então Senaka disse, “Vocês disseram, amigos, que um segredo deve ser contado para tais e tais pessoas: foi isto algo que vocês fizeram, viram ou escutaram ?” “Não ligue não professor: quando você disse que um segredo pode ser dito para um amigo , foi alguma coisa que você fez?” “O que importa isto para vocês ?” ele perguntou. “Por favor diga-nos, professor,” eles repetiram. Ele disse, “Se o rei vier a saber este segredo, minha vida seria confiscada.” “Nada tema, professor, não há ninguém aqui para trair nosso segredo, diga-nos, professor.” Então, batendo em cima do cocho, Senaka disse, “E se o caipira estiver aqui debaixo ?!” “Ó professor! O sujeito em toda sua glória não iria insinuar-se num lugar como este! Ele deve estar intoxicado com sua prosperidade. Vamos, diga-nos.” Senaka contou seu segredo e disse, “Vocês conhecem tal e tal prostituta nesta cidade ?” “Sim, professor.” “Ela agora pode ser vista ?” “Não, professor.” “No bosque de árvores sal eu deitei com ela e depois a matei para pegar suas joias, as quais amarrei numa trouxa e levei para minha casa e pendurei numa presa de elefante em tal quarto de tal dispensa: mas usá-los não posso até que tudo tenha passado. Este é o crime que contei a um amigo e ele não contou para ninguém; e daí porque eu disse que um segredo pode ser contado para um amigo.” O sábio escutou este segredo de Senaka e o guardou na cabeça. Então Pukkusa contou seu segredo. “Na minha coxa há um lugar leprosado. Uma manhã meu irmão mais novo o lavou, colocou salva nele e um curativo e nunca contou para ninguém. Quando o coração do rei está mole ele grita, Venha aqui, Pukkusa e costuma deitar sua cabeça na minha coxa. Mas se ele soubesse ele me mataria. Ninguém sabe disto a não ser meu irmão mais novo; e daí porque disse, Um segredo pode ser contado para um irmão.” Kavinda contou seu segredo. “Quanto a mim, na quinzena escura (lua nova) no dia de jejum, um duende chamado Naradeva toma possessão de mim e eu fico latindo que nem um cachorro doido. Contei para meu filho isto; e ele, quando me viu possuído, me amarrou dentro de casa e me deixou fechando as portas e para abafar meu barulho reuniu um grupo de pessoas. Daí porque disse que um segredo pode ser contado para um filho.” Então todos os três questionaram Devinda e ele contou seu segredo. “Sou inspetor das joias do rei; e roubei uma pedra da sorte maravilhosa, presente de Sakra para o Rei Kusa e a dei para minha mãe. Quando vou para a Corte ela me entrega a pedra, sem dizer uma palavra para ninguém; e devido a esta pedra sou preenchido com o espírito da boa fortuna quando entro no palácio. O rei fala comigo primeiro antes de qualquer um de vocês e me dá todo dia para gastar oito rúpias, ou dezesseis, ou trinta e duas, ou sessenta e quatro. Se o rei soubesse que tenho esta gema escondida eu seria um homem morto! Daí porque eu disse que um segredo pode ser contado para uma mãe.”

                 O Grande Ser anotou cuidadosamente todos os segredos deles; eles contudo, após descobrirem seus segredos como se abrissem as barrigas e deixassem as entranhas para fora, levantaram-se do assento e partiram, dizendo, “Não deixem de vir cedo e nós mataremos o miserável.”

             Quando eles já tinham ido, os homens do sábio vieram e viraram o cocho e levaram o Grande Ser para casa. Ele se lavou, se vestiu e se alimentou; e sabendo que sua irmã Rainha Udumbari enviaria naquele dia uma mensagem do palácio, ele colocou uma pessoa de confiança para vigiar, ordenando que enviasse imediatamente qualquer pessoa que viesse do palácio. Então ele deitou em sua cama.

            Naquela hora o rei também estava deitado em sua cama e lembrando da virtude do sábio. “O sábio Mah’Osadha me serve desde que ele tem sete anos de idade e nunca me fez nada de errado. Quando a deusa (do parassol) perguntou-me suas questões não fora pelo sábio eu seria um homem morto. Aceitar as palavras de inimigos vingativos, dar a eles uma espada e ordená-los que matem um sábio sem igual, isto eu nunca deveria ter feito. Depois de a-manhã não o verei mais !” Ele afligiu-se, suor caía de seu corpo, possuído de aflição seu coração não tinha paz. Rainha Udumbari, que estava com ele na cama, vendo-o neste estado perguntou, “Fiz alguma ofensa contra ti ? ou alguma outra coisa causa aflição ao meu Senhor ?” e ela repetiu esta estrofe:

                      Por que estás perplexo, Ó rei? Não escutamos a voz do senhor dos homens! O que você pondera assim deprimido ? Há alguma ofensa minha, meu senhor ?

 

           O rei repetiu uma estrofe:

                           Eles dizem, ‘o sábio Mah’Osadha deve ser morto’; e condenado por mim à morte está o mais sábio de todos. Quando penso nisto fico deprimido. Não há erro em ti, minha rainha.

 

         Quando ela escutou isto, aflição a esmagou como uma pedra, por causa do Grande Ser ; e ela pensou, “Sei um plano para consolar o rei: quando ele dormir enviarei uma mensagem para meu irmão.” Então ela disse a ele, “Senhor, foi você que fez o filho do miserável elevar-se a grande poder; você o fez comandante em chefe. Agora eles dizem que ele se tornou seu inimigo. Nenhum inimigo é insignificante; morto ele deve ser, portanto não se aflija.”  Assim ela consolou o rei; sua aflição diminuiu e ele caiu no sono. Então a rainha se levantou e foi para seu quarto e escreveu uma carta assim. “Mah’Osadha, os quatro homens sábios o caluniaram ; o rei está com raiva, e a-manhã ordenou que tu sejas morto no portão. Não venhas ao palácio a-manhã de manhã; ou se vieres, venhas com poder de segurar a cidade em sua mão.” Ela colocou a carne dentro de uma carne assada, embrulhou-a com barbante e colocou em um pote novo, o perfumou e o selou, e entregou a uma empregada dizendo, “Pegue esta carne assada e a leve para meu irmão.” Ela fez isto. Vocês não devem supor como ela saiu de noite, pois o rei tinha em outro momento dado este dom para a rainha e portanto ninguém a impedia. O Bodhisatva recebeu o presente e despediu a mulher, que retornou e relatou que entregou-o. Então a rainha foi e deitou ao lado do rei. O Bodhisatva abriu a carne assada e leu a carta e entendeu e após deliberar o que devia ser feito foi descansar.

                    Cedo de manhã, os outros quatro homens sábios espada na mão permaneceram no portão mas não vendo o sábio eles ficaram abatidos e entraram para falar com o rei. “Bem,” disse ele, “o caipira está morto ?” Eles responderam, “Não o vimos, Senhor.” E o Grande Ser na aurora tomou toda a cidade em seu poder, colocou guardas aqui e lá, e em uma carruagem com uma grande hoste de homens e grande magnificência veio para os portões do palácio. O rei permaneceu olhando para fora de uma janela aberta.  Então o Grande Ser desceu de sua carruagem e o saudou; e o rei pensou, “Se ele fosse meu inimigo não me teria saudado.” Então o rei o mandou chamar e sentou no seu trono. O Grande Ser veio e sentou em um dos lados: os quatro homens sábios também sentaram lá. Então o rei fez como se não soubesse de nada e disse, “Meu filho, ontem você nos deixou e agora você vem novamente; por que você me trata tão negligentemente ?” e ele repetiu esta estrofe:

                            A tarde você foi e agora você vem. O que você escutou? O que tua mente teme? Quem manda em você, Ó mais sábio ? Venha, estamos escutando tua palavra: diga-me.

 

            O Grande Ser respondeu, “Senhor, tu escutaste aos quatro homens sábios e ordenaste minha morte, daí porque eu não vim,” e reprovando-o repetiu esta estrofe: 

                ‘O sábio Mah’Osadha deve ser morto’ : se você disse isto na noite passada em segredo para tua esposa, teu segredo foi revelado e eu o escutei. 

 

        Quando o rei escutou isto ele olhou com raiva para sua esposa pensando que ela devia ter enviado mensagem sobre isto na mesma hora. Observando isto o Grande Ser disse, “Por que estás irado com a rainha, meu senhor? Conheço todo o passado, presente e futuro. Suponha que a rainha tenha me contado teu segredo: quem me contou os segredos do mestre Senaka, Pukkusa e do resto deles ? Mas eu sei todos os seus segredos”; e ele contou o segredo de Senaka nesta estrofe: 

 

         O ato pecaminoso e ruim que Senaka realizou no bosque de árvores sal ele contou a um amigo em segredo, este segredo foi revelado e eu o escutei. 

 

        Olhando para Senaka, o rei perguntou, “É verdade isto ?” “Senhor, é verdade,” ele respondeu e o rei ordenou que o jogassem na prisão. Então o sábio contou o segredo de Pukkusa nesta estrofe:

                    No homem Pukkusa, Ó rei dos homens, há uma doença inadequada ao toque do rei: ele contou isto em segredo a seu irmão. Este segredo foi descoberto e eu o escutei.

 

         O rei olhando para ele perguntou, “É isto verdade ?” “Sim, meu senhor,” ele disse;  e o rei o mandou também para a prisão.  Então o sábio contou o segredo de Kavinda nesta estrofe:

                            Doente está aquele homem ali, de natureza má, possuído por Naradeva. Ele contou isto em segredo para seu filho: este segredo foi descoberto e eu o escutei. 

 

        “É isto verdade Kavinda ?” o rei perguntou; e ele respondeu, “É verdade.” Então o rei o mandou também para a prisão. O sábio agora conta o segredo de Devinda nesta estrofe:

                              A nobre e preciosa gema de oito faces, que Sakra deu a teu avô, está agora nas mãos de Devinda e ele contou isto para a mãe dele em segredo. O segredo foi descoberto e eu o escutei.

 

      “É verdade Devinda ?” o rei perguntou; e ele respondeu, “É verdade.” Então mandou ele também para a prisão. Assim aqueles que planejaram par matar o Bodhisatva ficaram todos os grilhões juntos. E o Bodhisatva disse, “Daí porque digo, uma pessoa não deve dizer seu segredo para ninguém; aqueles que disseram que um segredo pode ser contado, caíram todos em completa ruína.”  E ele recitou estas estrofes, proclamando uma doutrina mais elevada:

                    O sigilo de um segredo é sempre bom, nem está bem que se divulgue um segredo. Quando a coisa não se realiza o homem sábio deve guardá-la consigo mesmo: quando ele realizar seu objetivo deixe-o falar como quiser. Não se deve revelar uma coisa secreta mas deve-se guardá-la como um tesouro; pois uma coisa secreta não é bom que se revele pelo prudente. Nem a uma mulher contaria o sábio um segredo, nem a um inimigo, nem para alguém que pode estar incitado por interesse próprio, nem por causa de afeições. Aquele que revela uma coisa secreta desconhecida, por medo de quebra de confiança deve suportar se escravo de outro. Tantos quanto são aqueles que sabem o segredo de uma pessoa, tantas são as ansiedades desta pessoa: portanto não se deve revelar um segredo. Afaste-se de contar um segredo de dia; de noite em sussurros suaves: pois ouvintes escutam palavras, logo as palavras espalham-se.

 

          Quando o rei escutou o Grande Ser falar ele estava nervoso e pensou, “Estes homens, traidores eles mesmos ao seu rei, inventaram que o sábio me traía !” Então ele disse, “Levem-os para fora da cidade e impale-os ou rachem a cabeça !” Então amarraram as mãos deles nas costas e em toda esquina nas ruas eram golpeados cem vezes. Mas enquanto estavam sendo arrastados, o sábio disse, “Meu senhor, estes são teus antigos ministros, perdoe-lhes as faltas !” O rei consentiu e deu-lhes como escravos para ele. Ele os libertou imediatamente. Então o rei disse, “Bem, eles não devem viver em meu reino,”  e ordenou que fossem banidos. Mas o sábio suplicou a ele que lhes perdoasse a loucura cega e o apaziguou e o persuadiu a restaurar-lhes as posições que tinham. O rei ficou muito agraciado com o sábio: se esta era a terna misericórdia para com os inimigos, qual não seria em relação aos outros!  Daí em diante os quatro sábios, qual cobras sem presas nem veneno, não conseguiam dizer palavra, nos é dito.

       Aqui termina a Questão dos cinco sábios e também a Estória da Calúnia.