quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

439 Buddha e Mittavindaka



439

Quatro portões...etc.” - Esta história o Mestre contou em Jetavana sobre uma certa pessoa desregrada. As circunstâncias já foram estabelecidas nos Jatakas 82, 104, 161, 369, 381, 427. Aqui novamente o Mestre perguntou a este irmão, “é vero, o que dizem, que és desobediente ?” “É, Senhor.” “Muito tempo atrás,” disse ele, “quando por desobediência recusaste seguir as ordens dos sábios, uma roda de navalha foi dada a ti.” E ele contou uma história do passado.

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Certa vez, nos dias de Buddha Kassapa, morava em Benares um mercador, cuja fortuna era oitenta milhões de dinheiros, tendo um filho chamado Mittavindaka. A mãe e o pai deste garoto entraram no Primeiro Caminho mas ele era fraco e descrente.
Logo quando o pai morre e se vai, a mãe, que em seu lugar administrava a propriedade, disse assim a seu filho :- “Meu filho, a cidadania é difícil de atingir ; faça ofertas, pratique a virtude, guarde dia santo, escute a Lei.” Então ele disse, “Mãe, nada de ofertas e semelhantes comigo ; nunca nem fale delas ; como vivo serei tratado no futuro.” Em uma certa lua cheia santa, quando ele falava deste modo, sua mãe respondeu,”Filho, este dia está estabelecido como grande dia santo. Ho-je assuma os votos do dia santo ; visite o claustro e por toda a noite escute a Lei e quando voltares te darei mil dinheiros.”
Por desejo deste dinheiro o filho consentiu. Assim que fez o desjejum foi para o claustro e lá passou o dia ; mas no fim da noite nem uma palavra da Lei tinha alcançado seus ouvidos e ele deitou num certo local e dormiu. No dia seguinte, bem cedo de manhã, lavou a face, foi para casa e sentou.
Bem a mãe pensava consigo mesma, “Ho-je meu filho após ter escutado a Lei voltará cedo de manhã, trazendo com ele um ancião que pregou a Lei.” Então ela fez mingau, comida sólida e macia, preparou um assento e esperou chegarem. Quando ela viu seu filho vir sozinho, “Filho,” cotejou ela, “por quê não trouxeste um pregador contigo ?” - “Sem pregador pra mim, mãe !” disse ele. “Aqui então,” cotejou a mulher, “beba o mingau.” “Você me prometeu mil dinheiros, mãe,” ele disse, “dê-mo primeiro e depois bebo.” “Beba primeiro, meu filho, e depois terás o dinheiro.” Cotejou ele, “Não, não beberei até ter o dinheiro.” Então a mãe deixou diante dele uma bolsa com mil dinheiros.
E ele bebeu o mingau, pegou a bolsa com mil dinheiros e saiu para cuidar dos negócios ; e logo em pouco tempo havia ganho dois milhões.
Então veio à mente dele aparelhar um barco e fazer comércio com ele. E assim abasteceu um navio e disse para sua mãe, “Mãe, minha intenção é fazer comércio com este barco.” Ela disse, “Você é meu único filho e nesta casa há bastante riqueza ; o maar é cheio de perigos. Não vá !” Mas ele falou, “Vou e você não pode me impedir.” “Sim, vou te impedir,” ela respondeu e segurou a mão dele ; mas ele afastou a mão para longe e empurrou ela e em um momento já tinha ido e seguia caminho.
No sétimo dia, por causa de Mittavindaka, o barco permaneceu imóvel sobre as profundezas. As sortes foram jogadas e por três vezes Mittavindaka foi escolhido ( o leitor lembrará a história de Jonas o profeta bíblico que também fugia de Deus ). Deram a ele então um caibro dizendo - “Quem muitos não morram por causa de um apenas,” e o jogaram à deriva nas profundezas. Em um instante a embarcação arrojou-se nos mares com velocidade.
E ele com seu caibro alcançou uma certa ilha. Lá em um palácio de cristal ele viu quatro espíritos dos mortos fêmeas, espíritas das mortas. Elas costumavam estar em lamentos por sete dias e sete em felicidade. Na companhia delas ele experimentou benção divina. Então quando chegou o tempo delas de suportarem penitência, disseram, “Mestre, vamos te deixar por sete dias ; enquanto estivermos fora, more aqui, e não fique estressado.” Assim falando elas partiram.
Mas ele, cheio de desejo, novamente 'embarcou' em seu caibro e passando pelo oceano chegou em outra ilha ; lá, em um palácio de prata ele viu oito outras espíritas. Do mesmo modo, ele viu em outra ilha, dezesseis em um palácio todo de jóias e em ainda outras trinta e duas em um salão dourado. Com estas como antes ele habitou em benção divina e quando elas sairam para a sua penitência, navegou ainda uma vez mais sobre o oceano ; até que por fim ele contemplou a cidade com quatro portões cercada por uma muralha. Aquele, dizem, é o Ínfero Ussada, o lugar onde muitos seres condenados aos ínferos sofrem devido a seus próprios atos : mas para Mittavindaka aparecia como uma bela cidade. Pensou ele, “Visitarei aquela cidade distante e serei seu rei.” Então ele entrou e ele viu um ser em tormento, suportando uma afiada roda de navalha ; mas para Mittavindaka parecia que a roda de navalha sobre sua cabeça era lótus em flor ; os cinco grilhões sobre seu peito pareciam uma veste rica e esplêndida ; o sangue pingando de sua cabeça, pó perfumado de madeira de sândalo vermelha ; o som de sofrimento como o som da canção mais doce. Então aproximando-se ele disse, “Olá senhor ! Já carregaste por muito tempo esta flor de lótus ; agora dê-ma !” Ele respondeu, “Meu
senhor, não é lótus isto aqui mas roda de navalha.” “Ah,” cotejou o primeiro, “você diz isto porque não a quer me dar..” Pensou o condenado infeliz : “Meus atos passados já devem estar pagos, esgotados. Sem dúvida este sujeito, como eu, está aqui por ter golpeado a mãe. Bem, darei a ele a roda de navalha.” Ele ele disse, “Aqui então, pegue a lótus,” e com estas palavras jogou a roda de navalha na cabeça dele ; e na cabeça caiu esmagando-a. Em um instante Mittavindaka soube que era uma roda de navalha e disse, “Pegue tua roda, pegue de volta tua roda !” sofrendo alto em sua dor ; mas o outro já havia desaparecido.
Naquele momento o Bodhisatva com umgrande séquito fazia uma ronda pelo Ínfero Ussada e chegou naquele lugar. Mittavindaka, espiando-o gritou, “Senhor rei dos Deuses, esta roda de navalha me fura e me corta como um pilão esmagando semente de mostarda ! Que pecado terei cometido ? E perguntando isto falou estas duas estrofes :

Quatro portões tem esta cidade de ferro, onde fui capturado e preso :
Um talude me cerca ao redor : que mal fiz ?

Agora fechadas estão as portas da cidade : esta roda me destrói:
Por quê como pássaro em gaiola fui pego ? Por quê Duende acontece isto ?

Então o Rei dos Deuses, para explicar o assunto a ele, pronunciou estas estrofes :

Cem mil tu, bom Senhor, possuias e mais vinte :
Ainda assim a um amigo não prestaria ouvidos, quando ele falava.

Rápido fugias pelos mares, coisa perigosa, suponho ;
As quatro, as oito, visitaste direto e com as oito e as dezesseis,

E com as dezesseis e as trinta e duas ; e luxúria sempre sentiste :
Veja agora, o prêmio por grande cobiça na cabeça, esta roda.

Aquele que trilha a estrada do desejo, esta espaçosa via pública,
Caminho largo, insaciável, - são deles esta roda a carregar.

Pondere a questão dos teus atos, e veja
Como era grande tua riqueza e não anele ser
Senhor de ganhos mal – adquiridos ; o que amigos aconselham
Faça, - e a roda nunca aproximar-se-á de ti.

Escutando isto, Mittavindaka pensou consigo, “Este filho dos deuses explicou exatamente o quê eu fiz. Sem dúvida ele sabe também a medida da minha punição.” E falou a nona estrofe:

Por quanto tempo, Ó Duende, permanecerá esta roda na minha cabeça ?
Quantos milhares de anos ? Revele-me, não me deixe perguntar em vão !

Então o Grande Ser falou da matéria na décima estrofe :

A roda rolará e rolará, nenhum salvador aparecerá,
Fixa na tua cabeça até a tua morte – Ó Mittavindaka, escute !

Assim falando, o Ser Divino retornou para seu lugar e o outro caiu em grande miséria.

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O Mestre tendo terminado seu discurso identificou o Jataka :- “Naquele tempo o Irmão desobediente era Mittavindaka e eu mesmo era o rei dos deuses.”





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