Borobudur, a imagem em pedra da grande renúncia com as vestes,a coroa, os símbolos reais nas mãos de Channa com os deuses já descendo com uma bandeja para guardá-los. O cavalo Kanthaka também aparece na cena. Buddha corta os cabelos. 'No meio do quadrinho tinha uma pedra...'
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“Saúdo o
senhor...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto
residia em Jetavana, sobre a Grande Renúncia. Um dia os Irmãos
haviam se reunido no Salão da Verdade. “Irmão,”
disse um a seu companheiro, “o Dasabala poderia morar numa casa,
ter sido o monarca universal no centro do grande mundo, possuir as
Sete Coisas Preciosas, glorioso com as Quatro Faculdades
Sobrenaturais ( cf. Jataka 276 ) e viver cercado por amis de mil
filhos ! Contudo toda esta magnificência ele renunciou quando
percebeu a perdição que descansa nos desejos. À
meia noite, na companhia de Channa, o cavalariço montou seu
cavalo Kanthaka e partiu : nas margens do Anoma, Rio Glorioso, ele
renunciou o mundo e por seis anos se atormentou com austeridades e
então atingiu a perfeição da sabedoria.”
Assim falavam das virtudes de Buddha. O Mestre entrando perguntou,
“Sobre o quê vocês conversam, Irmãos, sentados
aí ?” Disseram a ele. Disse o Mestre, “Esta não é
a primeira vez, Irmãos, que o Tathagata faz a Grande Renúncia.
Em tempos passados ele se retirou e desistiu do reino da Cidade de
Benares, que tinha a extensão de doze léguas.” Assim
falando, ele contou uma história do passado.
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Certa vez
um rei chamado Sabbadatta reinava na cidade de Ramma. O lugar que
agora chamamos de Benares é chamado Cidade de Surundhana no
Jataka Udaya de número 458 e chamada de Sudassana no Jataka
Cullasutasoma 525 e de Brahmavaddhana no Jataka Sonandana 532 e
Pupphavati no Jataka Khadahala 542 mas neste Jataka Yuvañjaya
é chamada Cidade de Ramma. Deste modo seu nome muda em
diversas ocasiões. Nesta vez o rei Sabbadatta tinha mil filhos
; e ao filho mais velho Yuvañjana fez vicerei.
Um dia cedo
de manhã ele montou sua esplêndida carruagem e em grande
pompa foi fazer esporte no parque. Nos topos das árvores, nas
pontas das gramas, em todas as teias e tramas de aranhas, nos caules
dos juncos, ele viu gotas de orvalhos penduradas como muitos colares
de pérolas. “Amigo auriga,” cotejou, comentou, “o quê
é sito ?” “isto, meu senhor,” ele respondeu,”é
o que cae no tempo frio e chama-se orvalho.” O príncipe
divertiu-se no parque por parte do dia. À tarde, quando
retornava para casa, não viu nenhum orvalho. “Amigo
auriga,” disse ele, “onde está o orvalho ? Não os
vejo agora.” “Meu senhor,” disse o outro, “quando o Sol
sobe alto eles derretem e afundam no chão.” Escutando isto,
o príncipe ficou aflito e disse, “Nossa vida, dos seres
vivos, tem a forma, figura, de gotas de orvalho na grama. Devo me
livrar da opressão da doença, da idade e da morte ;
devo pedir licença a meus pais e renunciar ao mundo.” Assim
por causa das gotas de orvalho ele percebeu os Três modos da
Existência ( kamabhavo, rupabhavo, arupabhavo ) como em um
fogo em brasas. Quando voltou para casa, foi até a presença
de seu pai em seu magnífico Salão de Julgamento e
saudando seu pai permaneceu em um lado e repetiu a primeira estrofe
pedindo a ele permissão para deixar o mundo :
Saúdo
o senhor dos aurigas com amigos e cortesãos ao lado :
O mundo, Ó
Rei ! Renunciarei : que meu senhor não negue.
O rei repetindo a
segunda estrofe para dissuadí-lo :
Se algo
desejas, Yuvañjana, realizarei plenamente :
Se alguém
te persegue, eu protejo : não seja eremita.
Escutando isto, o
príncipe recitou a terceira estrofe :
Ninguém
me persegue : meus desejos nenhum falta
Mas
buscarei um refúgio onde a velhice não ataca.
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A guisa de
explicação sobre esta matéria, o Mestre
pronunciou meia estrofe :
O
filho falou assim com o pai e o pai com o filho :
A meia estrofe
remanescente foi pronunciada pelo rei :
Não
deixe o mundo, Ó príncipe ! Assim grita o povo todo.
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O príncipe
novamente repetiu esta estrofe :
Ó, da
vida não mundana separado, grande monarca, não me faça
ficar
Para que,
intoxicado com luxúrias, seja presa da idade.
Isto dito o rei
hesitou. Então disse à mãe, “Teu filho, minha
senhora, é pedindo a seu pai licença para renunciar ao
mundo.“ “O quê você disse ?” ela perguntou. Ela
ficou sem ar. Sentada em uma liteira de ouro foi rapidamente para o
Salão do Julgamento e repetindo a sexta estrofe, pediu :
Te peço,
sou eu, meu querido e te farei permanecer !
Há
muito desejo ver-te, meu filho : Ó por favor não vá
!
Escutando isto o
príncipe repetiu a sétima estrofe :
Como orvalho
na grama, quando o Sol levanta-se quente,
Tal é
a vida das pessoas mortais : Ó mãe, não me faça
ficar !
Quando ele falou
isto, ela continuou pedindo do mesmo jeito. Então o Grande
Ser se dirigiu ao pai na oitava estrofe :
Que partam
os que carregam a liteira : não deixe minha mãe
Me
impedir, poderoso rei ! De entrar no caminho sagrado.
Quando o rei
escutou as palavras de seu filho, disse, “Vá, senhora, em
sua liteira, de volta para teu palácio das Delícias
Perenes.” Com estas palavras os pés dela falharam : e
cercada de empregadas, partiu, entrando no palácio e
eprmanecendo olhando em direção ao Salão de
Julgamento e cogitando as notícias de seu filho. Após
a saída da mãe o Bodhisatva pediu novamente licença
a seu pae. O rei não podia recusar e disse “Faça tua
vontade então caro filho e renuncie ao mundo.”
Quando este
consentimento foi ganho, o irmão mais novo do Bodhisatva,
Príncipe Yudhitthila, saudou ao pai e do mesmo modo pediu
licença para seguir a vida religiosa e o rei consentiu. Ambos
os irmãos deram adeus ao pai e tendo renunciado as luxúrias
mundanas partiram do Salão do Julgamento, nomeio de uma grande
companhia de pessoas. A rainha contemplando o Grande Ser gritava
chorando, “Meu filho renunciou ao mundo e a cidade de Ramma
esvaziará !” Então ela repetiu um par de estrofes :
Apressem-se,
e abençoem-se ! Vazia está Rammaka creio :
Rei
Sabbadatta deixou Yuvañjana ir.
O mais
velho de mil, ele, como ouro a ser guardado
Este
poderoso príncípe largou o mundo vestindo o manto
amarelo.
O Bodhisatva não
abraçou imediatamente a vida religiosa. Não,primeiro
ele se
despediu
dos pais, então levando seu irmão mais moço
Príncipe Yudhitthila, deixou a cidade, e mandando de volta a
grande multidão que os seguia, ambos foram para os Himalaias.
Construindo lá em um lugar aprazível um eremitério
e abraçaram a vida de sábio sagrado e cultivando o
rapto transcendente da meditação viveram por toda a
vida de raízes e frutos da floresta e tornaram-se destinados
ao mundo de Brahma.
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Este assunto
é expllicado na estrofe da perfeita sabedoria que vem por
último :
Yuvañjana,
Yudhitthila, na vida santa permaneceram :
Pai e
mãe deixaram, quebraram os dois os grilhões da morte.
Quando o Mestre
terminou este discurso, disse, “Esta não é a primeira
vez, Irmãos, que o Tathagata renuncia ao mundo para seguir a
vida religiosa mas aconteceu o mesmo antes ;” então ele
identificou o Jataka : “Naquele tempo membros da atual família
do rei eram pai e mãe, Ananda era Yudhitthila e eu era
Yuvañjana.”