domingo, 20 de janeiro de 2013

458 Buddha Sakra



458
Tu sem falha...etc.”- Esta história o Mestre contou, enquanto residia em Jetavana sobre um Irmão relapso. A ocasião será explanada no Jataka Kusa de número 531. Novamente o Mestre perguntou ao sujeito, “É vero, Irmão que és relapso, como dizem ?” E ele respondeu, “É, senhor.” Então ele disse, “Ó Irmão, por quê és relapso em uma religião como a nossa que leva à salvação e tudo por luxúria da carne ? Sábios antigos, que eram reis em Surundha, uma cidade próspera e medindo doze léguas nas duas direções, apesar de por setecentos anos residirem em um mesmo aposento com uma mulher bela como ninfa divina, ainda assim não cedeu aos sentidos e nunca nem mesmo olhou para ela com desejo.” Assim falando, ele contou uma história do passado. Cf. Jatakas 328 e 443.

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Certa vez quando rei Kasi reinava no domínio Kasi, em Surundha sua cidade, não tinha ele nem filho nem filha. Então pediu para que suas rainhas rezassem por filhos. O Bodhisatva, saindo do mundo de Brahma, foi concebido no útero da rainha principal. E porque seu nascimento alegrou os corações de uma multidão de gente, recebeu o nome de Udayabhadda ou Bem-vindo. No tempo em que o garoto passou a andar nos próprios pés, outro ser veio para este mundo vindo do mundo de Brahma e tornou-se uma menina no útero de outra das rainhas deste rei e foi chamada com o mesmo nome, Udayabhadda ou Bem vinda.
Quando o Príncipe atingiu a idade, alcançou o magistério em todos os ramos da educação ; mais, era casto a tal ponto que nada sabia dos atos da carne nem mesmo em sonho nem estava seu coração inclinado ao pecado. O rei desejava tornar seu filho o rei, com a aspersão solene, e arranjar jogos para o prazer dele ; e deu ordens de acordo com isto. Mas o Bodhisatva respondeu “Não quero o reino, meu coração não se inclina ao pecado.” Por várias vezes foi solicitado contudo sendo a resposta que fizessem uma imagem de mulher de ouro vermelho, que ele enviou para seus pais, com a mensagem, “Quando encontrar uma mulher como esta, aceitarei o reino.” Esta imagem dourada foi apresentada por toda a Índia mas não encontraram mulher como ela. Então arrumaram Bem-vinda finamente e compararam ela com a imagem ; e a beleza dela ultrapassava a da imagem. Então casaram ela com o Bodhisatva, contra os desejos deles, sua meia irmã, nascida de mãe diferente, Princesa Bem-vinda e o ungiram rei.
Estes dois viviam juntos uma vida casta. Com o pasar do tempo, quando seus pais já estavam mortos, o Bodhisatva legislou o reino. Viviam juntos num mesmo aposento, ainda assim negando os sentidos e nunca nem mesmo olhando um para o outro com desejo ; não, uma promessa eles fizeram, que aquele que morresse primeiro, deveria retornar até o outro do lugar de seu novo nascimento e dizer, 'Em tal lugar nasci de novo.'
A partir da data da sua unção, o Bodhisatva viveu setecentos anos e depois morreu. Outro rei não havendo, as ordens de Bem-vinda foram promulgadas e os cortesãos administravam o reino. O Bodhisatva tornou-se Sakra no Céu dos Trinta e Três e devido à magnificência de sua glória por sete dias foi incapaz de lembrar o passado. Então após passar setecentos anos, de acordo com a contagem humana, lembrou ( 'um dia é como cem anos' ) e disse para si mesmo, “Vou até a filha de rei Bem-vinda e a tentarei com riquezas e rugindo o rugido de leão discursarei e cumprirei minha promessa !”
Nesta idade do mundo dizem que o tamanho da vida humana era de dez mil anos. Bem, naquele momento, sendo uma hora da noite, as portas do palácio estavam bem fechadas e a guarda estabelecida e a filha do rei sentada quieta e sozinha em um aposento magnífico no terraço do sétimo andar de sua mansão, meditando em suas virtudes. Então Sakra pegando um prato dourado cheio de moedas de ouro, apareceu em seu quarto de dormir ficando diante dela ; e permanecendo em um dos lados, começou a dialogar com ela recitando a primeira estrofe :

Tu sem falha na beleza, pura e brilhante,
Tu sentada sozinha nesta alto terraço,
Em pose graciosa, com olhos de ninfa celeste,
Peço, deixe-me passar contigo esta noite !

A isto a princesa respondeu com as duas estrofes seguintes :

Desta cidade ameada, cavada com fossos, é difícil aproximar-se,
Enquanto suas trincheiras e torres mão e espada unidas a guardam.

Nem o jovem nem o poderoso facilmente ganham entrada aqui ;
Diga-me – por quê a razão estás ansioso de me encontrar ?

Então Sakra recitou a quarta estrofe :

Sou um Duende, linda mulher, que apareço diante de ti
Conceda-me um favor, senhora, aceite esta tigela cheia.

Escutando isto a princesa respondeu repetindo a quinta estrofe :

Não quero ninguém desde que Udaya morreu,
Nem deus nem duende, nem homem, do lado :
Portanto, Ó poderoso Duende, vae embora
Não venha mais aqui e fique bem longe.

Escutando seu rugido de leoa, ele não ficou mas fez como se partisse e desapareceu. Dia seguinte na mesma hora, ele pegou um prato de prata cheio de moedas douradas e se dirigiu até ela repetindo a sexta estrofe :

Aquela alegria principal, conhecida completamente pelos amantes,
Que leva os homens a fazer muitas coisas más,
Não despreze tu, Ó senhora, sorrindo docemente :
Veja, uma tigela cheia de prata trago aqui !

A princesa então começou a pensar, “Se permito que ele fale e reclame, ele virá novamente. Nada direi à ele agora.” Com isto ela nada disse. Sakra vendo que ela nada tinha a dizer, desapareceu imediatamente deste lugar.
Dia seguinte, na mesma hora, ele pegou uma tigela de ferro cheia de moedas e disse, “Senhora, se me abençoares com o teu amor, te darei esta tigela de ferro cheia de moedas.” Quando ela o viu, a princesa repetiu a sétima estrofe :

Homens que cortejam uma mulher, aumentam e elevam,
As ofertas de ouro, até que ela lhes obedeça.
O caminho dos deuses difere, julgando por você
Vens agora com menos do que nos outros dias.

O Grande Ser, quando escutou estas palavras respondeu, “Senhora Princesa, sou um comerciante cauteloso e não desperdiço minhas posses com nada. Se você aumentasse em juventude ou beleza, eu também aumentaria o presente que ofereço a ti ; mas você está murchando e assim faço a oferta minguar também.” Assim falando, ele repetiu estas três estrofes :

Ó mulher ! A beleza e o vigor da juventude murcham
Neste mundo das pessoas, tu mulher de belos membros.
E você ho-je estás mais velha do que antes,
Então míngua para menos a soma que pagaria.

Assim, gloriosa filha de rei, diante dos meus olhos admirados
Como voa o dia e a noite tua beleza murcha e morre.

Mas se, Ó filha de rei o mais sábio, te agrada
Santa e pura podes durar, mais amável serias !

Com isto a princesa repetiu outra estrofe :

Os deuses não são como as pessoas, eles não envelhecem ;
Em sua carne não se vê dobra de ruga.
Como é isto se os deuses não têm constituição corporal ?
Sobre isto, poderoso Duende, agora me conte !

Então Sakra explicou o assunto repetindo outra estrofe :

Os deuses não são como as pessoas, eles não envelhecem ;
Em sua carne não se vê dobra de ruga :
A-manhã e a-manhã sempre mais
Cresce a beleza celestial e benção incontável.

Quando ela escutou sobre a beleza do mundo dos deuses, perguntou o caminho para ir para lá em outra estrofe :

O quê aterroriza tantos mortais aqui ?
Te pergunto, poderoso Duende, para esclarecer
O caminho, explicado de modo tão diverso :
Qual o caminho para o céu que ninguém deve temer ?

Então Sakra explicou o assunto em outra estrofe :

Quem mantem controlados voz e mente,
Quem não ama pecar com o corpo,
Dentro da casa que há muita comida e bebida,
Mão aberta, bondoso, em toda a fé toda a verdade,
Livre de favores, de língua macia, de ânimo gentil -
Aquele que assim caminha para o céu nada deve temer.

Quando a princesa escutou suas palavras, ela agradeceu em outra estrofe :

Qual mãe, qual pai, Duende, me aconselhaste :
Poderoso, Ó belo ser, me diga, me diga quem és ?

Então o Bodhisatva repetiu outra estrofe :

Sou Udaya, bela senhora, como prometi vim a ti :
Agora, vou, pois já falei : estou livre da promessa.

A princesa respirou profundamente e disse, “És Rei Udayabhadda, meu senhor !” e então explodiu em um dilúvio de lágrimas adicionando, “Sem você não posso viver ! Me instrua, para que possa viver contigo para sempre !” Assim falando ela repetiu outra estrofe :

Se és Udaya, que vieste aqui pela promessa – verdadeiramente ele -
Então me instrua,ó príncipe, para ficarmos juntos novamente.

Então ele repetiu quatro estrofes a guisa de instrução :

Juventude passa logo : um momento – e acabou ;
Nenhuma posição é firme : todas as criaturas morrem
Nascido em nova vida : esta frágil estrutura decae :
Portanto não descuide, ande em piedade.

Se toda a terra com toda sua riqueza pudesse ser
O reino de apenas um rei possuir como feudo
Um santo sagrado o ultrapassaria na corrida :
Portanto não descuide, ande em piedade.

Mãe e pai, irmão e ela
( A esposa ) que por um preço pode ser comprada,
Eles vão e cada um deixa o outro para trás :
Portanto não descuide, ande em piedade.

Lembre que este corpo será alimento
Para outros ; alegria semelhante a miséria,
Uma hora que passa, enquanto vida sucede vida :
Portanto não descuide, ande em piedade.

Deste modo discursou o Grande ser. A senhora ficando agraciada com o discurso, agradeceu nas palavras da última estrofe :

Doce a fala deste Duende : breve a vida que os mortais conhecem,
Ela é triste, curta e com ela vem inseparavelmente sofrimento.
Renuncio ao mundo : de Kasi, de Surundhana, saio.

Tendo assim discursado a ela, o Bodhisatva voltou para seu próprio lugar.
A princesa dia seguinte confiou a seus cortesãos o governo ; e nesta cidade mesma dela, em um parque agradável, se tornou reclusa. Lá ela viveu retamente, até que no fim dos seus dias nasceu novamente no Céu dos Trinta e Três, como ajudante do Bodhisatva.

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Quando o Mestre terminou este discurso, declarou as Verdades e identificou o Jataka : ( bem, na conclusão das Verdades, o Irmão relapso foi estabelecido na fruição do Primeiro Caminho :) - “ Naquele tempo a mãe de Rahula era a princesa e Sakra era eu mesmo.”   


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